Recursos para aula: Base de perguntas para avaliação

Depois que os professores tem o primeiro contato com sistemas de educação a distância, como o próprio Moodle, eles percebem que tem uma ferramenta poderosa, para automatizar algumas tarefas. Por exemplo, aplicar questionários de múltipla escolha, como ferramenta para validar o aprendizado ou a interpretação de algum tipo de texto, começa a fazer parte do cotidiano do trabalho desse professor. O problema é criar um banco de perguntas, com as respectivas respostas para aplicar nas suas aulas. Tenho sempre a mesma dificuldade inicial, com professores que começam a trabalhar com esses sistemas, mas não imaginam o trabalho que dá elaborar essas perguntas.

Apesar de parecer difícil, a tarefa é realizada apenas uma vez. Nos outros semestres as suas perguntas já estão prontas, então é só aproveitar o seu banco de testes e avaliações. Apesar de ser trabalhoso, podemos usar alguns recursos na web para ajudar a compor esse banco de perguntas.

Bloco de perguntas

Caso você não saiba, existe um banco de perguntas e respostas muito bom na web, chamado de FlashcardExchange. Lá podemos encontrar várias perguntas, com as respectivas respostas publicadas por professores das mais diversas áreas.

Por exemplo, quem ministra aulas sobre história da arte ou economia, pode encontrar no sistema uma categoria que reúne apenas perguntas relacionadas com os dois temas. Além de mostrar as perguntas e respostas, o sistema permite que você use o material para estudar. Podemos visualizar apenas as perguntas, para ir respondendo mentalmente ou no papel. Depois é possível visualizar as respostas, que como são dissertativas podem varias. Junto com as respostas, podemos visualizar o tempo que gastamos para chegar às respostas.

Essa é uma ótima base para calcular o tempo médio, gasto pelos seus alunos. O sistema ainda disponibiliza um tipo de inscrição paga, que oferece serviços extras, mas é possível aproveitar o conteúdo fazendo uma conta gratuita. Ele é na sua essência uma rede social de professores e pesquisadores.

Existem perguntas para educação fundamental, ensino médio e superior. Então qualquer professor pode aproveitar o conteúdo do sistema. Claro que tudo está em língua inglesa, mas para professores isso não é problema, pelo menos não deveria ser.

Estatísticas de uso do Moodle

Os desafios para implementar um sistema, como o Moodle em qualquer instituição de ensino são muitos, sendo que um dos mais controversos é relacionado a uma pergunta difícil de responder. Na maioria dos casos os administradores e responsáveis pela instituição, querem saber se muitas instituições usam o sistema? Os dados sobre o uso do Moodle são difíceis de levantar, até por questões estratégicas ou descaso, muitas instituições deixam de registrar o uso do Moodle no web site oficial. No final das contas, a justificativa acaba sendo mesmo pelas ferramentas e não pela aceitação.

Claro que dados sobre o quantitativo de instituições de ensino que usam o sistema, poderiam tornar a aceitação “automática”.

Por isso que quando encontro alguma matéria ou artigo na internet, citando o nível de aceitação sobre o uso do Moodle, guardo esse link para uso posterior. Como sei que alguém pode estar passando pelo mesmo problema, aqui vai um link para a matéria divulgada no ZDnet, citando o avanço e popularização do Moodle na Europa.

Moodle

Apesar de ser antiga, da data de hoje o artigo já tem mais de um ano, ele comenta sobre o uso do Moodle nas universidades do Reino Unido e segundo o artigo a estimativa de uso do Moodle lá é de 50%. Esse é um número muito expressivo, em se tratando de um mercado educacional extremamente maduro para a educação a distância e com propensão de alunos com acesso à internet muito maior que o Brasil.

Outro ponto interessante do artigo, a grande maioria dessas instituições que usa o Moodle, escolheu o sistema com base nas experiências positivas de outras instituições. Nenhum vendedor entrou em contato com a instituição para vender o software.

O resto do artigo ainda fala das motivações para o desenvolvimento do sistema e das vantagens em ser de código aberto.

Acredito que esse tipo de informação deve ajudar na escolha de um sistema LMS eficiente para instituições de ensino que ainda tem dúvidas. O Moodle pode sim ajudar e prover melhores condições para aulas a distância.

Não tenho nada contra sistemas LMS proprietário, mas será mesmo que é preciso reinventar a roda?

Moodle ou Blackboard: Quem é melhor?

O Moodle é sem sombra de dúvidas o terror de todos os vendedores de sistemas LMS proprietários, aqui no Brasil e ao redor do mundo. Depois dele, apenas o Sakai gera tanta inquietação entre os revendedores de sistemas LMS. Como é que uma instituição de ensino escolhe um sistema LMS? Quais os parâmetros usados? Na verdade, isso é um assunto um tanto quanto complexo, na maioria dos casos quem faz essa escolha é o setor responsável pela tecnologia da informação na instituição. Então, o setor de ensino em conjunto com os professores não tem nenhuma influencia na escolha.

Quando partimos para mercados mais maduros no chamado e-learning, a competição entre sistemas é mais acirrada ainda. Se você está nessa situação, precisando escolher um sistema LMS, mas está em dúvida, encontrei um ótimo artigo referente à comparação de desempenho entre o Moodle e o Blackboard. Para quem não conhece, o Blackboard é um sistema LMS muito famoso e com grande número de usuários, em universidades americanas. Mas, ele é um sistema pago, e muito bem pago por sinal, o que faz com que o Blackboard seja pouco usado no Brasil.

Blackboard LMS

O experimento descrito no artigo é muito interessante, nele um mesmo grupo de alunos e professores foram submetidos à experiência de usar o Moodle e o Blackboard, para as suas atividades acadêmicas. Apesar de ser datado de 2005, o experimento é muito interessante pela riqueza de detalhes e situações abordadas. Por exemplo, eles abordam no final da pesquisa uma análise da usabilidade da interface e facilidade de interação do sistema como um todo. Tanto do ponto-de-vista do professor como do aluno.

Esse sim é um relatório que pode ser usado como base de comparação, para a escolha de um sistema LMS. Qual o resultado final? Se você não quiser ler o artigo, já posso adiantar que o Moodle teve leve vantagem no final, o que é muito bom, considerando que o seu custo é zero.

Esse é mais um estudo que aponta o Moodle como senda a melhor escolha entre os sistemas LMS. Se eu tivesse que recomendar um LMS, esse seria com certeza o Moodle ou o Sakai. Acho que o mesmo estudo fosse realizado hoje, a vantagem seria maior. Afinal, eles usaram o Moodle 1.5 para a pesquisa, hoje as ferramentas e funcionalidades do sistema estão muito mais aprimoradas.

Projetos para futuras atualizações no Moodle

O Moodle está se preparando para participar mais uma vez do projeto Google Summer of Code, que oferece prêmios em dinheiro para estudantes que tenham interesse em desenvolver projetos para software ou sistemas de código aberto. Está ai uma vantagem competitiva do Moodle em relação a outras plataformas LMS do mercado que ainda funcionam apenas como um repositório de conteúdo. Por exemplo, uma das ultimas novidades do recém lançado Moodle 1.9 foi a possibilidade de atribuir tags, nos perfis dos alunos e professores. Isso fortalece ainda mais a posição do Moodle como rede social para educação.

Ainda existem coisas para melhorar no Moodle? Claro que sim, nenhum sistema é perfeito e muita coisa ainda pode ser implementada no Moodle para oferecer ainda mais ferramentas para professores e alunos. Em minha opinião, uma das coisas que precisam de atenção urgente no Moodle é a integração dele com conteúdo multimídia. Por exemplo, para um professor adicionar um vídeo hospedado no YouTube em uma página Web, como instrução para a página, ele precisa editar o código HTML do mesmo.

Vídeo no Moodle

Qualquer sistema semelhante ao que existe em Blogs, nos quais o professor pode adicionar um vídeo do YouTube, apenas com a utilização do endereço do mesmo, facilitaria muito o trabalho dos professores que não estão interessados em aprender HTML.

Qualquer curso ou disciplina oferecida com tecnologia para EAD, que não aproveite vídeos ou recursos como apresentações no Slideshare está subutilizando a internet como ferramenta educacional.

Sobre essa integração com material multimídia, podemos esperar alguma novidade para os projetos submetidos para o Google Summer of Code do Moodle. Um deles já fala sobre essa integração e quem sabe uma maneira de hospedar e transmitir vídeos por streaming diretamente do Moodle.

Para saber mais sobre os projetos do Moodle, submetidos para o SoC 2008, visite esse endereço.

Outra coisa que poderia deixar o Moodle ainda mais atraente é algum tipo de controle de secretaria. Muitas instituições de ensino precisam de sistemas integrados e infelizmente o Moodle não oferece esse tipo de controle, de maneira nativa.

Por exemplo, como seria a impressão ou emissão de um histórico escolar no Moodle? Já pensou se fosse possível emitir o documento com base nos dados e relatórios de acesso do próprio Moodle? Você pode até pensar, basta contratar uma equipe de desenvolvimento e implementar! Mas nem todas as instituições de ensino têm orçamento e tempo disponível, para investir nesse projeto.

Se eu fosse propor um projeto, esse seria um deles. E você? Caso você tivesse o poder da escolha, quais ferramentas ou funcionalidades seriam propostas para um Moodle 2.0?

Glossário: Recurso ou atividade para avaliação?

A diversidade e variedade dos recursos disponibilizados por um bom LMS, como o Moodle, podem ser a salvação de uma estrutura em EAD com pouca interação. Mas pode ter um efeito contrário em professores ou planejadores de disciplinas, que não estejam preparados para trabalhar com tantos recursos. Vamos usar como exemplo o próprio Moodle, que disponibiliza um recurso chamado glossário. Ele pode servir tanto para o professor apresentar conteúdo, ou para que os alunos demonstrem conhecimentos em atividades práticas. O problema é encaixar isso dentro de uma aula.

Glossário

Um glossário pode servir como base de consulta para os alunos, então ele é quase um dicionário. Seria muita pretensão imaginar que os alunos poderiam aprender algum conceito ou assunto complexo, apenas lendo os termos técnicos. A melhor opção é usar o recurso como apoio nesse caso.

No Moodle e em outros sistemas LMS, existe a possibilidade do professor criar um glossário que permita a colaboração dos alunos. Então, com um planejamento prévio, o professor pode elaborar uma atividade, em que os alunos individualmente possam adicionar termos ao glossário. Todas as contribuições dos alunos podem ser avaliadas, inibindo o famoso copiar e colar.

O ideal para que tudo fique bem organizado é que você faça um planejamento prévio antes de implementar a atividade. Eu já fiz isso e o resultado foi ótimo. Veja alguns pontos importantes que devem ser observados no uso desse tipo de recurso:

  • Cada aluno só pode adicionar um número limitado de termos
  • Esse deve ser um trabalho individual
  • Deve haver um período de tempo fixo, para que os termos sejam adicionados ao glossário
  • Sempre crie um glossário separado para essa atividade, nunca misture com o glossário geral da sua disciplina

Tenha cuidado com o prazo, ele é fundamental para o sucesso da atividade. Caso ele não exista, os alunos não ficam estimulados a participar. Com um prazo bem calculado, eles têm tempo de pesquisar e participar.

A melhor parte desse tipo de atividade é que o professor pode começar a fazer um banco de definições, para aproveitamento em futuras disciplinas.