Dicas de design instrucional: Como melhor usar gráficos e imagens?

Nesse semestre estou lecionando uma disciplina que aborda o uso e criação de conteúdo multimídia, que apesar de não ser diretamente relacionado com ambientes educacionais, pode interessar em muito um designer instrucional. Dentre os diversos temas que abordo na disciplina, tirando a parte técnica e relacionada com tecnologia, sobra muito conteúdo ligado a percepção humana dos aspectos visuais da comunicação. Por exemplo, quais os melhores tipos de imagem e gráficos para ilustrar um aplicativo multimídia? Esse tipo de decisão é geralmente tomada com base apenas em aspectos estéticos, mas existe toda uma série de estudos e considerações que devem ser tomadas, antes de realizar a escolha.

A área da ciência que estuda esse tipo de conteúdo se chama cognição, que está diretamente ligada a psicologia. Mesmo não sendo a minha especialidade, depois de muita leitura e pesquisa consegui delimitar um paralelo entre as diversas tipologias de imagens e gráficos, com as suas respectivas aplicações em material educacional.

Multitouch Project - Final

Antes de falar sobre as aplicações, vamos conhecer a organização dos diferentes tipos de imagens e gráficos:

  • Gráficos Decorativos: Tipo de gráfico que adiciona apelo estético em qualquer tipo de interface direcionada para educação ou apresentações comerciais. Esse é o tipo de imagem mais usada, caso fôssemos fazer uma média de utilização dos diversos tipos de gráficos.
  • Gráficos Representativos: Essa imagem tem como função apresentar a forma ou visual de um objeto ou cenário existente. Por exemplo, na apresentação de uma aula de geografia é interessante falar sobre cidades e países, exibindo fotografias desses lugares.
  • Gráficos Organizacionais: Tipo de imagem que apresenta as relações qualitativas entre diferentes conteúdos. Por exemplo, o uso de organogramas para explicar o relacionamento entre as pessoas dentro de empresas.
  • Gráficos Interpretativos: Os gráficos interpretativos mostram de maneira visual fatos ou objetos que não são tangíveis para nós. Por exemplo, a representação de uma estrutura molecular ou as ligações nos átomos de carbono em uma estrutura orgânica. Nessa ocasião é interessante associar as explicações, uma ilustração que mostre visualmente o funcionamento da estrutura.
  • Gráficos Relacionais: Aqui temos um tipo de gráfico que relaciona informações ou dados de maneira visual. Um bom exemplo disso são os infográficos.
  • Gráficos de Transição: Qualquer tipo de gráfico que demonstre movimento ou transformação. Por exemplo, animações ou histórias em quadrinhos.

De maneira geral, podemos classificar a grande maioria das imagens que usamos nessas categorias. No próximo artigo, falo sobre as diferentes situações ou conteúdos que melhor utilizam cada um desses tipos de gráficos.

Dicas de design instrucional: Como revisar uma disciplina?

O trabalho de um designer instrucional é relacionado com o desenvolvimento e planejamento de conteúdos educacionais e programas de curso, mas ainda existe uma outra função para qual o designer instrucional é lembrado pelas instituições de ensino, quando alguma coisa não está correta nos seus cursos; a reformulação de um curso. O processo de revisão de um curso é fundamental para garantir que os objetivos educacionais sempre estejam sendo atingidos com o máximo de ênfase. Mesmo os cursos e materiais preparados com cuidado, precisam de revisão constante do conteúdo. Como estou encarregado de realizar algumas dessas revisões nesse semestre, resolvi escrever um pequeno guia com algumas dicas sobre o processo de revisão, que envolve muita pesquisa e análise.

Quando o material e roteiros de aula já estão prontos, a parte mais complicada desse tipo de projeto já está parcialmente concluída, que é a pesquisa e determinação de uma seqüência de ensino. Sem o conteúdo pronto, o designer instrucional precisaria fazer entrevistas e trabalhar com profissionais da área com domínio do conteúdo para projetar o curso.

Day 19/365

Então, vamos aos passos necessários para fazer uma boa revisão do conteúdo, considerando que o curso é baseado em leitura de textos, o que pode ser feito presencialmente ou a distância:

  1. Localize os objetivos do curso: O que os alunos que concluem o curso precisam saber ou fazer? Caso isso não esteja escrito em nenhum local, procure identificar pelos objetivos principais. Uma boa maneira de relacionar esse tipo de conteúdo é fazendo uma lista com bullets mesmo. Exemplos:

    • Conhecer os requisitos necessários para fazer uma boa apresentação
    • Funcionamento de um software para apresentações
    • Localizar e editar imagens para inserção em slides
    • Produzir um roteiro ou storyboard para apresentação
  2. Analise o plano de ensino e a seqüência de conteúdos abordados: A linha de raciocínio do curso é explicada em algum local? Qual sua justificativa? Caso essa linha não esteja clara para você, também não vai estar para os alunos.
  3. Qual o objetivo específico de cada texto ou material didático no curso? Assim como o curso de maneira geral, cada material usado no desenvolvimento do conteúdo deve apresentar, mesmo que apenas para os gestores do curso os objetivos específicos do conteúdo. Como esse texto ajuda no desenvolvimento dos objetivos gerais?
  4. Como os conteúdos estão relacionados? Uma boa disciplina baseada em texto, sempre apresenta relações e citações de material já utilizado. Por exemplo, um texto que aborde as conseqüências da globalização para mercados emergentes, deve explicar de maneira breve o significado da palavra globalização, ou citar o título do material em que isso foi abordado no curso.
  5. Os textos estão escritos em primeira pessoa? Por incrível que pareça, os alunos preferem textos escritos na primeira pessoa. Isso lembra muito a presença e a palavra de um professor, que está guiando e indicando os conteúdos. Os materiais escritos de maneira impessoal, acabam despertando pouco interesse nos alunos.
  6. Os exercícios estão relacionados com o conteúdo? Uma ótima maneira de relacionar as perguntas propostas em um curso, é relacionar o resultado com os objetivos gerais do mesmo. Por exemplo, ao elaborar ou revisar uma pergunta, compare o enunciado com os objetivos listados na descrição desse curso. Como eles se relacionam? Existe coerência? caso contrário, essa pergunta não deveria estar na lista de exercícios, mas sim como atividades extras que demandam estudo complementar.

Bem, seria leviano dizer que isso é tudo o que é necessário para revisar de maneira satisfatória uma disciplina ou conteúdo educacional. Mas, é um ótimo começo para quem precisa realizar essa tarefa importante para melhorar seus cursos e conteúdos. Sem esse procedimento, o ciclo de desenvolvimento dos modelos para design instrucional acabam não acontecendo.

Um ponto importante, que serve como reflexão é que a maioria dos assuntos e pontos críticos da revisão estão diretamente relacionados com os objetivos da disciplina/curso.

Dicas PowerPoint: Como reformular slides para melhorar apresentações?

Hoje a maioria das instituições de ensino retorna às suas atividades acadêmicas, e os professores têm a missão de voltar para as salas de aula e iniciar mais um semestre. Mesmo sendo um pouco tarde, ainda é tempo de promover uma reformulação nas suas apresentações em PowerPoint, minimizando os problemas de design que tanto atrapalham as apresentações. A maioria de nós usa o PowerPoint como apoio para expor idéias e conteúdos, mas acaba pecando um pouco na organização visual desse material. Um desses problemas visuais é o excesso de informações, com vários tópicos sendo exibidos no mesmo slide, sem nenhum tipo de imagem para ilustrar as idéias expostas na apresentação.

Como fazer para melhorar o visual desse tipo de slide, em que as apresentações já estão prontas?

Caso você queira melhorar suas apresentações já elaboradas, o vídeo abaixo mostra o procedimento necessário para transformar slides totalmente baseados em texto, e transformar o material em slides mais leves e com apoio de imagens para ilustrar as idéias apresentadas.

Antes de começar a alterar os slides, selecione as imagens apropriadas a cada idéia dos tópicos.

O processo de edição é relativamente simples, mas no final vai acabar resultando em grande quantidade de slides, pois o material será dividido em várias partes menores. Faça os ajustes na fonte do texto, para deixar as linhas do título mais visível, como mostra o vídeo, depois faça várias cópias do conteúdo e espalhe por vários slides.

O segredo é ir excluindo os tópicos extras de cada slide, para concentrar idéias relacionadas entre si no mesmo slide. A segmentação de idéias nunca é uma boa estratégia, pois faz a audiência perder o foco no assunto abordado. Com o texto bem posicionado, o próximo passo é organizar as figuras nos slides. Uma boa técnica para posicionar as imagens nos slides é alterar a sua escala, para que a imagem fique ocupando o espaço total disponível.

Assim o apresentador pode associar de maneira clara o conteúdo do texto, com as imagens e fotografias relacionadas ao conteúdo.

No final do exercício, podemos perceber como uma simples mudança como essa, de organizar os textos condensados em vários tópicos em apenas um slide, em vários slides com tópicos únicos e bem ilustrados, pode fazer a diferença e produzir uma melhor interface entre o palestrante e a exposição das suas idéias.

Caso você não tenha tido tempo de reorganizar as suas apresentações para esse novo semestre, tente realizar ao menos essas pequenas mudanças! Posso garantir que o resultado será positivo, para a exposição das suas idéias e consequentemente no total entendimento e motivação da sua audiência. Para quem já tem apresentações prontas, as dicas do vídeo são valiosas! E os que ainda estão preparando material, podem se basear nessas dicas de design, para criar slides que já usem essa organização.

Qual a influência do storyboard no desenvolvimento de material educacional?

Uma das primeiras coisas que aprendemos quando começamos a trabalhar com design instrucional; é que a parte de criação de conteúdos é o processo mais trabalhoso e dispendioso na elaboração de qualquer curso. Isso pode ser dito em qualquer escala e escopo de curso, mas em atividades como cursos a distância, o processo pode assumir proporções bem maiores, e se tornar um entrave para o desenvolvimento de novos materiais e até mesmo novos cursos, já que nessa modalidade o curso está diretamente relacionado à qualidade do material de apoio.

Sempre que converso com alguém que está interessado em começar a desenvolver materiais educacionais, essa pessoa me pergunta se existe alguma técnica ou estratégia para acelerar o processo. Será que existe mesmo? Depois de muito tempo pesquisando e participando da criação de materiais educacionais, inclusive nos meus dois últimos livros que escrevi, descobri uma maneira até muito bem fundamentada de acelerar o processo.

A solução é; sempre comece pelas imagens!

Sim! A resposta pode até mesmo parecer simples, mas o uso dessa metodologia pode acelerar em muito o processo de criação. Basta parar um pouco para pensar, que estamos condicionados a trabalhar primeiro com a parte textual dos conteúdos, explicando tudo em palavras, fazendo listas e tudo mais, para depois encontrar imagens que possam ilustrar esse material que já foi escrito. Mas, quanto tempo foi necessário para trabalhar esse material? 1 mês? 6 meses? Será que seria possível fazer o mesmo em 3 semanas?

Storyboard

Depois de apanhar algumas dificuldades com a elaboração de materiais educacionais, certa vez recebi um trabalho que era o de escrever a explicação para uma excelente apresentação em slides, que estava totalmente fundamentada em imagens. Apesar de ser composta por quase 40 slides, a apresentação me tomou apenas 1 semana para descrever o processo completo, inclusive a parte em que precisei estudar os infográficos e pesquisar muito na internet para descrever alguns processos.

Esse trabalho me chamou a atenção para o poder que as imagens têm sobre a explicação de um processo, seja ele qual for. Por isso, hoje sempre seleciono as imagens e os gráficos que usarei em trabalhos, mesmo que sejam textuais, e em apresentações em PowerPoint nem se fala! As imagens já podem servir como ponto de partida para os slides.

Podemos até mesmo fazer uma analogia com a produção de filmes, em que antes mesmo de começar a fazer as filmagens, sempre é elaborado um storyboard com a seqüência completa de ação, para que seja possível entender completamente o que está acontecendo.

No nosso caso, a criação de material educacional pode ser fundamentada nas imagens e diagramas. Caso você não consiga explicar o procedimento, explique a seqüência de imagens! Assim as suas idéias nunca ficam desviadas do assunto principal do texto ou apresentação.

Como integrar material produzido em Flash no Moodle?

Nos primeiros momentos em que uma instituição de ensino adota uma plataforma como o Moodle, para ministrar aulas pela internet, encontra algumas barreiras em relação ao desenvolvimento de conteúdos. Já participei de um projeto, em que os designers da instituição tinham um módulo interativo publicado na internet, totalmente desenvolvido em Flash, mas que não registrava nenhum tipo de informação relativa a participação do aluno. Quando o Moodle foi adotado como ferramenta LMS para as aulas, surgiu a seguinte dúvida; é possível enviar informações do Flash para o Moodle, para que as atividades dos alunos sejam projetadas como aplicativos multimídia?

Hoje em dia, praticamente todos os infográficos interativos são produzidos usando a tecnologia do Flash. Se esse tipo de material não estiver integrado ao sistema de ensino, o material irá funcionar apenas como uma ilustração, sem desafiar o aluno a usar os conteúdos como forma efetiva de aprendizado.

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Imagine a seguinte situação, ao invés de criar um questionário com palavras ou imagens estáticas, um professor de biologia pode desenvolver um infográfico interativo, que mostre diversas partes do corpo humano em imagens. Junto com as imagens, os alunos são estimulados a responder perguntas e identificar os nomes de ossos e músculos, com o uso do mouse.

E para melhorar ainda mais o desenvolvimento do material, o resultado da interação dos alunos com o infográfico, pode ser armazenado no sistema, como forma de avaliação. Como isso é possível?

Para realizar esse tipo de integração entre o Flash e o Moodle existe um módulo especial chamado Flash Activity no Moodle. O link leva até a página do módulo, que disponibiliza vários exemplos de como é possível trabalhar com material educacional desenvolvido no Flash e armazenado como atividades do Moodle.

Se você é estudante ou trabalha com design instrucional, recomendo muito a consulta a esse módulo e caso você ainda não saiba, comece a estudar o quanto antes o Flash. Com ele é possível expandir em muito as possibilidades de criação de infográficos, com a vantagem de registrar o desempenho dos alunos no sistema e usar o material para avaliação.