Quando a narração em áudio é realmente necessária?

Estava lendo alguns artigos sobre design instrucional, quando encontrei um texto muito bom, sobre o uso de narração em áudio, para ambientes de aprendizagem à distância. Essa é uma dúvida muito comum, enfrentada por professores e designers instrucionais. Quando uma aula é roteirizada e planejada, para ambientes na web, alguns professores querem usar material multimídia. Isso é louvável, facilita muito o acesso e proporciona comodidade aos alunos. Como a maioria das pessoas, infelizmente não gosta de ler longos textos, quando o professor narra o conteúdo, as coisas ficam mais fáceis.

Mas será que o áudio é necessário em todos os momentos de um curso?

Microfone - narração em áudio

A resposta é não! Em algumas ocasiões o áudio pode até atrapalhar.

No artigo que citei no início, a autora, chamada Cathy Moore, cita alguns usos interessantes sobre quando usar o áudio e os seus impactos. Ela cita três pontos interessantes, sobre o uso do áudio:

  • O uso intenso de imagens com o áudio resulta em uma imposição ao aprendizado. O aluno não tem controle sobre o que ele quer aprender, ele se vê forçado a assistir todo o conteúdo apresentado pelo professor.
  • O uso de textos com silêncio na narração, passa ao aluno a sensação de controle. Ele pode escolher quais os textos são importantes para o seu aprendizado.
  • A narração em áudio impõe apelo cultural. Quando alguém narra um assunto, o seu linguajar deixa claro que ele é oriundo de uma determinada região. Por exemplo, um texto narrado por um carioca, seria facilmente detectado por alguém que conheça o sotaque característico daquela região.

Concordo com o texto da Cathy Moore, acho que ela descreveu bem o impacto do uso da narração. Quando converso com os professores, para elencar os assuntos que precisam de uma narração, sempre enfatizo que eles devem escolher os mais importantes. Como o assunto é de suma importância para a disciplina, nesse ponto é importante que o aluno não tenha escolha e assista a toda a apresentação. Caso ele não faça isso, a seqüência da disciplina pode ficar prejudicada.

O material em texto, que forma a maior parte do conteúdo de um curso, acaba sendo um complemento, para assuntos que não são tão importantes. Se você pretende começar a produzir material em áudio, cuidado com os aspectos culturais. Material em texto não apresenta esse tipo de apelo cultural, principalmente para cursos ministrados em âmbito nacional.

Então agora você já tem parâmetros para decidir, quando é o melhor momento para usar narração em áudio, voltado a cursos à distância. Pode até parecer um fator positivo, gravar tudo em áudio, mas esse pode ser um fator desestimulante para os alunos, sem falar que eleva o custo e o tempo de produção das aulas.

Esse é mais um texto, que ajuda a justificar as decisões de design instrucional.

Cursos gratuitos de línguas: Inglês, português, espanhol e até mandarim!

Qual o curso mais procurado na sua instituição? Um dado interessante em relação a instituições de ensino, que trabalham com cursos de línguas e educação à distância, esses cursos tendem a ser, uns dos mais procurados. O público desses cursos procura por formação específica, para melhorar os seus respectivos currículos, mas não dispõe de tempo disponível para cursar aulas presenciais. Até ai tudo bem, não existe nenhum problema em oferecer esse tipo de curso à distância. Ou existe?

Quem trabalha com educação a distância, sabe que esse tipo de curso que apresenta muita conversação e necessita de material audiovisual rico, pode ser um grande desafio para o design instrucional.

Mas existem casos de sucesso, que mesclam material em texto e áudio para ensinar línguas. Por exemplo, a BBC disponibiliza ótimos recursos para aprender línguas à distância em seu web site. Infelizmente o recurso é direcionado a usuários que falam inglês, mas já podemos ter ótimo ponto de referência para produzir nossos próprios cursos.

Cursos de linguas

A lista de cursos é impressionante, lá é possível aprender Frances, espanhol, Italiano e até mandarim! Isso mesmo! Existe um curso online para aprender a língua chinesa.

Os cursos oferecem recursos para usuários que querem aprender apenas o básico, mas também apresenta material para quem já conhece alguma coisa. Nos cursos existe material em texto, matérias em vídeo do acervo da BBC e arquivos de áudio em MP3.

O material multimídia mostra instantaneamente as diferenças na pronuncia das palavras. Por exemplo, no curso de português, eles mostram a pronuncia de “Bom dia” e fazem uma comparação fonética com a frase em inglês. A vantagem aqui é que podemos repetir quantas vezes forem necessárias, até aprender a pronuncia correta.

A integração do material multimídia aqui é de excelente qualidade, serve como base para qualquer projeto de educação à distância na área.

É uma pena que o material não esteja disponível para pessoas que falem português, mas mesmo assim é um ótimo recurso. Com um pouco de paciência e atenção é possível até aprender alguma coisa de Mandarim. Eu mesmo assisti às aulas, e já posso até dizer xieèxie que significa “obrigado”.

Design Instrucional: Estudo científico sobre o significado dos gráficos

Parte do trabalho de qualquer designer instrucional é transferir informações, do formato textual para uma linguagem mais visual. Isso envolve o uso intensivo de gráficos e outros artifícios, para apresentar dados. Muitas vezes o teor dos dados não importa para o design, mas sim a maneira como o aluno irá interpretar e compreender aqueles dados.

Sempre que precisamos fazer essa representação, algumas dúvidas e perguntas costumam aparecer na nossa mente; qual a melhor maneira de representar? Será que esse esquema de cores é a melhor opção? Como transmitir a informação?

Encontrar essas respostas não é tarefa fácil! Boa parte da interpretação desse tipo de gráfico é subjetiva, então cada pessoa apresenta um padrão bem definido.

Como sempre estou buscando fontes de informação sobre design instrucional, como artigos e textos científicos que expliquem as maneiras como as pessoas interpretam esse material. Acabei achando um muito interessante, na base de dados da universidade de Amsterdã. O título do artigo é “The Language of Graphics”, em uma tradução literal ficaria algo como “A linguagem dos gráficos”.

Linguagem Visual

A tese tem aproximadamente 218 páginas, estando disponível para download gratuito no seguinte endereço. O tema principal estudado na pesquisa é a maneira como se comportam e se classificam os principais tipos, de representação gráfica.

O estudo até cita algo interessante, a possível criação de uma gramática para a representação visual. Ela seria um norteador para qualquer tipo de comunicação visual. Com a vantagem de ser universal muito diferente das gramáticas para a língua escrita, que precisa lidar com um infindável número de regras para construir um padrão.

Veja uma descrição traduzida do sumário dessa tese:

  1. Representação gráfica
  2. Sintaxe dos gráficos
  3. Interpretação das representações gráficas
  4. Classificação das representações gráficas
  5. Análise das representações gráficas e a teoria dos gráficos
  6. Conclusões

Se você trabalha com design instrucional, para cursos de educação à distância, pode se aproveitar dos conhecimentos publicados nessa pesquisa. Podemos melhorar muito o nosso material educacional, fundamentando as nossas decisões com pesquisas científicas. Isso trará mais credibilidade para o seu material.

Ainda não terminei de ler a tese, mas com certeza ele vai ajudar muito na minha produção. Sem falar que é uma ótima referencia, para futuros trabalhos de pesquisa já que estou planejando entrar em um mestrado sobre EAD.

Design Instrucional: Exemplos de interações para educação a distância

Como em qualquer atividade que envolve criação, o design instrucional é uma das atividades mais complexas no processo de educação a distância. O problema muitas vezes é reunir um número razoável de idéias ou até mesmo planejar como ensinar determinado assunto, de maneira visual. Se você nunca teve nenhuma experiência parecida, o processo funciona assim. Primeiro o professor que faz a autoria do conteúdo da disciplina, organiza os assuntos e conteúdos em roteiros ou ementas. Depois que essas ementas estão prontas, o designer instrucional analisa o material em conjunto com o professor, para decidir como apresentar o material para os alunos.

A maneira mais fácil de apresentar qualquer tipo de conteúdo é com o uso de textos. Mas nos dias de hoje, em que o uso de multimídia está tão difundido na internet, usar esse tipo de recurso causa uma falta de eficiência na assimilação dos conteúdos. Todos sabem que a maioria dos alunos detesta ler. Mesmo tendo como missão fomentar a prática da leitura é sempre bom elaborar um plano de design instrucional, que mescle da melhor maneira possível conteúdos multimídia com textos longos.

Diagrama Design Instrucional

O problema de fazer esse planejamento é reunir um bom número de idéias ou inspiração para elaborar material. Para ajudar nessa tarefa, sempre tento visitar e analisar conteúdos de cursos a distância, produzidos por outros designers instrucionais. Durante a última semana, acabei encontrando uma ótima coleção de web sites com interações criadas para cursos a distância. O objetivo da lista é apenas buscar inspiração, para construir novas interações.

A lista pode ser acessada nesse endereço. Como a lista de cursos está em inglês, resolvi fazer uma pequena tradução de alguns dos destaques:

  • Gerenciamento de equipes virtuais
  • Curso interativo sobre o poder da educação a distância
  • Curso para pilotos: Como proceder quando as aeronaves apresentarem gelo na fuselagem
  • Curso sobre relacionamentos: Como identificar o sorriso falso
  • Curso interativo de inglês
  • Curso interativo sobre tipo sanguíneo

Como você pode perceber, a quantidade e variedade de assuntos são enormes. Se você quiser conhecer diferentes tipos de interações e abordagens para o design instrucional, recomendo uma visita a cada um dos cursos!

Design Instrucional: Como converter e abrir arquivos do Office 2007?

Um problema muito comum quando se lida com vários alunos é gerenciar a padronização das informações. Para cursos a distância, que demandem uma grande produção de material pelos alunos, os professores e tutores precisam usar vários artifícios para poder abrir arquivos e acompanhar os alunos. Um exemplo disso foi a experiência que tive no primeiro semestre, com um grupo de tutores que acompanhava cerca de 1000 alunos a distância.

Em determinado momento, algumas tarefas de pesquisa precisam ser desenvolvidas pelos alunos. Muitas dessas tarefas são realizadas na casa dos alunos. Bem, o problema é que mesmo solicitando aos alunos para salvar os seus textos e planilhas em formatos comuns, como o do Office 2003. Uma boa parte deles salva os seus trabalhos no formato do Office 2007.

Logo do Office 2007

Para que nunca passou por isso, esses formatos são incompatíveis. Não é possível abrir arquivos com extensão docx, xlsx e pptx no Office 2003 e Open Office. Isso gerava um problema enorme! A maioria dos tutores usava o Open Office, na faculdade a plataforma adotada era o Office 2003. Como resolver?

Diante dessa situação, só podíamos solicitar aos alunos para converter os arquivos para o formato do Office 2003. O problema é que uma boa parcela não fazia isso. Depois de certo tempo, até os professores autores, contratados para fazer o projeto de disciplinas, passavam a enviar os textos das suas disciplinas no formato docx. Isso estava se tornando um problema de design instrucional.

Até pouco tempo atrás não havia solução rápida para isso. Pois agora a Microsoft lançou um pacote de ferramentas próprias para visualizar e converter arquivos do Office 2007, sem que você necessariamente tenha essa versão do Office.

Veja as opções:

  • Pacote de compatibilidade: Com esse download é possível abrir e converter arquivos do Office 2007 com as versões 2000, XP e 2003. O único inconveniente é possuir alguma versão do Office instalada. Mas já resolve uma parte do problema, na maioria das instituições existem algumas estações com Office.
  • Visualizador de arquivos: Essa ferramenta permite abrir e visualizar arquivos do Word 2007. Para quem não tem nenhuma versão do Office, pode ser uma opção.

Ambas as opções são oferecidas de maneira gratuita pela Microsoft. Se você já passou por esse problema, agora já sabe como pode resolver. Se você for tutor ou trabalha com tutores de cursos a distância, essas ferramentas são extremamente úteis!

Fonte: AUGI