Usando o pensamento visual em aulas e palestras

Qual seria o extremo no uso do pensamento visual? Usar apenas imagens para explicar um conceito ou fato, facilita muito o entendimento de qualquer pessoa. A maioria dos professores ou palestrantes tem seus truques para envolver os alunos ou platéia nas palestras, mas nada tira o “brilho” de uma apresentação bem elaborada, não só no visual, mas na parte de comunicação também. Algumas pessoas investem em layouts com design arrojado, com planos de fundo no PowerPoint produzidos por designers ou com fotografias, mas será que essas apresentações são eficientes na transferência de conhecimento?

Uma das técnicas mais conhecidas para incrementar uma palestra ou apresentação é a da contextualização, tudo fica mais claro quando usamos uma história para ilustrar uma situação ou acontecimento. O problema em usar esse tipo de recurso para explicar um conceito em aula é que será necessário, escrever um pequeno texto, para consulta posterior do aluno até mesmo disponibilizar a história para os palestrantes.

Você já participou de uma aula ou palestra, em que o palestrante ou professor disponibilizou junto com o material de aula a história que ele contou na aula? São poucas as pessoas que disponibilizam esse tipo de material.

O melhor ainda seria se esse material fosse disponibilizado de maneira mais rica, ou mais visual. Um texto é suficiente, mas todos sabem que a maioria das pessoas ainda resiste a leituras longas, principalmente se a história for complexa.

Para facilitar essa tarefa e permitir a ilustração de apresentações e aulas, descobri um sistema chamado BitStrips que permite a qualquer pessoa criar histórias em quadrinho. Isso mesmo, histórias em quadrinhos. Uma das maneiras mais simples e eficientes de contar uma história ou contextualizar uma situação, de maneira visual é com histórias em quadrinhos.

O uso do sistema é simples, ele permite que usemos vários desenhos prontos no sistema e com esse material pronto, podemos fazer pequenos ajustes nos personagens e cenários para criar a história. Só existe um pequeno inconveniente no sistema, os textos que digitamos nos balões não aceitam caracteres latinos.

Pois é, infelizmente ainda é necessário editar o texto para adicionar acentos e cedilha. Veja um exemplo:

Histórias em quadrinhos

Interessante não é? Tudo nos quadrinhos pode ser personalizado desde cabelos, nariz, boca até as roupas. Para quem não tem habilidade alguma com desenho e não pode contratar um desenhista, esse é um recurso muito interessante.

Colaborativo

Redes sociais para área científica e de saúde

Qual área mais complexa em se tratando de design instrucional? Sem sombra de dúvida é a área de saúde. Qualquer pessoa que precise produzir ou pesquisar material para cursos de saúde estará em sérios apuros, caso não disponha de um pequeno orçamento para fazer a própria produção de material. Mas nem tudo está perdido, ainda existem alguns recursos gratuitos na internet para enriquecer esse tipo de aula a distância. Ainda é difícil encontrar cursos de saúde a distância, por motivos óbvios, a logística da aula prática fica muito complicada.

Estou passando por isso nesse exato momento, preciso auxiliar alguns colegas que ministram cursos na área de saúde, em disciplinas semipresenciais, mas que não querem produzir animações ou recursos multimídia para as suas aulas.

Medicamentos

Foi quando esbarrei em alguns desses recursos, que aparentemente estão na web, o que precisamos é de um pouco de paciência e em algumas ocasiões sorte, para poder encontrar. Para ajudar aos colegas que possam estar passando pela mesma situação, resolvi fazer um sumário sobre alguns desses recursos.

Os dois primeiros são redes sociais, que funcionam de maneira muito semelhante ao del.icio.us, mas voltados exclusivamente para a área científica e acadêmica. Um deles em particular tem muito conteúdo para a área de saúde. Apesar de não possuir o volume de informações que o del.icio.us tem, vale uma visita nesses sistemas para conhecer e encontrar material para nossas aulas:

  • CiteULike: Essa rede organiza artigos e pesquisas científicas, de maneira semelhante ao que faria uma rede social de favoritos. Ela não é específica para a área de saúde, mas pode ajudar muitos professores que precisam de material para suas aulas.
  • Connotea: Aqui sim, temos uma rede social voltada a artigos e trabalhos científicos na área de saúde. Para os professores que precisam de material específico, esse é um recurso obrigatório!
  • Domínio público: Sistema mantido pelo governo federal, com material de pesquisadores brasileiros, que disponibilizam tese e dissertações de maneira gratuita.

Com esses recursos é possível sanar boa parte da falta de material disponível na Web. Muitos professores acham que é possível encontrar material apenas pelo Google, mas ele é apenas mais uma ferramenta de pesquisa para preparar aulas. Até mesmo a pesquisa por material acadêmico do Google, deixa a desejar quando começamos a usar o poder das redes sociais.

Use e abuse desses recursos para preparar as suas aulas. Existem apenas dois problemas no uso dos dois primeiros links, ambos apresentam classificam material em inglês.

O segundo problema é escolher a melhor fonte de informação, com tantas opções disponíveis!

O modelo de cursos e disciplinas está ultrapassado?

Apesar de todos os avanços tecnológicos na área de educação, proporcionados na maioria das vezes por tecnologias relacionadas à comunicação, ainda existe um conceito que em minha opinião amarra o desenvolvimento da educação a distância. O modelo de cursos e disciplinas, ainda é um entrave para o desenvolvimento de soluções mais curtas, que realmente possam ajudar a maioria das pessoas. Pense nisso, existe uma demanda enorme por conteúdos e treinamentos na Web, mas quando uma pessoa precisa de uma aula rápida sobre técnicas de animação em PowerPoint, ela acaba tendo que se matricular em um curso de PowerPoint completo.

Aluna chateada

Já cansei de ministrar aulas, para alunos que queriam apenas aprender uma parte ínfima da ementa do curso, mas que para isso tiveram que passar por toda uma gama de assuntos que não era do interesse deles.

Os ambientes de ensino a distância, podem resolver isso e alguns até já o fazem. Mas a grande maioria das instituições ainda foca no modelo de cursos e disciplinas longas, que não favorecem o aluno. O modelo que favorece mais ao aluno é o do “curso rápido” com foco apenas em um tópico.

Esse tipo de curso teria entre 2 horas e no máximo 15 horas de carga horária, permitindo ao aluno aprender aquilo que é do seu interesse de maneira mais rápida. Nos chamados cursos de extensão presenciais, esse tipo de coisa é inviável. Por vários motivos, o primeiro é que existe um número mínimo de alunos para que possa ser “fechada” uma turma.

Em ambientes de EAD isso não existe.

Então, se você tem um curso sobre qualquer assunto, tente reformular esse mesmo curso para que possa ser oferecido em módulos menores. Assim será possível direcionar os alunos apenas para o conteúdo que os interessa além de exigir um investimento menor, para ingresso no mesmo curso.

Esse modelo facilita até o desenvolvimento do material. Com módulos menores, será possível publicar e oferecer os cursos em menos tempo. Um curso que antes era oferecido em 40 horas, caso seja dividido em 4 módulos de 10 horas pode ter seus módulos oferecidos ao público em 1/4 do tempo.

Avaliações: Se o aluno não precisa saber, não pergunte!

Como avaliar um aluno? O processo pode até parecer simples, mas é complexo para quem nunca teve experiências na área de educação, ou não nunca colocou o pé em sala de aula. Quem mais sofre com isso, são as pessoas que acabam ficando encarregadas pelos famosos treinamentos corporativos. Quando estamos em uma sala de aula, de cursos de graduação ou do ensino regular, os professores geralmente conseguem elaborar as avaliações com base nas suas próprias experiências.

Em algumas empresas, por questões relacionadas à economia acabam escolhendo um funcionário experiente, para ministrar treinamentos. Até ai não há problema algum, mas a avaliação da eficiência desse treinamento pode ficar comprometida, se o funcionário não souber como elaborar as avaliações.

Avaliação

Essa semana um colega que está nessa situação me enviou um e-mail pedindo ajuda, ele ministrou um treinamento para uma empresa, mas acabou sendo criticado na hora de fazer a avaliação.

Depois que ele terminou de fazer a avaliação, os seus alunos participaram de uma avaliação. Para sua felicidade, todos foram muito bem na avaliação. Mas, depois de alguns dias, ele recebeu um telefonema de um gerente da empresa, fazendo algumas criticas a sua aula. As pessoas que participaram do curso estavam com dificuldades em aplicar os conhecimentos nas suas tarefas diárias. A culpa recaiu sobre ele.

Esse é um exemplo clássico de contextualização, em que uma pessoa pega um curso pronto, como ele pegou, inclusive com a avaliação pronta, aplica e acha que tudo está bem. Na verdade ele pecou por não analisar o conteúdo do material, assim como perguntar para alguém da empresa, qual seria o foco ou objetivo do treinamento. Qual o benefício para os funcionários? Em que tarefa eles devem apresentar uma melhoria no desempenho?

Com o problema já em andamento, ele acabou por fazer uma revisão na avaliação. Para a sua surpresa, as perguntas estavam todas direcionadas para partes do conteúdo que não são de interesse para a empresa. O resultado? Todos tiraram notas altas, passando a falsa impressão de sucesso do curso. Na hora de aplicar, todos perceberam que não foi bem assim.

É possível tirar alguma lição disso? Claro que sim! Sempre formule as atividades e avaliações de um curso ou disciplina, de maneira que elas contemplem os objetivos do mesmo. Só assim as avaliações e tarefas podem servir para validar os conhecimentos adquiridos com o curso.

Plano de aula: Quando é importante adicionar tempo?

Se você já foi professor ou trabalhou em alguma instituição de ensino, deve ter tido contato com esse documento chamado Plano de aula. Mas o que é ele? Na verdade, colocando em palavras mais simples; é uma versão mais organizada da ementa. Quando uma pessoa analisa a ementa de uma disciplina ou curso, pode analisar todos os conteúdos que devem ser abordados naquele curso. Mas e a seqüência? Como o professor irá desenvolver os conteúdos? As respostas para essas perguntas estão no plano de aula. Nele o professor pode organizar por aula, quais os assuntos abordados.

Relógio de areia

Até ai não tem problema algum. O que me chama a atenção em relação a esse documento é a quantidade de modelos e tipos que encontro na mais variadas instituições de ensino. Alguns professores usam um modelo resumido, com apenas a separação dos conteúdos. Outras instituições adotam um modelo mais detalhado, com referências até para recursos na internet, como links e documentos online.

Dentre essa variedade de modelos, qual o melhor?

Essa é uma pergunta difícil de responder, mas podemos listar alguns dos itens que não podem faltar em um bom plano de aula:

  • Separação das aulas
  • Tópicos abordados em cada aula
  • Recursos utilizados para ministrar cada aula
  • Caso seja necessária a leitura de algum material extraclasse, indique como os alunos podem conseguir esse material
  • Referências bibliográficas

Um item que não entra aparece com freqüência em um plano de aula é o tempo médio, gasto em cada tópico. Isso é fundamental para nortear a aula de um professor com menos experiência, ou que não tenha conhecimento dos detalhes de uma disciplina. Para quem já ministra a mesma aula, sobre o mesmo assunto há muito tempo, isso é desnecessário.

Mas, esse tipo de padronização pode ajudar muito os professores que não têm experiência com o tópico em sala de aula. Utilizar o tempo médio em cada tópico pode eliminar também a interpretação subjetiva do conteúdo. Quando um professor analisar um plano de ensino, criado por outra pessoa pode ter uma boa idéia da profundidade e complexidade da abordagem, caso o tempo médio necessário esteja claro.

Por exemplo, as abordagens são completamente diferentes, quando precisamos falar sobre “técnicas de ensino” em aulas de 15 ou 45 minutos. Você pode até achar que esse tipo de informação pode deixar a aula “engessada”, mas é fundamental para garantir um mínimo de padronização. Lembre que esse é o “tempo médio”, pode haver variações.

Quem trabalha com educação a distância sabe que esse tipo de recurso é fundamental para mensurar o tempo das aulas. Nessa modalidade, os planos de ensino são chamados também de roteiros de aula.

Tente implementar isso nos seus planos de ensino! No design instrucional esse é um recurso fundamental para garantir o tempo de um treinamento ou disciplina. Isso só ajuda na organização e manutenção da qualidade das suas aulas.