Dicas PowerPoint: Usando o design instrucional e multimídia

Sempre que tenho a oportunidade de encontrar um texto ou material fazendo referência a importância do design de slides e apresentações, acabo me surpreendendo e percebendo que os assuntos abordados aqui no blog e a prática do cotidiano estão direcionadas no caminho certo. No blog do slideshare.net foi publicado um artigo muito interessante que aborda o uso dos quatro princípios da multimídia no design e preparação de apresentações em slides, que são a base para um bom aprendizado presencial. Uma boa apresentação pode complementar de maneira visual a aula de um bom professor. Os slides sozinhos não substituem a presença do professor, mas podem fazer com que a sua aula pareça mais ou menos interessante.

No texto que tem como autora Olivia Mitchell, ela elenca as competências necessárias para uma boa elaboração de slides no PowerPoint, e dentre as duas citadas estão à importância na separação do design instrucional do design gráfico, e também da correta aplicação do design instrucional na criação de e design de slides. Esse é um conceito ainda confuso no Brasil, em que o trabalho de design instrucional é muitas vezes confundido com um designer gráfico voltado para elaboração de material didático.

Design for Social Change: Leeds

Essa afirmação está completamente errada, e limita o campo de atuação desse tipo de designer que deveria trabalhar em conjunto com profissionais de pedagogia para elaborar melhores programas educacionais.

O uso correto de alguns princípios do design instrucional que são também conhecidos como princípios do aprendizado multimídia podem ser encontrado no artigo original, assim como um comentário sobre sua utilização para o design de slides:

  1. Use palavras e imagens: Essa é a regra de ouro do design instrucional que lida com apresentações e material multimídia. Não há justificativa para usar apenas texto em apresentações, praticamente qualquer assunto pode receber imagens para ajudar no aprendizado.
  2. Não use imagens que não estejam inseridas no contexto: Com a decisão de usar imagens para ilustrar os slides, a escolha dessas imagens é tão importante quanto à decisão de usá-las. As imagens devem ser escolhidas e selecionadas de acordo com um contexto único.
  3. Use narração ao invés de textos na tela para explicações: Sempre que for possível, remova textos dos slides para usar narração.
  4. Use um apoio virtual: Caso seja possível, use um assistente virtual para interagir durante a apresentação. Esse é um conceito novo, mas pode ser direcionado para um objeto ou símbolo relacionado ao tema abordado. Esse apoio é interessante para tirar o foco da atenção direcionada ao apresentador, e também distrair a audiência.

Os princípios são básicos, mas se aplicam em praticamente todas as situações. Caso você ainda não tenha pensado em como é possível melhorar as suas apresentações e palestras, quem sabe essas dicas não o animam a começar?

Dicas de design instrucional: Como melhor usar gráficos e imagens?

Nesse semestre estou lecionando uma disciplina que aborda o uso e criação de conteúdo multimídia, que apesar de não ser diretamente relacionado com ambientes educacionais, pode interessar em muito um designer instrucional. Dentre os diversos temas que abordo na disciplina, tirando a parte técnica e relacionada com tecnologia, sobra muito conteúdo ligado a percepção humana dos aspectos visuais da comunicação. Por exemplo, quais os melhores tipos de imagem e gráficos para ilustrar um aplicativo multimídia? Esse tipo de decisão é geralmente tomada com base apenas em aspectos estéticos, mas existe toda uma série de estudos e considerações que devem ser tomadas, antes de realizar a escolha.

A área da ciência que estuda esse tipo de conteúdo se chama cognição, que está diretamente ligada a psicologia. Mesmo não sendo a minha especialidade, depois de muita leitura e pesquisa consegui delimitar um paralelo entre as diversas tipologias de imagens e gráficos, com as suas respectivas aplicações em material educacional.

Multitouch Project - Final

Antes de falar sobre as aplicações, vamos conhecer a organização dos diferentes tipos de imagens e gráficos:

  • Gráficos Decorativos: Tipo de gráfico que adiciona apelo estético em qualquer tipo de interface direcionada para educação ou apresentações comerciais. Esse é o tipo de imagem mais usada, caso fôssemos fazer uma média de utilização dos diversos tipos de gráficos.
  • Gráficos Representativos: Essa imagem tem como função apresentar a forma ou visual de um objeto ou cenário existente. Por exemplo, na apresentação de uma aula de geografia é interessante falar sobre cidades e países, exibindo fotografias desses lugares.
  • Gráficos Organizacionais: Tipo de imagem que apresenta as relações qualitativas entre diferentes conteúdos. Por exemplo, o uso de organogramas para explicar o relacionamento entre as pessoas dentro de empresas.
  • Gráficos Interpretativos: Os gráficos interpretativos mostram de maneira visual fatos ou objetos que não são tangíveis para nós. Por exemplo, a representação de uma estrutura molecular ou as ligações nos átomos de carbono em uma estrutura orgânica. Nessa ocasião é interessante associar as explicações, uma ilustração que mostre visualmente o funcionamento da estrutura.
  • Gráficos Relacionais: Aqui temos um tipo de gráfico que relaciona informações ou dados de maneira visual. Um bom exemplo disso são os infográficos.
  • Gráficos de Transição: Qualquer tipo de gráfico que demonstre movimento ou transformação. Por exemplo, animações ou histórias em quadrinhos.

De maneira geral, podemos classificar a grande maioria das imagens que usamos nessas categorias. No próximo artigo, falo sobre as diferentes situações ou conteúdos que melhor utilizam cada um desses tipos de gráficos.

Opção gratuita de hospedagem para o Moodle

Um dos grandes limitadores para professores interessados em usar a internet como apoio é a falta de opções gratuitas, para oferecer disciplinas ou cursos a distância usando oMoodle como plataforma. No caso de blogs existem inúmeras opções gratuitas como o WordPress.com e BlogSpot. Até mesmo as Wikis têm opções gratuitas para uso na sala de aula, como apoio para professores. Na última semana descobri um sistema que oferece exatamente essa possibilidade, chamado de GlobalClassroom, em que um professor pode se cadastrar e criar uma sala de aula virtual.

O sistema ainda está em fase beta, mas é uma das poucas opções para hospedar de maneira gratuita uma sala virtual no Moodle.

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O serviço que permite criar salas de aula gratuitas se chama eClassroom e tem algumas limitações, como qualquer serviço gratuito na internet. Mas, pode ser uma ótima porta de entrada para professores interessados em conhecer mais o Moodle, sem estar necessariamente em um ambiente de produção.

Outra opção interessante no sistema é a possibilidade do serviço ser utilizado por instituições de ensino, que não gostariam de cuidar da instalação e manutenção do Moodle. Nesse caso existe um módulo parecido, mas direcionado para uso de instituições de ensino chamado de eSchool. Mesmo com o sistema estando apenas disponível na língua inglesa e em estágio beta, ainda é um ótimo recurso para colocar em prática alguns testes com o Moodle, sem comprometer a comunicação com seus alunos.

Já tive oportunidade de conversar com muitos educadores que tinham receio de usar o Moodle, pelo simples fato de nunca ter tido o contato com o sistema e ficarem com medo de não aplicar de maneira correta o mesmo nas suas aulas. Com o GlobalClassroom é possível colocar esse medo de lado, e fazer um teste, com o acesso compartilhado entre outros colegas professores para fins experimentais.

Essa inclusive é uma excelente opção, convidar alguns professores para participar de um curso online em caracter experimental no sistema. Assim é possível praticar a criação do curso, e também o gerenciamento dos recursos e dados gerados pelos alunos no acesso. Com isso ficará difícil dizer que você nunca teve oportunidade de conhecer o Moodle!

Dicas de design instrucional: Como revisar uma disciplina?

O trabalho de um designer instrucional é relacionado com o desenvolvimento e planejamento de conteúdos educacionais e programas de curso, mas ainda existe uma outra função para qual o designer instrucional é lembrado pelas instituições de ensino, quando alguma coisa não está correta nos seus cursos; a reformulação de um curso. O processo de revisão de um curso é fundamental para garantir que os objetivos educacionais sempre estejam sendo atingidos com o máximo de ênfase. Mesmo os cursos e materiais preparados com cuidado, precisam de revisão constante do conteúdo. Como estou encarregado de realizar algumas dessas revisões nesse semestre, resolvi escrever um pequeno guia com algumas dicas sobre o processo de revisão, que envolve muita pesquisa e análise.

Quando o material e roteiros de aula já estão prontos, a parte mais complicada desse tipo de projeto já está parcialmente concluída, que é a pesquisa e determinação de uma seqüência de ensino. Sem o conteúdo pronto, o designer instrucional precisaria fazer entrevistas e trabalhar com profissionais da área com domínio do conteúdo para projetar o curso.

Day 19/365

Então, vamos aos passos necessários para fazer uma boa revisão do conteúdo, considerando que o curso é baseado em leitura de textos, o que pode ser feito presencialmente ou a distância:

  1. Localize os objetivos do curso: O que os alunos que concluem o curso precisam saber ou fazer? Caso isso não esteja escrito em nenhum local, procure identificar pelos objetivos principais. Uma boa maneira de relacionar esse tipo de conteúdo é fazendo uma lista com bullets mesmo. Exemplos:

    • Conhecer os requisitos necessários para fazer uma boa apresentação
    • Funcionamento de um software para apresentações
    • Localizar e editar imagens para inserção em slides
    • Produzir um roteiro ou storyboard para apresentação
  2. Analise o plano de ensino e a seqüência de conteúdos abordados: A linha de raciocínio do curso é explicada em algum local? Qual sua justificativa? Caso essa linha não esteja clara para você, também não vai estar para os alunos.
  3. Qual o objetivo específico de cada texto ou material didático no curso? Assim como o curso de maneira geral, cada material usado no desenvolvimento do conteúdo deve apresentar, mesmo que apenas para os gestores do curso os objetivos específicos do conteúdo. Como esse texto ajuda no desenvolvimento dos objetivos gerais?
  4. Como os conteúdos estão relacionados? Uma boa disciplina baseada em texto, sempre apresenta relações e citações de material já utilizado. Por exemplo, um texto que aborde as conseqüências da globalização para mercados emergentes, deve explicar de maneira breve o significado da palavra globalização, ou citar o título do material em que isso foi abordado no curso.
  5. Os textos estão escritos em primeira pessoa? Por incrível que pareça, os alunos preferem textos escritos na primeira pessoa. Isso lembra muito a presença e a palavra de um professor, que está guiando e indicando os conteúdos. Os materiais escritos de maneira impessoal, acabam despertando pouco interesse nos alunos.
  6. Os exercícios estão relacionados com o conteúdo? Uma ótima maneira de relacionar as perguntas propostas em um curso, é relacionar o resultado com os objetivos gerais do mesmo. Por exemplo, ao elaborar ou revisar uma pergunta, compare o enunciado com os objetivos listados na descrição desse curso. Como eles se relacionam? Existe coerência? caso contrário, essa pergunta não deveria estar na lista de exercícios, mas sim como atividades extras que demandam estudo complementar.

Bem, seria leviano dizer que isso é tudo o que é necessário para revisar de maneira satisfatória uma disciplina ou conteúdo educacional. Mas, é um ótimo começo para quem precisa realizar essa tarefa importante para melhorar seus cursos e conteúdos. Sem esse procedimento, o ciclo de desenvolvimento dos modelos para design instrucional acabam não acontecendo.

Um ponto importante, que serve como reflexão é que a maioria dos assuntos e pontos críticos da revisão estão diretamente relacionados com os objetivos da disciplina/curso.

Moodle 2.0 só no meio do ano

Ao que parece o ciclo de desenvolvimento do Moodle 2.0 deve atrasar um pouco mais, e veremos uma nova versão desse fantástico LMS apenas em meados de Junho/Julho. Essa é uma atualização muito aguardada do Moodle, pelos novos recursos que prometem melhorar em muito a relação e gestão de um curso online com o sistema. Um desses recursos já foi comentado diversas vezes aqui no Blog, que é a possibilidade de utilizar pré-requisitos em atividades e recursos no sistema, para controlar um pouco mais a experiência dos alunos com o curso.

Mas, ainda existem outros recursos simples que podem ajudar muito. Por exemplo, está planejado um tipo de alerta ou mensagem para os alunos, indicando que o curso em que ele está participando está completo. Esse é um tipo comum de situação, os alunos perfazem todas as atividades do curso com leituras e questionários, mas não sabem ao certo se foi tudo concluído. Será que falta alguma coisa? O questionamento poderá ser evitado, com uma mensagem de alerta, avisando o aluno sobre a conclusão do curso.

Para uma lista completa com as novidades planejadas para o Moodle 2.0, inclusive com uma ótima tabela com porcentagens do que está efetivamente pronto, visite esse endereço para conhecer o cronograma do Moodle 2.0.

Outro dos recursos listados nessa página é o relatório que vai mostrar o desempenho do aluno de maneira individualizada. O recurso vai permitir que o professor ou tutor possa consultar o desempenho de cada aluno, usando métricas apropriadas para uma determinada competência. Por exemplo, o professor pode especificar que para atingir alguns objetivos educacionais o aluno precisa atingir e completar algumas atividades específicas, para que ele possa ser avaliado sob aquela competência em especial.

O que está sendo proposto aqui não é um simples acompanhamento de notas, mas sim a construção de relatórios e condições para que o professor possa trabalhar por competências. Esse é um conceito moderno de avaliação, que até hoje era difícil de usar no Moodle pela sua fundamentação em termos de notas. Quando um aluno é avaliado por competências, na maioria das vezes é usado um conceito para determinar o grau da avaliação.

Se você usa o Moodle na sua instituição de ensino, ou tem curiosidade sobre ele, recomendo muito uma visita ao endereço indicado, para conhecer algumas das vantagens em permanecer com o sistema!

Agora é só esperar.