Como fazer para que um curso a distância síncrono funcione?

Dentre os cursos a distância síncronos e assíncronos, o que mais se aproxima de uma experiência presencial é o do tipo síncrono. Nele os alunos têm interação ao vivo com um professor ou tutor, que tem apenas a distância e um meio eletrônico de interação como a internet para manter contato. Muita gente acha que essa e a melhor solução para cursos a distância, mas na verdade ela é a mais perigosa e que demanda grande esforço do designer instrucional, para manter a motivação e atenção dos alunos. Posso dizer isso por experiência, pois já ministrei cursos nesse formato.

O problema é que com a disponibilidade de um computador, com internet os alunos tentem a reagir de maneira singular às aulas que se assemelham aquele velho formato de monólogo. Como eles reagem? Simplesmente tentem a direcionar a atenção para outra coisa. Por exemplo, imagine a seguinte situação, a aula é ministrada usando slides em PowerPoint e a narração de um professor. Para uma aula de 40 minutos, depois dos 5 primeiros minutos os alunos percebem que basta escutar a narração, os slides são explicados pelo professor, então não é necessário visualizar o material.

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O que acontece é que a maioria deles acaba fazendo outras coisas enquanto escuta a aula, como checar e-mail ou fazer pesquisas na internet. O perigo é que isso acaba em algum momento tirando a atenção do assunto da aula e o resultado é a ineficiência. Assim os objetivos daquela aula nunca são alcançados.

Qual a solução? Simples! Dosar uma quantidade razoável de pequenas atividades de maneira freqüente. Sempre que um conceito for ensinado, disponibilize para os alunos um pequeno questionário com 4 ou 6 perguntas para que eles possam responder. Assim eles percebem que é preciso prestar atenção para responder.

Isso pode ser providenciado de maneira simples, mesmo que o sistema usado para ministrar as aulas não possua uma opção para isso, use ferramentas gratuitas como o Zoho Challenge, que permite a criação e compartilhamento de questionários de múltipla escolha. Nele é possível acompanhar e analisar os resultados das perguntas.

Se o seu assunto não permitir perguntas diretas, faça perguntas de interpretação ou se o aluno concorda ou não com um determinado conceito. Dependendo das respostas, isso pode ser motivo para a criação de um chat ou fórum com o professor depois da aula.

Use esse tipo de recurso para melhorar o desempenho das suas aulas síncronas. Por isso, acho que o modelo de aulas a distância pela TV não é eficiente, a não ser que os alunos possam fazer essas pequenas interações com o professor para manter o interesse sempre em alta.

Aulas pela TV ajudam nos cursos a distância?

Com o advento dos cursos a distância, algumas instituições de ensino fazem marketing nos seus cursos com base nas chamadas aulas via satélite. A pergunta que sempre me fazem, seja via e-mail ou presencialmente é se esse método de ensino funciona? Na verdade, as aulas via satélite precisam ser encaradas como um evento social e não de aprendizagem. Antes de discutir o mérito dessas aulas, precisamos entender que a educação a distância tem sua base fundamentada no auto-estudo. Sendo assim, os eventos que tentam simular aulas presenciais, apenas tentam substituir uma deficiência da metodologia.

Antena

Claro que como qualquer tipo de iniciativa, essas aulas na TV apresentam vantagens e desvantagens. Podemos listar algumas das vantagens:

  • Socialização: Os alunos dos cursos a distância têm a chance de se conhecer e interagir presencialmente nos dias das aulas. Isso seria difícil nos ambientes de auto-estudo.
  • Compromisso: O compromisso semanal de assistir aulas presencialmente motiva o aluno a continuar no curso. Sem isso, depois de certo tempo as aulas podem ser passadas para segundo planos nas suas prioridades.

Agora vamos às desvantagens:

  • Aprendizagem: Essas aulas servem apenas como motivação para os estudos, durante as suas 2 ou 3 horas de duração, dificilmente um aluno consegue assimilar grande quantidade de conteúdos.
  • Custo: Geralmente o uso dessa tecnologia para aulas eleva em muito o custo final dos cursos oferecidos. Mas, com grande quantidade de alunos as instituições de ensino conseguem diluir isso entre alguns milhares de alunos.

Qual a conclusão desse tipo de artigo?

Na verdade, eu quis falar sobre a dinâmica de funcionamento do curso e reforçar a idéia do auto-estudo. Se você está para escolher um curso a distância, escolha ele com base no material de apoio. Nunca use apenas a propaganda das aulas na TV como base. É no sistema LMS, material para leitura e dinâmica de exercícios que um curso a distância pode oferecer um diferencial.

Antes de se inscrever, solicite algum tipo de material de demonstração para que seja possível avaliar o nível dos livros e apostilas utilizados. Esse tipo de pesquisa pode salvar você de uma decepção com o curso.

Controle e gerenciamento de objetos de aprendizagem

Como você organiza os seus objetos de aprendizagem? Qualquer pessoa que trabalhe em ambientes de educação, principalmente a distância, mais cedo ou mais tarde precisará trabalhar e produzir esses objetos, que em minha opinião constituem o futuro da segmentação de conteúdos em cursos. Você ainda não sabe o que é um objeto de aprendizagem? Ele é um conceito aplicado aos conteúdos ou recursos utilizados para ensinar um determinado assunto. A vantagem e principal característica desses objetos é que eles são reutilizáveis, isso torna possível que conteúdos ou recursos usados em disciplinas ou cursos diferentes sejam aproveitados mais de uma vez.

Ainda não ficou claro? Quando preciso explicar a natureza desse tipo de objeto para alguém, geralmente faço uma analogia com construções pré-moldadas. Você já deve ter visto aquelas construções que vêem prontas de fábrica, pois podemos comparar os blocos usados para a construção com os objetos de aprendizagem.

Objetos Aprendizagem - Blocos

Uma empresa cria um desses blocos pré-moldados consistindo de uma parede, com uma abertura de janela. Esse mesmo bloco, apesar de ser único, pode ser encaixado em qualquer construção que necessite de uma parede com uma abertura de janela. Mesmo que sejam completamente diferentes, como uma biblioteca e um prédio de apartamentos.

Esse é o principio usado nos objetos de aprendizagem, imagine um texto, animação ou infográfico que ensine matemática, apenas operações financeiras. Se esse material for autônomo, podemos usar o mesmo material para cursos de economia, administração e contabilidade. Então, estaremos reutilizando um mesmo material para cursos com finalidades diferentes. Para cursos a distância, esse tipo de recurso é fundamental para reduzir custos de produção, que são um dos maiores impeditivos das iniciativas de EAD.

Tudo bem, agora você vai começar a pensar em objetos de aprendizagem para organizar as suas aulas e conteúdos. Mas lembre que com o tempo você vai acabar com uma quantidade imensa de objetos. Então teremos outro problema; como organizar e localizar esses objetos? Em uma situação ideal, você teria com o tempo uma quantidade tão grande de objetos, que novos cursos poderiam ser criados, com o reaproveitamento de objetos prontos. Já pensou elaborar um curso a distância, com custo zero de produção de material? É o sonho de qualquer instituição de ensino superior.

Para ajudar nessa tarefa, existe uma ferramenta chamada Flori, que ainda está em desenvolvimento, mas já ajuda na organização e cadastramento dos objetos de aprendizagem. Ela é de código aberto, sendo de uso gratuito.

Criar objetos de aprendizagem é uma cultura saudável, seja você gerente de cursos a distância ou professor. Imagine elaborar recursos que possam ser aplicados em diferentes disciplinas, sem a necessidade de adaptação?

Plano de aula: Quando é importante adicionar tempo?

Se você já foi professor ou trabalhou em alguma instituição de ensino, deve ter tido contato com esse documento chamado Plano de aula. Mas o que é ele? Na verdade, colocando em palavras mais simples; é uma versão mais organizada da ementa. Quando uma pessoa analisa a ementa de uma disciplina ou curso, pode analisar todos os conteúdos que devem ser abordados naquele curso. Mas e a seqüência? Como o professor irá desenvolver os conteúdos? As respostas para essas perguntas estão no plano de aula. Nele o professor pode organizar por aula, quais os assuntos abordados.

Relógio de areia

Até ai não tem problema algum. O que me chama a atenção em relação a esse documento é a quantidade de modelos e tipos que encontro na mais variadas instituições de ensino. Alguns professores usam um modelo resumido, com apenas a separação dos conteúdos. Outras instituições adotam um modelo mais detalhado, com referências até para recursos na internet, como links e documentos online.

Dentre essa variedade de modelos, qual o melhor?

Essa é uma pergunta difícil de responder, mas podemos listar alguns dos itens que não podem faltar em um bom plano de aula:

  • Separação das aulas
  • Tópicos abordados em cada aula
  • Recursos utilizados para ministrar cada aula
  • Caso seja necessária a leitura de algum material extraclasse, indique como os alunos podem conseguir esse material
  • Referências bibliográficas

Um item que não entra aparece com freqüência em um plano de aula é o tempo médio, gasto em cada tópico. Isso é fundamental para nortear a aula de um professor com menos experiência, ou que não tenha conhecimento dos detalhes de uma disciplina. Para quem já ministra a mesma aula, sobre o mesmo assunto há muito tempo, isso é desnecessário.

Mas, esse tipo de padronização pode ajudar muito os professores que não têm experiência com o tópico em sala de aula. Utilizar o tempo médio em cada tópico pode eliminar também a interpretação subjetiva do conteúdo. Quando um professor analisar um plano de ensino, criado por outra pessoa pode ter uma boa idéia da profundidade e complexidade da abordagem, caso o tempo médio necessário esteja claro.

Por exemplo, as abordagens são completamente diferentes, quando precisamos falar sobre “técnicas de ensino” em aulas de 15 ou 45 minutos. Você pode até achar que esse tipo de informação pode deixar a aula “engessada”, mas é fundamental para garantir um mínimo de padronização. Lembre que esse é o “tempo médio”, pode haver variações.

Quem trabalha com educação a distância sabe que esse tipo de recurso é fundamental para mensurar o tempo das aulas. Nessa modalidade, os planos de ensino são chamados também de roteiros de aula.

Tente implementar isso nos seus planos de ensino! No design instrucional esse é um recurso fundamental para garantir o tempo de um treinamento ou disciplina. Isso só ajuda na organização e manutenção da qualidade das suas aulas.

Como distribuir material para seus alunos com Wikis?

Quando estamos em sala de aula, não há dúvida que o contato com os alunos fica extremamente facilitado. Mas e quando deixamos a sala de aula? A maioria dos meus alunos me questiona e solicita material para estudar em casa ou mesmo referências para estudo. Mesmo que os seus alunos ou instituição, ainda não tenham investido em ferramentas de colaboração eletrônicas, você como professor pode começar a utilizar um serviço de Wikis gratuitas, como o premiado Wetpaint. Com ele, você poderá usar uma área de comunicação especial, para que seus alunos tenham recursos à disposição, mesmo quando não estejam em sala de aula.

Wikis

É mesmo vantajoso? Para que você tenha uma idéia do que é possível fazer com essa Wiki, compilei uma pequena lista com tarefas que ficam mais fáceis com as Wikis:

  • Compartilhar arquivos: Se você utiliza apresentações em Slides, uma Wiki pode hospedar de maneira fácil esses arquivos, até um limite de 2MB.
  • Indicar leitura: Caso você tenha uma série de links ou textos na web, que seus alunos possam ler para complementar o assunto dado em sala de aula, as Wikis permitem que você adicione os links. Assim ninguém pode dizer que anotou o endereço de maneira errada.
  • Indicar links para vídeos educacionais: Se é difícil usar multimídia na sua sala de aula, coloque os links na Wiki ou até mesmo incorpore esses vídeos as páginas. Assim os alunos podem aproveitar esses recursos mais dinâmicos de conteúdo.

Essas são apenas algumas das coisas que podemos fazer com Wikis, deixei até de fora as possibilidades de colaboração online. Por exemplo, com esse mesmo sistema é possível combinar com os alunos a produção de um trabalho de pesquisa, para que grupos de pessoas possam colaborativamente montar os textos. Isso é fácil de fazer com Wikis, sendo inclusive a razão da existência desse tipo de sistema.

Escrevi esse artigo como incentivo, para todos que queriam fugir do e-mail como forma de comunicação. A maioria dos alunos acaba criando e-mails compartilhados, em que a senha é de conhecimento de todos. Para trocar arquivos e links com os professores. Não vou dizer que o artifício não funciona, mas é arriscado. Em todo tipo de sociedade existem pessoas que gostam de atrapalhar os processos, ou não estão dispostas a participar de maneira construtiva com a colaboração. Então veremos alunos entrando no e-mail, para excluir os arquivos enviados pelo professor.

No e-mail é impossível controlar esse tipo de ação, mas na Wiki sim! Cada usuário tem uma senha única, se o sistema for aberto. Ou então o próprio professor pode assumir o controle único do sistema. De uma maneira ou de outra, com Wikis você como docente tem controle total sobre o conteúdo. Não é um Blog, mas sim um texto na Web estruturado.

Se você quiser usar as Wikis do Zoho Office, recomendo ler esse tutorial sobre como usar Wikis.