O modelo de cursos e disciplinas está ultrapassado?

Apesar de todos os avanços tecnológicos na área de educação, proporcionados na maioria das vezes por tecnologias relacionadas à comunicação, ainda existe um conceito que em minha opinião amarra o desenvolvimento da educação a distância. O modelo de cursos e disciplinas, ainda é um entrave para o desenvolvimento de soluções mais curtas, que realmente possam ajudar a maioria das pessoas. Pense nisso, existe uma demanda enorme por conteúdos e treinamentos na Web, mas quando uma pessoa precisa de uma aula rápida sobre técnicas de animação em PowerPoint, ela acaba tendo que se matricular em um curso de PowerPoint completo.

Aluna chateada

Já cansei de ministrar aulas, para alunos que queriam apenas aprender uma parte ínfima da ementa do curso, mas que para isso tiveram que passar por toda uma gama de assuntos que não era do interesse deles.

Os ambientes de ensino a distância, podem resolver isso e alguns até já o fazem. Mas a grande maioria das instituições ainda foca no modelo de cursos e disciplinas longas, que não favorecem o aluno. O modelo que favorece mais ao aluno é o do “curso rápido” com foco apenas em um tópico.

Esse tipo de curso teria entre 2 horas e no máximo 15 horas de carga horária, permitindo ao aluno aprender aquilo que é do seu interesse de maneira mais rápida. Nos chamados cursos de extensão presenciais, esse tipo de coisa é inviável. Por vários motivos, o primeiro é que existe um número mínimo de alunos para que possa ser “fechada” uma turma.

Em ambientes de EAD isso não existe.

Então, se você tem um curso sobre qualquer assunto, tente reformular esse mesmo curso para que possa ser oferecido em módulos menores. Assim será possível direcionar os alunos apenas para o conteúdo que os interessa além de exigir um investimento menor, para ingresso no mesmo curso.

Esse modelo facilita até o desenvolvimento do material. Com módulos menores, será possível publicar e oferecer os cursos em menos tempo. Um curso que antes era oferecido em 40 horas, caso seja dividido em 4 módulos de 10 horas pode ter seus módulos oferecidos ao público em 1/4 do tempo.

Novas ferramentas para professores e gestores no Moodle 1.9

O Moodle ganhou uma atualização na última semana e como parte do trabalho de qualquer gestor em EAD, que trabalha com essa ferramenta, estou fazendo testes e mais testes para avaliara s novidades, antes de implementar a versão 1.9 em ambiente de produção. Como eu já havia mencionado, as melhorias estão relacionadas ao código fonte, mas algumas são mais visíveis ao usuário final. Resolvi mostrar algumas delas aqui nesse artigo, para exemplificar algumas das melhorias. Use essas informações para avaliar uma possível atualização ou quem sabe uma migração para o Moodle.

Na parte de instalação, que não é usada por professores, apenas pelos administradores do sistema, já podemos perceber uma das maiores mudanças em termos visuais. Agora é possível usar bordas arredondadas nos temas. Isso deixa a interface mais agradável, por padrão. Caso você quisesse esse visual para seus cursos, teria que fazer alterações no código.

Moodle 1.9 Bordas redondas

Depois de instalar sistema, podemos visualizar o mesmo com um novo tema, especialmente criado para exibir as bordas arredondadas.

Moodle 1.9 Interface

Logo na página inicial, um ótimo recurso para quem administra o Moodle, a possibilidade de fazer favoritos de páginas. Assim o gerenciamento de cursos e aspectos relacionados ao próprio Moodle, pode ficar mais prático. Se você identificar uma área do Moodle que precise de mais edição, será possível marcar essa página para facilitar o acesso. Para quem precisa fazer o gerenciamento de sistemas com grande quantidade de cursos e alunos, esse recurso pode agilizar em muito acesso a áreas do sistema.

Moodle 1.9 Administrator Bookmarks

Agora um recurso para facilitar a vida de professores e tutores. Cada aluno ou curso pode receber anotações personalizadas. Essas anotações são divididas em três categorias, como mostra a imagem abaixo:

Moodle 1.9 anotações

  • Site Notes: Os textos adicionados aqui podem ser visualizados em todo o Moodle. Por exemplo, uma observação feita por um professor aqui, pode ser visualizada por professores de outras disciplinas ou cursos.
  • Course Notes: Aqui temos anotações que ficam restritas apenas a um curso ou disciplina. Apenas os professores ou tutores da mesma disciplina podem visualizar o conteúdo.
  • Personal Notes: Para finalizar temos as anotações individuais, visíveis apenas para o autor do texto. Assim um professor pode fazer observações individuais sobre um aluno.

Por último, um recurso interessante que potencializa o Moodle como uma rede social para educação, cada perfil de usuário agora pode receber as famosas tags. No perfil isso é chamado de “Lista de interesses”, os alunos devem adicionar as palavras separadas por vírgulas.

Moodle 1.9 tags

Essas são apenas algumas das novidades do Moodle 1.9, assim que for descobrindo mais coisas eu publico aqui em novas análises. Lembre de avaliar as ferramentas e a compatibilidade com o seu tema, antes de fazer uma atualização, para evitar maiores problemas.

Modelo de contrato pedagógico

Trabalhar como professor não é fácil, além de ter que estar sempre pesquisando constantemente para levar os assuntos com a abordagem mais moderna, contextualizada e clara para os alunos, ainda precisamos cuidar da comunicação e dos bons costumes no nosso ambiente de trabalho. Claro que existem várias técnicas para combinar as regras do jogo, com uma sala de aula lotada. A maioria dos professores combina esses termos com os alunos no primeiro dia de aula, mas em pouco tempo os próprios alunos esquecem essas regras e tudo volta à estaca zero.

Um artifício muito utilizado pelos professores, para deixar registrado por escrito o conjunto de regras e conteúdos que devem ser apresentados aos alunos é resumido em um contrato pedagógico.

Contrato pedagógico

Esse contrato nada mais é que um documento, listando os deveres e obrigações dos alunos e do professor também. Junto com essa lista, deve ser apresentado nesse mesmo contrato, um resumo dos assuntos abordados, apenas os principais tópicos são suficientes para elucidar qualquer dúvida em relação ao conteúdo.

Como preparar esse documento?

O processo de preparação desse documento é simples, veja um modelo com os tópicos principais que devem estar presentes no contrato:

  • Direitos e deveres do discente
  • Direitos e deveres do docente
  • Resumo dos assuntos abordados
  • Objetivo da disciplina
  • Penalidades para a quebra de alguma das regras

Não existe regra definida para o que deve ser colocado nos direitos e deveres dos docentes e discentes. Isos varia de acordo com o ponto de vista de cada professor.

Como apresentar aos alunos?

Assim que o documento estiver pronto, você deve citar a existência do mesmo no primeiro dia de aula. Explique que ele fala sobre os deveres e direitos de cada parte. Depois que tudo estiver explicado e esclarecido, passe para os alunos e solicite que cada um deles rubrique o contrato. Isso mesmo! Essa rubrica pode não ter valor jurídico, mas vai passar aos alunos a sensação de compromisso com aquele documento.

Separe uma cópia desse contrato e entregue para o representante de turma, assim todos podem consultar os termos para tirar dúvidas.

Essa é uma solução para evitar problemas com falta de informação, além de proporcionar aos professores uma segurança que ao menos uma boa parte dos alunos, está ciente sobre as regras.

Isso se aplica em EAD?

Ainda estou tentando encontrar uma boa maneira de implementar esse tipo de contrato em cursos a distância, mas não é fácil. Ainda mais se você quiser que os alunos deixem uma rubrica no documento. Para quem tem o modelo de aula inaugural, pode até funcionar, mas cursos totalmente assíncronos, acabam inviabilizando esse modelo.

Planejando o próximo semestre de aulas

O final do ano está chegando, com ele vem uma parte do trabalho dos professores que a maioria não gosta fechar os resultados dos alunos, fazer as famosas recuperações, ou como alguns gostam de chamar; nova oportunidade de avaliação. Além dessas atividades de praxe, os professores devem agora refletir sobre esse semestre que passou, para que seja possível potencializar os acertos e eliminar os eventuais erros. Esse é um ótimo momento para começar a pensar, nas iniciativas tecnológicas que você como docente pode começar a usar no próximo semestre. Que tal começar uma Wiki? Um Blog? Um Podcast? A tecnologia esta ai, só precisamos começar a usar.

Quadro verde - Sala de aula

Como começar? Quais os primeiros passos? Para começar uma iniciativa como essas, recomendo primeiro montar um pequeno plano de ação, com base no seu plano de aula ou treinamento.

As pessoas que realizam treinamentos corporativos também podem se beneficiar desse tipo de iniciativa.

A análise do plano de ensino ou ementa do seu curso deve servir para identificar os pontos passíveis de interação a distância. Os melhores pontos para realizar essa interação são os que envolvem contextualização. Por exemplo, se você ministra aulas sobre geografia, pode marcar uma parte da ementa para tecer comentários, sobre matérias na imprensa, que abordem o assunto.

Se você ministra aulas sobre matemática, comece a procurar infográficos ou material de referência, sobre aquelas fórmulas complexas, para publicar em um blog, para os seus alunos em momento oportuno.

O bom de usar a tecnologia é que podemos nos planejar para usar esses recursos, de maneira a facilitar o aprendizado. Para o pessoal da gestão, esse pode ser o momento de implementar Wikis na sua instituição. Fale com o coordenador do seu curso, caso você seja o coordenador melhor ainda, para que a equipe que cuida dos planos de ensino possa criar documentos colaborativos, usando Wikis.

As Wikis ainda podem ser aplicadas em sala de aula, no seu plano de ensino, localize aquele trabalho em equipe que os alunos precisam desenvolver programando o uso de uma Wiki, como suporte ao trabalho.

Esse é só o primeiro passo, fazer o levantamento dos assuntos passiveis de interação à distância. Veja os melhores:

  • Assuntos passíveis de contextualização
  • Material que possa ser explorado com conteúdo multimídia disponível na internet
  • Conteúdos que demandem polêmica e formem opinião
  • Assuntos relacionados à informática

Claro que isso não é simples de executar sem uma estrutura tecnologia. Se a sua instituição ainda não se preparou para isso, existem vários serviços gratuitos na internet, que disponibilizam Blogs e Wikis.

Agora é só selecionar os assuntos, para depois iniciar o planejamento. Não sabe quais os próximos passos? Nas próximas semanas publico mais textos sobre o processo de planejamento, para o próximo semestre. Com dicas para começar a trabalhar nesses ambientes.

Qual o tempo ideal para um curso a distância?

Assim que iniciamos um projeto para um novo curso ou treinamento, precisamos definir vários aspectos relevantes como objetivos e conteúdos abordados. Além desses pontos, que chegam a ser óbvios, precisamos definir a duração de cada disciplina ou até mesmo do curso como um todo. A legislação estipula o tempo mínimo para cada área do conhecimento, caso o curso seja técnico, de graduação ou até mesmo mestrados e doutorados possuem cargas horárias mínimas.

Essa semana li um artigo interessante no elearning tecnology, questionando se existia um tempo mínimo ou máximo ideal para cursos a distância?

Alunos entediados - curso a distância - Laboratório de informática

Como achei o assunto interessante, resolvi escrever esse artigo para tecer alguns comentários e expor uma experiência profissional. Até porque muita gente ainda tem dúvidas sobre as cargas horárias de cursos a distância, às vezes você cursa uma disciplina ou curso que é “vendido” como tendo 30 horas de aula, mas você recebe apenas 6 horas! Isso acontece porque as horas de auto-estudos estão contabilizadas nessa carga horária.

Sobre as cargas-horárias dos cursos tenho uma coisa a dizer: um curso a distância deve ser o mais curto possível.

Isso porque, cursos longos já tendem a ser desestimulantes, manter o foco e o interesse em cursos presenciais às vezes já é difícil. Em ambientes a distância então, sem a figura presente do professor e de um corpo pedagógico para incentivar os alunos, essa se torna uma tarefa muito difícil.

Então, se você tiver que planejar um curso desse tipo, tente ser o mais breve possível. Esse tempo que estou falando aqui é relacionado a carga horária total do curso, apesar de não ter sido abordado por Tony Karrer no artigo original, achei interessante mencionar.

Vamos agora ao assunto do artigo, o tempo a que ele se refere está relacionado aos módulos. Isso mesmo, um curso a distância é dividido várias vezes em módulos. Cada módulo é dividido de maneira seqüencial para que o curso tenha sempre uma progressão e reutilização dos conteúdos. Tudo para construir uma curva de aprendizagem mais estruturada.

Segundo o artigo original, cada módulo deve possuir uma duração mínima de 15 minutos e máxima de 30. Acho que 30 minutos é um ótimo limite para ensinar qualquer coisa. Lembre que em ambientes a distância, dificilmente os professores tem interrupções dos alunos durante as explicações, principalmente em ambientes que usam aulas via satélite (TV). Então uma explicação que na sala de aula, duraria facilmente 1 hora, em ambientes a distância o assunto se esgota em 10 ou 20 minutos. Tudo vai depender do poder de síntese do professor.

Isso é até uma coisa boa para os professores, pois ensina a ter disciplina e testar o nosso poder de síntese. Como nós gostamos de ensinar, além de sermos apaixonados pelo assunto/matéria sobre a qual estamos falando, temos uma tendência natural a falar demais.

Nesse sentido, posso relatar até uma experiência pessoal. Como coordenador de um curso a distância, na instituição de ensino em que trabalho, o nosso modelo de aulas é baseado em aulas pela TV. Os nossos módulos têm uma duração de aproximadamente 45 minutos. Em um primeiro momento o modelo se mostrou funcional, sem nenhum tipo de relato que indicasse um desconforto ou desestimulo por parte dos alunos.

Mas com o tempo, as pessoas tentem a ficar entediadas e o assunto começa a não render mais o esperado. Decidimos reduzir a duração do módulo para 30 minutos. Isso teve um efeito imediato! O aproveitamento dos alunos teve uma melhora significativa.

Acho que ainda vamos diminuir mais ainda o tempo dos módulos. Para tentar melhorar mais ainda o aproveitamento. Quando estamos falando de ambientes de TV ou até mesmo multimídia, a atenção e dedicação do espectador é um desafio. Ninguém agüenta ficar concentrado olhando e escutando uma pessoa falar por 30 ou 45 minutos ininterruptos. Precisamos criar pausas e mudanças, para que seja possível trocar um módulo e renovar o interesse pelo assunto. Não é por acaso que os blocos de programas para TV, têm aproximadamente 5 ou 10 minutos de duração. Não é só para exibir mais comerciais, esse é um artifício para deixar os programas menos cansativos.

Então agora você já sabe, vai organizar uma aula ou palestra? Tente usar módulos curtos. Mesmo que você não use TV, lembre que é mais fácil manter a atenção dos seus alunos ou platéia com textos curtos e objetivos. Além de tudo, estaremos assim, treinando o nosso poder de síntese.