Como planejar recompensas em atividades educacionais?

No planejamento de uma atividade educacional, o conteúdo é parte fundamental do processo. Um designer instrucional precisa se questionar; será que esse método é o melhor para que o aluno aprenda o conteúdo? Mesmo com o conteúdo recebendo tanta atenção, algumas vezes ele precisa ser balanceado com algum tipo de recompensa para alunos, para que os mesmos se interessem pelo assunto. Essa é uma parte do design instrucional que se mistura um pouco com a psicologia, pois começa a ligar o material educacional com a maneira com que nos comportamos.

De maneira geral nós somos motivados por recompensas. Por exemplo, ao ler um livro você quer aprender sobre o assunto comentado pelo autor, ao assistir um filme é esperado um pouco de emoção ou informações sobre um fato, quando comemos um prato de comida o nosso cérebro espera que a nossa fome seja saciada. Tudo é baseado em recompensas.

recompensa social

Agora, na produção de qualquer material educacional, um designer instrucional precisa se preocupar em deixar bem clara a recompensa para o aluno. Por exemplo, ao ler uma parte do conteúdo e aprender coisas novas, o que ele vai ganhar? Conhecimento? Esse é um erro comum, pois na maioria das vezes é difícil perceber os benefícios do conhecimento e a maioria das pessoas não consegue mensurar isso. Quer um exemplo? Veja a quantidade de pessoas que mantém o saudável hábito da leitura. A quantidade de pessoas com esse hábito é muito pequena, pois elas não conseguem relacionar o benefício do conhecimento com o seu cotidiano.

Por isso é que justificar o aprendizado em cursos e materiais educacionais como sendo apenas “importante” não ”e estimulo suficiente para os alunos. Nesse ponto entra o trabalho do designer instrucional.

É preciso encontrar justificativas plausíveis e práticas para que o aluno aprenda aquele conteúdo. Por exemplo, ao terminar de ler um texto ou fazer uma atividade, o que ele poderá fazer na prática com aquilo? No ensino profissional isso é mais fácil, mas de maneira geral, demonstrar uma recompensa para os alunos, que esteja próxima do seu cotidiano é muito mais complicada.

Quer fazer isso com seus cursos e disciplinas? Veja o que geralmente eu faço no planejamento de materiais educacionais:

  • Sempre ligar o conteúdo com alguma atividade prática
  • Mostrar exemplos da aplicação do conhecimento (No final do texto, adicione uma série de bullets com “Agora você pode…”)
  • Faça pequenos comentários no meio do texto, sobre a aplicação prática do conteúdo para servir como ligação para a descrição da recompensa

Se a recompensa for mencionada antes do inicio do texto, melhor ainda!

Pode até parecer estranho, mas saiba que somos movidos por recompensas e na área educacional não é diferente.

Como fazer Benchmarking na área educacional?

A palavra Benchmarking é mais usada e conhecida na área de gestão de empresas, economia e marketing. Mas, o que é fazer Benchmarking? De maneira bem resumida, é o ato de estudar a maneira com que um concorrente oferece serviços, para que seja feito um comparativo, entre os serviços prestados pela própria empresa. Claro que a definição poderia apresentar mais explicações, mas para esse artigo é suficiente. Seria um tipo de espionagem? Sim, tem tudo haver com o ato de espionar, mas o propósito é nobre; melhorar os seus próprios serviços.

Na área de educação, em especial no trabalho de um designer instrucional, isso é muito importante. Quando um designer precisa montar um curso, seja o projeto pedagógico ou o material de apoio, sempre fica aquela dúvida sobre o quanto o material atende a demanda da instituição. Por isso, que conhecer o que as outras instituições fazem e oferecem é importante, despertar o senso crítico para perceber o que pode ser melhorado.

Para os alunos isso é muito bom, pois como consumidores de serviços educacionais, eles acabam sempre tendo projetos renovados e materiais educacionais cada vez mais aprimorados.

Teaching my first college class

Já que isso é importante, sempre aconselho as pessoas que pretendem trabalhar com design instrucional para fazer cursos em todas as áreas, se for gratuito melhor ainda. Até mesmo em instituições de ensino concorrentes.

Claro que isso tem custo, não são todas as instituições que têm condições financeiras de bancar um curso para uma pessoa, apenas para que ela conheça a metodologia de ensino. Para a maioria das pessoas e designers instrucionais, a melhor opção ainda é visitar cursos gratuitos.

Um dos melhores recursos, em relação a cursos gratuitos, que conheço é o Open Courseware do MIT. Esse é um sistema organizado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), que oferece conteúdo e cursos abertos na web.

A lista de cursos é enorme, veja alguns dos assuntos disponíveis:

  • Disciplinas para cursos de saúde
    • Medicina
    • Odontologia
    • Nutrição
    • Veterinária
  • Disciplinas para cursos de tecnologia e ciências humanas
    • Ecologia e sistemas sustentáveis
    • Artes
    • Comunicação visual
  • Ferramentas para ensino

Como você pode perceber pela lista de cursos envolvidos, o material é muito abrangente. Acretido que um designer instrucional, pode ficar dias, só consultado os materiais disponíveis nos cursos, que são todos projetados para funcionar de forma assíncrona. Tudo baseado em auto-estudo.

Cada curso apresenta slides em PowerPoint, textos ou vídeos. O material tem diferentes níveis de qualidade, desde o mais simples até o mais sofisticado. Fiquei curioso para consultar o material sobre cursos de medicina e odontologia, que dificilmente recebem esse tipo de tratamento, baseado em tecnologia aqui no Brasil.

Na verdade é apenas uma questão de cultura, será que um estudante de medicina não poderia se beneficiar de animações 3d e material multimídia, como esse coração virtual?

É só questão de cultura.

Fica a dica para consultar o material no OpenCourseWare.

Uma imagem vale mais que mil palavras em educação também!

Qual a melhor maneira de elaborar material educacional? O designer instrucional deve mostrar aos alunos, mais material textual ou visual? Uma coisa é certa na nossa sociedade, as pessoas preferem muito mais o material visual, pela sua fácil interpretação e pouca demanda de raciocínio. O mercado publicitário sabe usar isso muito bem, muito dificilmente veremos algum tipo de anuncio publicitário de massa, envolvendo apenas material textual. Apesar da missão dos educadores, seja a de incentivar o hábito da leitura nos alunos, quem trabalha com ambientes eletrônicos de aprendizagem, encontra mais um desafio.

O uso intenso de material textual, força o aluno a ler o material, mas por outro lado é péssimo para leitura em ambientes eletrônicos. O uso de material audiovisual rico é bom para o lado do aprendizado, mas contribui para a degradação do hábito da leitura. Como resolver isso?

Reading Skills in the Computer Lab

Como de costume, a melhor opção aqui é usar o bom senso. Uma mescla das duas metodologias é a melhor opção. Essa semana mesmo tive a oportunidade de receber aqui na faculdade um material para consulta de uma empresa especializada em produzir, material para ambientes EAD. Todo o material era baseado apenas em texto!

Sim, imagine um material educacional que usa um meio altamente multimídia como a internet, mas baseado apenas em texto! Nenhuma imagem ou vídeo é usado. A taxa de evasão em cursos EAD é muito alta, esse tipo de material só contribui para que esses índices aumentem ainda mais. Quando um aluno procura um curso EAD, ele quer acima de tudo, material de consulta e auto-estudo que possa ser de fácil entendimento e que permita rápida assimilação.

O uso do computador como ferramenta de aprendizagem justifica o uso de muito mais material visual. Na sala de aula presencial isso é limitado, para que fosse possível usar essa estrutura, cada aluno precisaria de um notebook ou PC sobre a sua mesa, mas sabemos que no Brasil isso é inviável para a maioria.

Hoje não deixo nenhuma dica, sobre a produção desse tipo de material, mas é sempre importante lembrar que ao produzir conteúdo para aulas na internet, faça valer o poder do ambiente utilizado. Se o objetivo é usar mesmo o computador, aproveite um mínimo que ele tem a oferecer! Adicione imagens e vídeo ao texto, pode ser até do Youtube mesmo!