Como reverter uma disciplina no Moodle para seu estado inicial?

A vida de um professor sempre fica mais atribulada no final do semestre, principalmente quando estamos chegando ao final de mais um ano letivo. Os alunos estão querendo entrar de férias a qualquer custo, mesmo os que não obtiveram média suficiente para passar em uma determinada disciplina. Por isso, apesar de me dedicar ao design instrucional, a atividade de professor consome boa parte do meu tempo nesses final de semestre. Esse é um dos motivos pelos quais o blog está meio parado. Mas, hoje consegui uma pequena pausa nas correções para conferir alguns vídeos e notícias sobre o Moodle, e EAD pelo mundo.

Aqui no Brasil estamos no final do semestre, mas no hemisfério norte as coisas estão apenas se aproximando de uma pausa momentânea para as festas de natal e ano novo.

Um vídeo bem interessante para os usuários do Moodle, mostra o procedimento para retornar uma disciplina para o seu estado inicial. Sim, em algumas ocasiões em que você apenas gostaria de excluir os dados dos alunos, mas mantendo a estrutura básica da disciplina com os fóruns, chats e questionários de maneira como se eles nunca tivessem sido usados.

Antes de usar esse recurso, é de suma importância que você tenha certeza que não vai mais precisa das informações dos seus alunos, mantendo uma cópia de segurança para as emergências eventuais. O tutorial abaixo mostra de maneira segura, o local e opções disponíveis no Moodle para “resetar”, se você me permite o neologismo, uma disciplina para o seu estado inicial.

O procedimento é bem simples, e caso seja necessário o tutor ou professor pode escolher várias opções para manter material disponível. Por exemplo, o curso pode ter os dados dos alunos excluídos, mas as mensagens dos fóruns mais importantes podem ser mantidas. Assim como as tentativas dos questionários e trabalhos desenvolvidos em formato Wiki ou livros. A idéia é fazer um filtro, em que o tutor tem liberdade para escolher os itens que são mais importantes para a disciplina.

Nesse caso, como tudo deve começar novamente na disciplina o tutor precisa entrar nas configurações do curso e alterar dados relacionados com datas, como o início dos questionários e até mesmo a descrição do curso, em que as datas para inscrição possam ser usadas pelos alunos.

Essa é uma dica simples, mas que pode evitar o que acontece em muitos casos que é a instalação de um novo sistema, toda vez que um novo semestre está começando.

Previsões para o mercado de EAD em 2009

Um dos autores que acompanho quando o assunto é EAD ou e-learning se chama Tony Karrer, pela sua participação em projetos e iniciativas relacionadas a educação apoiada por internet. No início desse ano, ele publicou no seu blog um artigo com algumas previsões para o mercado de EAD em 2008, e como estamos chegando ao final do ano, gostaria de fazer alguns comentários sobre o que realmente se confirmou, e quais dessas previsões de aplicam ao mercado educacional em 2009. O artigo original com as previsões pode ser consultado nesse link, que leva para o seu blog.

No total foram 10 previsões que abrangem desde a gestão de cursos na internet, como a produção de conteúdos para esse tipo de curso.

Second Life

O mercado brasileiro de EAD tem algumas particularidades e diferenças abissais, em relação ao que os americanos fazem. Uma das principais diferenças é a maior disseminação da cultura relacionada ao uso da internet. Lá o acesso é barato e fácil, aqui no Brasil os computadores estão se popularizando apenas nos últimos anos.

Podemos começar com a parte relacionada com produção de conteúdo, que no caso dele se aplica mais ao mercado americano. Não farei análises detalhadas sobre tudo, mas dos pontos mais importantes.

Produção de conteúdo

Na previsão ele comenta que softwares de autoria multimídia iriam dominar o mercado. Não posso falar sobre os conteúdos das universidades americanas, mas o mercado brasileiro ainda deve ficar concentrado em conteúdo textual em 2009. Como o acesso a internet ainda é caro, e a alta velocidade de conexão é elitizada, as universidades e faculdades ainda precisam investir apenas em material baseado em texto.

LMS

Cada vez será maior a necessidade de sistemas LMS em instituições de ensino. Mas, esse mercado está sofrendo uma revolução, em que os sistemas LMS estão migrando para um modelo parecido com uma rede social. Aqui no Brasil, com a maioria das instituições aprendendo a usar ainda um LMS, como o Moodle, essa migração será mais demorada. Um aspecto positivo de uma rede social para educação, com portfólios e outros recursos é a chamada gestão de talentos. Em que a instituição pode identificar e selecionar os alunos com melhor desempenho.

Salas de aula virtuais no Second Life

Depois de uma euforia inicial, o uso do Second Life como ferramenta educacional está minguando. No início do ano, muita coisa se comentava da revolução que seria o uso dessa ferramenta, e muitas instituições gastaram um bom dinheiro, comprando uma ilha lá. O resultado? O próprio uso do sistema está em declínio. O seu uso educacional ainda é fantástico, mas com nichos específicos.

No próximo artigo, continuo falando sobre outras áreas como o mobile learning e o design instrucional, e suas respectivas previsões para 2009.

Tipos de atividades SCORM disponíveis no eXe

Hoje continuamos com a descrição dos tipos de atividades e recursos disponíveis para criar material no padrão SCORM, usando o eXe que já foi apresentado em dois artigos anteriores aqui do Blog. Para quem não lembra ou está chegando agora, o eXe é um software que permite a qualquer designer instrucional, sem custo algum, elaborar material educacional. Todo o material pode ser salvo no padrão SCORM, aceito pelos melhores e mais robustos sistemas LMS, como o Moodle e Sakai.

Bem, vamos conhecer a lista! Só para relembrar, o eXe permite que você crie documentos complexos com sistemas de navegação interna e que misturam vários elementos. Esses elementos são adicionados na parte esquerda do eXe, simplesmente com um duplo clique sobre os seus respectivos títulos.

A parte lateral do eXe é chamada de iDevice ou como os criadores da ferramenta chamam, em tradução livre, seria algo como recursos instrucionais.

Aqui está a lista:

  • Atividade: Aqui temos uma atividade textual, em que o aluno precisa realizar alguma tarefa fora do computador.
  • Estudo de caso: Mais uma atividade textual, mas com o foco na criação de estudos de caso. A parte interessante desse recurso é que já existem partes prontas, para inserir a história, atividade e o feedback no caso.
  • Atividade de preenchimento: Esse tipo de atividade apresenta para os alunos frases, em que algumas palavras estão faltando. Os alunos precisam então, preencher os espaços vazios.
  • Link para web site externo: Como o próprio nome diz esse tipo de recurso simplesmente aponta um web site de interesse para o curso ou disciplina.
  • Texto livre: Caso seja necessário adicionar um bloco grande de texto no conteúdo, a melhor opção dentro do eXe é essa.
  • Galeria de imagens: Quando os textos requerem várias imagens para ilustrar o assunto, o professor pode usar esse recurso para adicionar uma galeria de imagens.
  • Ampliação de imagens: Se o aluno precisar verificar detalhes nas imagens, esse tipo de recurso pode ajudar na ampliação de algumas imagens, quando for necessário.
  • Java Applet: Aqui temos um tipo de recurso mais técnico, que pode adicionar nos conteúdos um aplicativo desenvolvido em Java.
  • Pergunta de múltipla escolha: Esse tipo de questionário permite adicionar em qualquer parte do conteúdo, perguntas de múltipla escolha, com apenas uma resposta certa.
  • Pergunta de múltipla seleção: Mesmo tipo de atividade com várias opções, mas com a diferença que podem existir mais de uma resposta correta.
  • Objetivos educacionais: Se você quiser evidenciar para seus alunos os objetivos de cada módulo, esse recurso permite adicionar um texto com o título pronto, para objetivos educacionais.
  • Pré-requisitos: Aqui também temos outro item, com o título pronto sobre pré-requisitos para que um determinado aluno possa acessar os conteúdos.
  • Rss: Um dos recursos mais interessantes da ferramenta, adicionar um feed RSS de um jornal ou Blog, para passar informações atualizadas para seus alunos.
  • Atividade de leitura: Orientações para uma atividade de leitura, com a descrição dos objetivos e a tarefa a ser realizada depois da leitura.
  • Reflexão: Tipo de texto que apresenta uma pergunta e mostra um feedback para os alunos.
  • Questionário SCORM: Aqui temos uma das vantagens em usar conteúdo SCORM, pois o eXe permite adicionar um questionário que registra no LMS o resultado da atividade. Assim o professor ou tutor pode cobrar do aluno o conteúdo de uma avaliação.
  • Perguntas de verdadeiro ou falso: Questionário simples com perguntas de verdadeiro ou falso.
  • Artigo Wiki: Com esse recurso, o autor da disciplina pode capturar um texto em uma Wiki, e publicar no conteúdo da aula. O professor ou tutor precisa ser o dono do conteúdo usado, para que o recurso funcione.

Eu sei que é muita coisa, mas essa é a vantagem de usar o eXe como ferramenta de design instrucional, o professor ou tutor tem uma grande gama de opções para construir a sua aula.

Nos próximos artigos sobre o eXe, vamos criar uma aula simples e depois adicionar o conteúdo no Moodle, para verificar a maneira com que ele é exibido.

Lista de objetos e conteúdos para integrar em atividade no Moodle

O uso de recursos provenientes da própria internet é uma das ferramentas mais poderosas na criação de conteúdos, principalmente para os tutores ou professores com pouco ou nenhum conhecimento em design. Seria muito complicado para uma pessoa se um mínimo de conhecimento, gravar e criar um vídeo com o código para inserção em uma página HTML. Mas, enviar um arquivo de vídeo para o Youtube é simples, e ele próprio já gera o código necessário para integrar o conteúdo do vídeo a uma página Web.

Isso abre inúmeras possibilidades, para que um professor possa montar as suas aulas no Moodle, com o uso desse tipo de recurso, que na maioria das vezes está disponível de maneira totalmente gratuita na web.

Quais recursos estão disponíveis para usar no Moodle? Se você nunca usou esse tipo de opção, encontrei uma ótima lista que mostra vários web sites que permitem criar conteúdos multimídia ou interativos, para uso em sistemas que permitem integração com códigos HTML.

Embeddable Things to Put in Your Wiki Blog or Moodle

Entre as opções listadas estão algumas figuras já comuns para quem trabalha com desenvolvimento de conteúdos para a internet, como o próprio Youtube e o Slideshare.

Outras opções são mais recentes, como o uso de mapas oriundos do Google Maps, que podem ilustrar muito bem aulas de Geografia ou História. Depois aparecem outros destaques na área de documentos compartilhados, como o Scribd, que inclusive é usado para divulgar a lista. Como você pode ver, estou me aproveitando desse recurso para inserir o conteúdo da lista nesse artigo do blog, assim como poderia fazer em uma página Web do Moodle.

O mais interessante desse tipo de recurso no Moodle, é que isso pode ser usado para assimilar conteúdo em páginas Web, como também em avaliações. Por exemplo, você pode adicionar um vídeo do Youtube em uma pergunta de questionário, e avaliar o aluno com base no conteúdo apresentado no vídeo. Esse tipo de recurso expande e melhora a experiência do aluno com o curso, mas requer vigilância constante da equipe de design instrucional.

Para verificar a disponibilidade dos conteúdos e recursos, caso a instituição de ensino não seja a proprietária dos arquivos usados para exibir os conteúdos.

Só para complementar, senti falta do Flickr na lista.

Mahara: Como incrementar as características sociais do Moodle e criar comunidades educacionais?

Já faz alguns dias que comentei aqui no Blog, o uso do Moodle em conjunto com uma ferramenta chamada Open Share, que permite abrir partes de um curso para visitantes do web site. Pois, esse não é o único sistema que funciona em conjunto com o Moodle, para tentar melhorar a experiência do aluno com o sistema e expandir ainda mais as capacidades do sistema. Além de todos os recursos que o Moodle já disponibiliza para instituições de ensino e professores, para oferecer cursos pela internet usando ferramentas e opções com algo nível de interação, ainda existe a possibilidade em agregar os portfólios online ao sistema, ou os e-portfolios como também são chamados.

O que é um portfólio online? Essa é a especialidade de um sistema chamado Mahara, foco desse artigo e a sua integração com o Moodle.

Antes de falar sobre os portfólios online, vamos falar um pouco sobre o uso do Moodle, como plataforma de ensino em instituições que preparam alunos para o mercado de trabalho. Os departamentos de estágio das empresas, precisa constantemente selecionar currículos de alunos, para encaminhar para empresas. Esses currículos na maioria das vezes são armazenados como arquivos DOC. Não seria fantástico, se os alunos pudessem construir currículos no Moodle, e os gerentes dos setores de empregabilidade ou estágio, fizessem uma busca dentro dos perfis, usando tags e outros elementos para procurar por dados atualizados?

Pois, é esse tipo de tarefa que o Mahara consegue realizar. Um sistema de portfólios online permite estender em muito os perfis do Moodle, fazendo com que os alunos possam criar seus próprios artefatos personalizados, redes sociais, listas de amigos, currículos online e muito mais. No ato da consulta do currículo, a mesma pessoa já poderia procurar um histórico das atividades do aluno no Moodle, para verificar o desempenho acadêmico do mesmo.

O vídeo abaixo mostra uma apresentação rápida de como o Mahara funciona:

O melhor de tudo é que o Mahara funciona de maneira integrada com o Moodle, para o aluno parece que ele está no mesmo sistema, pois os dois compartilham informações. Para o aluno, fica a vantagem de permitir que os seus dados sejam ou não visualizados por outros alunos, a escolha é dele!

Como fazer a integração com o Moodle? O vídeo abaixo, explica a integração e foi publicado por Julian Ridden, também conhecido como Moodleman. Ele fala sobre a integração e a vantagem em usar os dois sistemas, mostrando inclusive um exemplo funcional de alunos interagindo com o Moodle e Mahara.

Isso mostra como o Moodle, pode ser uma ferramenta ao mesmo tempo de baixo custo, mas com ferramentas e recursos incríveis, e que fazem com que fique difícil um sistema LMS proprietário competir com a ferramenta. Se você tiver interesse e uma equipe técnica (pequena mesmo), capaz de gerenciar esse tipo de interação com sistemas, vale a pena fazer ao menos uma experiência com o Moodle.

O Mahara também é de código aberto e de uso gratuito!