O problema dos conteúdos para educação a distância

Parece que o problema da seleção de conteúdos para ambientes de educação a distância, é vivenciado por pessoas dos mais diferentes contextos e sociedades. Essa semana estava lendo alguns artigos relacionados com cursos a distância e encontrei um artigo, sobre a condenação de uma universidade americana, pelo uso indevido de conteúdo protegido por direitos autorais em ambientes de educação a distância. Isso é muito grave! Uma instituição que deveria educar acaba passando a impressão de quebrar a lei. O link para o artigo original é esse, acesse e confira na integra a matéria sobre o caso.

Erickson's Law Courts

Isso é culpa da instituição? Em parte sim, mas pelo que fica claro no texto, o delito foi cometido por funcionários da instituição que se apropriaram de material protegido por direitos autorais e distribuíram para os alunos.

Quando uma instituição começa a oferecer cursos a distância, eles percebem que precisam de textos e materiais para leitura. Lembre que educação a distância é sinônimo de auto-estudo! Portanto é necessária grande quantidade de material de apoio para os alunos, caso contrário a iniciativa pode fracassar. Algumas instituições de ensino ainda são relutantes em investir pesado no material de apoio, dizendo literalmente para que os seus professores tenham que “se virar” para conseguir material.

Acredito que esse tenha sido o caso na instituição.

Como resolver esse problema? Existem várias alternativas algumas delas não são bem vistas pelos professores, mas ajudam. Algumas empresas comercializam material pronto, para ambientes de EAD. Esse conteúdo pode até ser bom, mas usar material padronizado para aulas em instituições de ensino é péssimo para a metodologia e estima dos professores.

Todos os colegas professores com que já conversei sobre o uso desse tipo de material, me passaram o mesmo tipo de depoimento. Eles simplesmente detestaram o material e a seqüência de aprendizado.

Qual a melhor alternativa? Em minha opinião a melhor, seria o investimento na produção do material de apoio pelo corpo docente da instituição. Uma primeira análise pode mostrar que essa opção é custosa financeiramente, mas o retorno em termos de eficiência no aprendizado e satisfação dos professores é garantida!

Professores sabem escrever na internet?

Sei que a pergunta é polêmica, mas você já se perguntou se professores sabem escrever para ambientes eletrônicos? Mais especificamente a internet? Caso você nunca tenha parado para pensar nisso, existem sim diferenças estruturais no texto que é publicado em um livro, revista e em ambientes eletrônicos. Qual a diferença? Quando escrevemos para uma revista ou livro, precisamos construir o texto como um todo, não há a possibilidade de fazer referências externas sem que o leitor tenha que interromper a leitura e voltar em outro momento para continuar a ler.

On the platform, reading

Não entendeu? Permita-me exemplificar. Veja esses dois parágrafos:

A metodologia de ensino por PBL, que significa Problem Based Learning (Aprendizagem baseada na resolução de problemas), é fundamentada no ensino por meio de resolução de problemas. Os alunos encontram cenários reais, com problemas contextualizados e preparados para potencializar o aprendizado de temas reais. Nesse caso os alunos podem colocar em prática técnicas investigativas e discutir as soluções dos problemas de maneira colaborativa.

Agora a maneira de escrever o mesmo parágrafo, usando a linguagem da internet:

A metodologia de ensino por PBL consegue apresentar aos alunos a possibilidade de aprender resolvendo problemas reais. Todo o aprendizado é fundamentado na apresentação de cenários, e na resolução de problemas contextualizados.

Qual a diferença entre os dois textos? Os hyperlinks no segundo parágrafo se enquadram perfeitamente nos ambientes interativos. Um professor pode deixar de explicar um assunto no texto, fazendo referência a outro texto que explica o conteúdo. Quem não está ambientado com esse tipo de prática na construção de textos para internet, pode passar por algumas dificuldades na hora de elaborar aulas ou material didático, para meios interativos.

Seja um DVD ou uma página web, saber construir esse tipo de texto é fundamental. Já pensou um WebQuest ou orientação de aula, que não faça uso intensivo de links e recursos existentes na internet? Qualquer aula ou treinamento que faça uso de recursos eletrônicos iria demandar de muita produção de conteúdo. Se o professor ou instrutor, conhecer as ferramentas da internet e a riqueza dos hyperlinks, ele pode construir uma aula completa, apenas fazendo indicação de leitura.

Isso não é errado! Já pensou um professor criar uma aula, sem recomendar para seus alunos alguma leitura obrigatória, em livros ou revistas?

Qual a moral dessa história? Quem conhece bons textos e referências na internet, pode elaborar conteúdo para cursos a distância de maneira mais rápida. Claro que isso é válido, quando não há a necessidade do material ser original. Nesse caso, os cursos semipresenciais podem fazer melhor uso dessa metodologia, os cursos totalmente a distância.

O que levou a escrever esse artigo foi à abordagem do papa da usabilidade Jacob Nielsen, que aborda o tema nesse artigo. Ele não fala especificamente sobre educação, mas o contexto se encaixa perfeitamente!

Fica a dica, selecione seus links!

Desafios para criar uma apresentação instrucional no PowerPoint

Dentre todos os tipos de apresentações em PowerPoint ou Impress, as que têm como objetivo servir como materiais educacionais são as mais complexas de produzir. Tudo devido ao fato desse material acabar indo de encontro a algumas regras comuns de qualidade em apresentações. Tudo o problema é que esse material geralmente tem dois objetivos, que é o de servir como apoio para aula, e depois ainda os alunos ainda podem usar o material para estudar e relembrar os conteúdos. Esse é um grande desafio para qualquer designer instrucional e ainda mais para professores sem experiência no design de informações.

Apresentação PowerPoint - UA Online, Ambev

Vejamos os motivos que fazem esse tipo de apresentação ser tão difícil de executar, lembrando o que faz uma apresentação em PowerPoint ser considerada boa:

  • Slides com pouco texto
  • Textos existentes nos slides com fontes de tamanho generoso
  • Apresentação oral objetiva
  • Linguagem visual que esteja de acordo com o tema e público alvo da aula

Esses não são os únicos fatores, mas com certeza podem determinar o sucesso de uma apresentação. Agora os desafios que um designer instrucional precisa vencer para elaborar esse tipo de material:

  • Pouco texto nos slides implica em informações resumidas. Isso impossibilita o uso dos slides como ferramenta de apoio para os alunos.
  • Quando aumentamos o tamanho da fonte, inevitavelmente a quantidade de informações disponíveis nos slides diminui. Com isso recaímos no mesmo problema citado no tópico anterior.
  • A apresentação oral é o foco de tudo! Com uma grande quantidade de informações no slide o apresentador fica tentado a ler os conteúdos, o que confere descrédito para a apresentação.
  • Todos os problemas relacionados à inserção de conteúdos deixam o processo de design dos slides ainda mais difícil.

Como resolver esses problemas? A solução não é nada simples, mas passa pelo planejamento de materiais auxiliares, diferentes dos slides para que os alunos possam consultar depois. Alguns professores e designer instrucionais investem no uso das notas de apresentação, que podem ser inseridas de maneira automática para cada slide. Mas, esse tipo de texto não permite o uso de imagens auxiliares ou formatações complexas, deixando o material mais pobre.

Como você faz? Eu geralmente preparo a minha aula em dois formatos, um para a apresentação e outro para o apoio dos alunos depois das aulas.

Importância do Ambiente pessoal de aprendizagem para o EAD

Qual o grande problema na elaboração de qualquer iniciativa de educação a distância, sob a ótica dos professores? Na verdade são dois os problemas para os docentes envolvidos com EAD, que são respectivamente a metodologia e a produção de material. O primeiro problema pode ser resolvido com cursos e treinamentos, mas o segundo só com muito trabalho e pesquisa. Esse é o gargalo de várias instituições que usam EAD, a produção de material. Quando o prazo está quase se esgotando, a única solução é recorrer às empresas que produzem conteúdo para EAD.

Essa é uma solução que desagrada à maioria dos professores. Os docentes gostam de colocar um toque pessoal nas suas aulas, coisa que é impraticável com esses pacotes de conteúdo pronto. Como resolver esse tipo de coisa? Um ambiente pessoal de aprendizagem pode ajudar a solucionar esses problemas.

Studying (cram time)

Antes de mais nada, o que é um ambiente pessoal de aprendizagem? Ele é um conjunto de ferramentas e recursos da internet, como Blogs, Fóruns, Wikis, redes sociais e outros sistemas que permitem ao usuário ou professor acompanhar pequenas atualizações diárias sobre a sua área de interesse. Tudo isso gira em torno do RSS, que é a ferramenta principal de acompanhamento de notícias e atualizações desses recursos.

Por exemplo, um professor que ministra aulas sobre administração e negócios, deve pesquisar por blogs de pessoas que escrevam artigos sobre seus respectivos assuntos, Wikis de empresas e principalmente ficar atento nos favoritos salvos em redes sociais como o del.icio.us. Com o tempo, esse mesmo professor pode ir armazenando links e artigos para usar nas suas aulas. O segredo e poder do ambiente pessoal de aprendizagem está no longo prazo.

Quando esse mesmo professor precisar montar uma aula a distância, usando apenas recursos existentes na internet, ele tem uma gama de links e artigos suficientes para compor as suas aulas. O seu único trabalho será elaborar os textos de orientação para seus alunos.

Todo professor que trabalha com sistemas informatizados de ensino, deveria se preocupar o quanto antes em montar o seu ambiente pessoal de aprendizagem, para agregar o máximo de links e recursos possível para as suas aulas. Os benefícios para a pesquisa científica também são evidentes, com mais opções para referenciar textos e artigos.

Como diz Friedman, no seu livro O Mundo é Plano, estamos hoje na era da globalização em que o indivíduo é a peça chave. Use a colaboração online a seu favor na educação, assim você estará ao mesmo tempo facilitando a sua vida e formando os seus alunos em um ambiente totalmente embasado em tecnologia.

Apresentação sobre objetos de aprendizagem

Se você trabalha com educação, deve ter escutado ou lido sobre os famosos objetos de aprendizagem em algum lugar. Caso você não saiba sobre o que se trata, posso dizer com segurança que esse é um dos principais objetivos de qualquer pessoa que trabalhe com design instrucional. Em tempos de corte de cursos e retorno máximo sobre o investimento, a possibilidade de criar objetos que possam ser reaproveitados é tentadora, para a maioria das instituições de ensino e profissionais que trabalham com educação a distância. Infelizmente o conceito ainda é pouco explorado, sendo que professores e até gestores, de instituições de ensino ainda desconhecem o conceito.

Se você está na mesma situação, existe uma ótima apresentação em vídeo que fala sobre a essência dos objetos de aprendizagem. Para assistir a essa apresentação, visite esse link. O material está narrado em inglês, mas é de fácil entendimento.

O vídeo mostra o que são os objetos de aprendizagem e faz uma separação muito apropriada no início, eles separam imediatamente o que é objeto de aprendizagem de um material de consulta.

Outro ponto importante, eles listam as principais características de um objeto de aprendizagem que são:

  • Possibilidade de ser reutilizado: Essa é a chave para o sucesso! Já pensou montar um curso, só com objetos de aprendizagem? Seria como criar um quebra-cabeça com peças de lego, que podem criar várias formas, sendo que é possível aproveitar as peças menores em qualquer um dos formatos.
  • Funcionar como um objeto de aprendizagem independente: Um objeto de aprendizagem pode funcionar em conjunto com outros objetos ou de forma isolada.

O que pode ser considerado um objeto de aprendizagem? Na verdade qualquer coisa pode ser transformada em objeto de aprendizagem, desde um simples texto até vídeos e infográficos interativos. Tudo depende da pessoa que está elaborando e cuidando do projeto.

Pode parecer até algo confuso, pelo uso da palavra objeto pensamos que esse tipo de recurso é algo tangível, quando na verdade é um conceito abstrato. Tente perguntar a um professor ou aluno se ele já viu um objeto de aprendizagem? A variedade de interpretações será enorme!

Espero que com esse vídeo, o conceito tenha ficado mais claro. Qualquer pessoa que queira trabalhar de maneira séria com educação a distância ou treinamentos, de maneira eficiente tanto pedagogicamente e economicamente deve dominar o conceito de objetos de aprendizagem.

Agora, se prepare para organizar um inventário de objetos. Depois que começamos a trabalhar com esse tipo de recurso, temos uma infinidade de pequenas partes de treinamentos e aulas, para montar cursos novos.

É como ter vários capítulos de livros, que por si só funcionam de maneira independente. Esses mesmos capítulos podem ser combinados, para formar novos livros. Interessante não é?