Alguns erros comuns em projetos de cursos EAD

Os motivos que geralmente fazem um curso a distância fracassar, geralmente são parecidos em todos os casos, pois são fruto da falta de experiência ou planejamento da instituição de ensino ou do desiger instrucional. Um dos motivos mais comuns está relacionado com o baixo investimento em tutoria, e não estou falando de investimento financeiro, mas sim da baixa importancia que a tutoria tem nos cursos.

Como sempre é bom relembrar os principais motivos que fazem esses cursos fracassar, recomendo a leitura desse artigo listando esses motivos para a falta de sucesso dos cursos. O texto está em inglês, mas ainda assim quase todos os aspectos abordados no artigo se aplicam a realidade das nossas instituições de ensino e projetos de curso.

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Esse é um breve resumo do conteúdo apresentado no artigo, com alguns comentários.

  • Depois que o curso for lançado, ele não precisa mais de suporte: Muitas instituições de ensino acham que um curso pela internet, pode sobreviver sem nenhum tipo de manutenção, o que é um absurdo. O funcionamento desse tipo de iniciativa é semelhante aos cursos presenciais, eles precisam de acompanhamento constante.
  • Ignorar o público-alvo: No projeto do curso é necessário antes de qualquer planejamento, identificar e mensurar o público-alvo, para que as iniciativas e material didático possa ser planejado especificamente para essas pessoas.
  • Não se preocupe com o material didático: Os cursos EAD são basicamente fundamentados em auto-estudo. O que faz o material didático parte fundamental de qualquer iniciativa de aprendizagem pela internet. Deixar esse tipo de
  • Não escolher de maneira adequada o LMS: Essa é uma parte do planejamento em que muitas instituições de ensino acabam sacrificando um bom design instrucional, com a escolha de um LMS deficitário. Antes de fazer a escolha do sistema, faça pesquisas e procure se informar sobre a opinião do sistema escolhido para fazer comparações com a aplicação em outras instituições.
  • Não é necessário ensinar aos alunos como funciona o sistema LMS: Com o LMS definido é hora de ensinar aos alunos os procedimentos necessários para usar o sistema. Não assuma que a interface é intuitiva, ensine tudo que os alunos precisam aprender. O erro mais grave que um projeto pode cometer é assumir que os alunos já conhecem alguma coisa.

Para conferir mais alguns itens, com comentários mais abrangentes do tipo mito vs. realidade, visite o artigo original.

A lista mostra alguns problemas que podem ser facilmente evitados e contornados com simples planejamento. Por isso é que a equipe de design instrucional precisa planejar e simular os ambientes em que o curso deve ser oferecido. Se os alunos ou laboratórios da instuição de ensino, não oferecerem condições para material didático multimídia a solução é investir em texto.

Um bom LMS é fundamental também, mas é necessário planejar a oferta do curso e também o fechamento dele. É importante simular o fechamento das notas ou resultados, para verificar os relatórios emitidos por esse LMS, para evitar problemas e atrasos na emissão das notas.

Qual o fator mais importante? Bem, acredito que falta de orientação para os alunos é a pior de todas. Se as pessoas não conseguem usar o seu sistema LMS, para localizar os conteúdos e recursos do curso não é possível nem dizer que o projeto falhou, pois ele sequer começou. Antes de qualquer coisa é necessário presumir que os alunos não sabem absolutamente nada! Presumir que as pessoas já conhecem alguma coisa, significa começar errado.

Pré-requisitos para atividades e recursos no Moodle 2.0

Os cursos ministrados pela internet oferecem uma liberdade para os alunos que dificilmente, poderia ser igualada por cursos presenciais. Essa é uma vantagem indiscutível dos chamados cursos EAD. Mas, apesar do avanço em termos de controle sobre o aprendizado, é necessária disciplina para aproveitar essa liberdade. Se você ministra, ou já ministrou aulas, sabe que para a maioria dos alunos esse tipo de contole não funciona. Muito pelo contrário, os alunos precisam da orientação de um professor ou tutor. Para comprovar isso, basta averiguar a quantidade de alunos que consegue aprender sozinho, apenas mediante leitura. O resultado será um número extremamente pequeno de pessoas que efetivamente consegue aprender sozinha.

Com o tempo isso tende a mudar.

Mesmo com esse cenário de dependência dos professores, as iniciativas de cursos pela internet ainda são válidas e funcionam como exercício para mudar esse quadro. Para ajudar no processo de aprendizagem inicial, um sistema que direcione os alunos pelas atividades de um curso é fundamental! A próxima versão do Moodle está para adicionar um fantástico sistema de pré-requisitos. Esse recurso já foi comentado aqui no blog, mas se você ainda não conhece o recurso, o vídeo abaixo mostra muito bem o seu funcionamento.

O Vídeo foi produzido por Julian Ridden, que mantém um sistema chamado Playpen em que é possível fazer testes com recursos ainda em desenvolvimento para o Moodle. No vídeo ele mostra o Activity Lock, que permite trabalhar com pré-requisitos nos cursos.

O funcionamento do chamado activity lock é simples, para cada recurso ou atividade adicionado ao curso, é possível determinar outros recursos ou atividades que tenham sido previamente consultados. Com isso, os alunos precisam obrigatoriamente seguir a ordem determinada pelo autor do curso.

Apesar de ajudar muito o trabalho de design instrucional, ainda não é a solução definitiva para a dependência dos alunos. O ideal mesmo é incentivar a leitura como forma de auto-aprendizagem.

Caso a sua instituição de ensino tenha um ambiente de testes para sistemas LMS, uma versão preliminae do Moodle 2.0 pode ser copiada aqui. Lembre que essa versão deve ser usada apenas para fins de avaliação e não deve ser usada como seu ambiente principal.

Como reverter uma disciplina no Moodle para seu estado inicial?

A vida de um professor sempre fica mais atribulada no final do semestre, principalmente quando estamos chegando ao final de mais um ano letivo. Os alunos estão querendo entrar de férias a qualquer custo, mesmo os que não obtiveram média suficiente para passar em uma determinada disciplina. Por isso, apesar de me dedicar ao design instrucional, a atividade de professor consome boa parte do meu tempo nesses final de semestre. Esse é um dos motivos pelos quais o blog está meio parado. Mas, hoje consegui uma pequena pausa nas correções para conferir alguns vídeos e notícias sobre o Moodle, e EAD pelo mundo.

Aqui no Brasil estamos no final do semestre, mas no hemisfério norte as coisas estão apenas se aproximando de uma pausa momentânea para as festas de natal e ano novo.

Um vídeo bem interessante para os usuários do Moodle, mostra o procedimento para retornar uma disciplina para o seu estado inicial. Sim, em algumas ocasiões em que você apenas gostaria de excluir os dados dos alunos, mas mantendo a estrutura básica da disciplina com os fóruns, chats e questionários de maneira como se eles nunca tivessem sido usados.

Antes de usar esse recurso, é de suma importância que você tenha certeza que não vai mais precisa das informações dos seus alunos, mantendo uma cópia de segurança para as emergências eventuais. O tutorial abaixo mostra de maneira segura, o local e opções disponíveis no Moodle para “resetar”, se você me permite o neologismo, uma disciplina para o seu estado inicial.

O procedimento é bem simples, e caso seja necessário o tutor ou professor pode escolher várias opções para manter material disponível. Por exemplo, o curso pode ter os dados dos alunos excluídos, mas as mensagens dos fóruns mais importantes podem ser mantidas. Assim como as tentativas dos questionários e trabalhos desenvolvidos em formato Wiki ou livros. A idéia é fazer um filtro, em que o tutor tem liberdade para escolher os itens que são mais importantes para a disciplina.

Nesse caso, como tudo deve começar novamente na disciplina o tutor precisa entrar nas configurações do curso e alterar dados relacionados com datas, como o início dos questionários e até mesmo a descrição do curso, em que as datas para inscrição possam ser usadas pelos alunos.

Essa é uma dica simples, mas que pode evitar o que acontece em muitos casos que é a instalação de um novo sistema, toda vez que um novo semestre está começando.

Tipos de atividades SCORM disponíveis no eXe

Hoje continuamos com a descrição dos tipos de atividades e recursos disponíveis para criar material no padrão SCORM, usando o eXe que já foi apresentado em dois artigos anteriores aqui do Blog. Para quem não lembra ou está chegando agora, o eXe é um software que permite a qualquer designer instrucional, sem custo algum, elaborar material educacional. Todo o material pode ser salvo no padrão SCORM, aceito pelos melhores e mais robustos sistemas LMS, como o Moodle e Sakai.

Bem, vamos conhecer a lista! Só para relembrar, o eXe permite que você crie documentos complexos com sistemas de navegação interna e que misturam vários elementos. Esses elementos são adicionados na parte esquerda do eXe, simplesmente com um duplo clique sobre os seus respectivos títulos.

A parte lateral do eXe é chamada de iDevice ou como os criadores da ferramenta chamam, em tradução livre, seria algo como recursos instrucionais.

Aqui está a lista:

  • Atividade: Aqui temos uma atividade textual, em que o aluno precisa realizar alguma tarefa fora do computador.
  • Estudo de caso: Mais uma atividade textual, mas com o foco na criação de estudos de caso. A parte interessante desse recurso é que já existem partes prontas, para inserir a história, atividade e o feedback no caso.
  • Atividade de preenchimento: Esse tipo de atividade apresenta para os alunos frases, em que algumas palavras estão faltando. Os alunos precisam então, preencher os espaços vazios.
  • Link para web site externo: Como o próprio nome diz esse tipo de recurso simplesmente aponta um web site de interesse para o curso ou disciplina.
  • Texto livre: Caso seja necessário adicionar um bloco grande de texto no conteúdo, a melhor opção dentro do eXe é essa.
  • Galeria de imagens: Quando os textos requerem várias imagens para ilustrar o assunto, o professor pode usar esse recurso para adicionar uma galeria de imagens.
  • Ampliação de imagens: Se o aluno precisar verificar detalhes nas imagens, esse tipo de recurso pode ajudar na ampliação de algumas imagens, quando for necessário.
  • Java Applet: Aqui temos um tipo de recurso mais técnico, que pode adicionar nos conteúdos um aplicativo desenvolvido em Java.
  • Pergunta de múltipla escolha: Esse tipo de questionário permite adicionar em qualquer parte do conteúdo, perguntas de múltipla escolha, com apenas uma resposta certa.
  • Pergunta de múltipla seleção: Mesmo tipo de atividade com várias opções, mas com a diferença que podem existir mais de uma resposta correta.
  • Objetivos educacionais: Se você quiser evidenciar para seus alunos os objetivos de cada módulo, esse recurso permite adicionar um texto com o título pronto, para objetivos educacionais.
  • Pré-requisitos: Aqui também temos outro item, com o título pronto sobre pré-requisitos para que um determinado aluno possa acessar os conteúdos.
  • Rss: Um dos recursos mais interessantes da ferramenta, adicionar um feed RSS de um jornal ou Blog, para passar informações atualizadas para seus alunos.
  • Atividade de leitura: Orientações para uma atividade de leitura, com a descrição dos objetivos e a tarefa a ser realizada depois da leitura.
  • Reflexão: Tipo de texto que apresenta uma pergunta e mostra um feedback para os alunos.
  • Questionário SCORM: Aqui temos uma das vantagens em usar conteúdo SCORM, pois o eXe permite adicionar um questionário que registra no LMS o resultado da atividade. Assim o professor ou tutor pode cobrar do aluno o conteúdo de uma avaliação.
  • Perguntas de verdadeiro ou falso: Questionário simples com perguntas de verdadeiro ou falso.
  • Artigo Wiki: Com esse recurso, o autor da disciplina pode capturar um texto em uma Wiki, e publicar no conteúdo da aula. O professor ou tutor precisa ser o dono do conteúdo usado, para que o recurso funcione.

Eu sei que é muita coisa, mas essa é a vantagem de usar o eXe como ferramenta de design instrucional, o professor ou tutor tem uma grande gama de opções para construir a sua aula.

Nos próximos artigos sobre o eXe, vamos criar uma aula simples e depois adicionar o conteúdo no Moodle, para verificar a maneira com que ele é exibido.

Como criar material educacional no padrão SCORM como eXe?

Assim que eu já havia prometido aqui no Blog, estou estudando a ferramenta eXe que foi listada como sendo um dos grandes destaques para a área de produção de conteúdo educacional. O eXe é o companheiro perfeito para professores e designers instrucionais que precisam elaborar materiais formatados no padrão SCORM. Com ele o professor pode planejar uma série de conteúdos, integrar mídias e até mesmo formatar avaliações sem a necessidade de uma sistema como Moodle. Depois que todos os conteúdos estão criados, o professor pode exportar o material como um arquivo zip, compactado com todo o seu conteúdo.
A melhor parte é a compatibilidade do padrão SCORM com vários sistemas educacionais diferentes. O mesmo conteúdo pode ser exportado para o Moodle, Blackboard ou Sakai. Tudo que o designer instrucional precisa é um sistema que aceite o padrão SCORM. Se o sistema da sua instituição de ensino não aceita esse padrão, esse pode ser um ótimo indicador da defasagem do sistema LMS.

Mas, como é que o eXe funciona?

A primeira coisa que você precisa fazer é instalar o software, depois de fazer o download na página oficial do projeto. Só para fins de constatação, o eXe é oriundo de uma universidade da Nova Zelândia.

A primeira coisa que você vai notar no software é que o seu funcionamento está integrado com um navegador web. No meu caso o Firefox, para isso ele simula um servidor web no seu computador local.

Portanto, ao criar conteúdos no sistema, você vai automaticamente estar formatando e visualizando suas aulas, no padrão em que o material será apresentado aos alunos.

Para que o entendimento dos conteúdos criados no eXe fique mais simples, vamos exemplificar o material como sendo um livro eletrônico que fica disponível o tempo todo na internet. O livro pode ser composto por vários tipos de materiais, que são adicionados ao pressionar os itens indicados no menu da esquerda.

Você pode usar várias opções para montar as suas aulas. Assim que uma nova opção é adicionada, será necessário incluir as informações de configuração dessa opção, como os textos no caso de um item do tipo “Free Text”.

No final da configuração, clique no pequeno ícone verde na parte inferior para confirmar, ou no vermelho para cancelar e excluir esse material.
Só para terminar essa nossa introdução a produção de material com o eXe, podemos dividir o nosso livro em várias páginas ou capítulos organizadas da maneira como você achar melhor. Na esquerda, logo acima das opções de materiais, podemos adicionar páginas e organizar os conteúdos.

Essa foi apenas uma visão geral de como funciona o eXe, nos próximos artigos sobre esse assunto, pretendo entrar em mais detalhes sobre os recursos interativos, disponíveis para designers instrucionais e professores, que precisam elaborar aulas pela internet.
Por enquanto, você já pode começar a se aventurar e tentar planejar as suas aulas, usando esse tipo de ferramenta.