Como identificar potenciais objetos de aprendizagem?

Sempre que você trabalhar com projetos relacionados com educação a distância, saiba que o uso dos objetos de aprendizagem será considerado como o auge em organização e criação de conteúdos, para meios eletrônicos de aprendizagem. Caso você não lembre, esses objetos são partes segmentadas dos cursos, que funcionam de maneira independente, que podem ser reaproveitadas dentro de vários cursos, compostas pelas mais diversas mídias, desde textos até vídeos. O grande desafio em elaborar objetos de aprendizagem é que o designer instrucional envolvido no projeto dos cursos precisa de amplo suporte de especialistas no assunto abordado, para identificar os potenciais objetos de aprendizagem.

Nesse final de semana mesmo, estava trabalhando no design de alguns cursos para o meu ambiente de educação a distância próprio, em que ofereço alguns cursos direcionados para a área de computação gráfica, quando comecei a analisar os projetos dos cursos. Em determinado momento, estava analisando alguns trechos de aulas e pensando já em futuros cursos, quando vislumbrava de imediato determinadas partes do curso, inseridas em futuras iniciativas. Naquele momento consegui identificar um objeto de aprendizagem em potencial, ao longo da tarde em que fiquei trabalhando no projeto, identifiquei mais 3 partes do curso que tem potencial para se transformar em objetos de aprendizagem.

Agora, a dúvida que fica é a seguinte; será que eu conseguiria identificar esse objeto de aprendizagem sem o conhecimento do assunto do curso, assim como de cursos futuros? Acredito que não.

Portanto, se você pretende trabalhar com objetos de aprendizagem, aqui vão algumas dicas para poder potencializar a identificação desses objetos, caso você não seja especialista na área do curso:

  1. Sempre solicite a um especialista no assunto, projetos ou esboços de projetos para mais de um curso.
  2. Os projetos dos cursos devem estar segmentados da melhor maneira possível, com objetivos bem definidos para cada parte.
  3. Caso seja necessário um mínimo de conhecimento técnico, pergunte a um professor da área ou especialista.
  4. Tente fazer prognósticos de cursos futuros, em que seja possível aproveitar partes introdutórias ou conceitos teóricos de alguma determinada área.
  5. Na produção dos materiais dos cursos, não faça referências ao curso como um todo, apenas ao assunto que está sendo abordado. Isso é extremamente importante se o material for audiovisual. As referências para o curso atual podem ser feitas com pequenos elementos gráficos, colocados no material de estudo na pós-produção. Assim fica mais fácil reutilizar o conteúdo em vários cursos, sem precisar gravar ou produzir partes da aula novamente.

Com essas dicas fica mais fácil trabalhar com objetos de aprendizagem. Pensei nisso, depois de trabalhar no projeto dos cursos.

Agora que estou trabalhando no projeto de cursos para esse ambiente, que por sinal usa o Moodle estou tendo várias idéias interessantes de como organizar conteúdos. Assim que tiver mais alguma dica, publico aqui no Blog.

Plano de aula em ambientes eletrônicos: O aluno deve ter o controle sobre o aprendizado?

Os cursos oferecidos por internet apresentam várias características que podem literalmente estimular ou criar um cenário de desastre, no que refere aos objetivos educacionais. Esse problema é mais evidente em cursos assíncronos, em que alguns sistemas LMS como o próprio Moodle permitem que o aluno tenha controle sobre a seqüência de aprendizagem. Mesmo essa não sendo uma característica única do Moodle, a maioria dos sistemas LMS apresentam seqüências de aprendizagem lineares, com os alunos tendo pouco ou nenhum controle sobre quais partes assistir ou pular dentro do plano de aula.

Nesse tipo de sistema as aulas são passadas como apresentações de slides, em que as pessoas só podem pressionar o botão “próximo” após alguns segundos de consulta ao slide atual, para garantir a consulta ao material. Isso é muito comum em treinamentos corporativos, mas é uma prática que começa a encontrar adeptos em ambientes acadêmicos.

A pergunta que temos que fazer é; qual o melhor método?

Day 253: Last Arabic Lesson

A resposta para essa pergunta é difícil, dependendo muito do público alvo e dos objetivos da disciplina. Quem trabalha com educação, sabe que existe uma grande parcela dos alunos que se pudesse, faria apenas as avaliações para tentar “se livrar” da disciplina. Isso tem reflexos nos ambientes virtuais de aprendizagem, com muita gente tentando fazer as atividades, sem consultar e assimilar os conteúdos.

Posso dizer por experiência própria, que o controle dos alunos sobre o aprendizado é bom apenas em níveis mais altos de educação, como cursos de pós-graduação em que a maturidade dos alunos para o processo é muito maior. Mesmo assim ainda é fácil encontrar dentro dos cursos a distância alunos que fazem apenas as atividades e não consultam os conteúdos.

A possibilidade de obrigar os alunos a consultar um determinado conteúdo em ambientes virtuais é tão importante, que está sendo desenvolvido um sistema de pré-requisitos para o Moodle 2.0. Hoje, isso ainda é um recurso que faz falta no Moodle, mas que pode ser contornado com critérios claros de participação para os alunos. Por exemplo, ao começar uma nova disciplina, o tutor a distância pode marcar conversas em chats ou criar atividades que demandem conhecimento do assunto, como a análise de textos ou interpretação de pesquisas. Tudo com base no conteúdo.

Podemos fazer o seguinte sumário dos tipos de controle:

  • Seqüência livre: Aqui os alunos têm liberdade para escolher o que será consultado, inclusive escolher se querem ou não pular partes do conteúdo. Como são necessários maturidade e conhecimento prévio do conteúdo, para que a exclusão de qualquer assunto da seqüência de aprendizado não seja prejudicial ao aluno, esse método é indicado para cursos de pós-graduação ou que apresente alunos com maior nível de maturidade.
  • Seqüência controlada pelo plano de ensino: Com a segunda opção, os alunos precisam seguir uma linha definida pelo plano de ensino do curso/disciplina. O método é indicado para cursos ou disciplinas em que o professor ou tutor quer que o aluno consulte os materiais, de maneira obrigatória.

Portanto, é importante conhecer a faixa etária dos alunos que participam dos cursos virtuais e principalmente as limitações do ambiente utilizado. No caso do Moodle, alguns tutores usam como estratégia a disponibilização do conteúdo bem antes das atividades, para que os alunos possam fazer o download do texto e só depois de alguns dias, as atividades ficam disponíveis.

O melhor mesmo é refletir bem sobre isso, para fazer a escolha correta com base na faixa etária dos seus alunos e as ferramentas disponibilizadas aos alunos.

Guia para ensinar com tecnologia

Imagine a seguinte situação, você é um professor universitário e recebe uma determinação da direção acadêmica da sua instituição; os docentes devem fazer uso de tecnologia para educar! Sei que esse tipo de determinação ainda é difícil em instituições de ensino no nosso país, o uso de tecnologia é encarado como “desperdício” de dinheiro ou até mesmo como entrave para o processo de ensino. Um dos motivos é plausível, a maioria dos alunos ainda tem difícil acesso a computadores e internet, e para um professor colocar como obrigatório o uso de recursos educacionais, disponíveis apenas para quem tem acesso a internet é complicado.

Se bem que, quando os alunos querem usar a internet como forma de entretenimento, eles sempre encontram uma maneira de acessar!

Mas, voltando ao assunto do artigo, o que um professor pode fazer se receber uma determinação da sua instituição de ensino para usar tecnologia? A solução é pesquisar e estudar.

teacherworkshop

Não seria ótimo se a instituição de ensino disponibilizasse os recursos e materiais de apoio, para que os professores desenvolvessem as competências e habilidades necessárias para usar a tecnologia? Foi isso que a Universidade da Flórida fez, eles disponibilizam uma página com várias dicas sobre como usar tecnologia em sala de aula.

A lista é muito interessante e tem alguns recursos que podem ser aproveitados por professores de outras instituições. Veja a lista dos recursos listados na página:

  • Como fazer o fechamento de notas usando planilhas eletrônicas, como o Excel
  • Como identificar plágio no trabalho dos alunos. Esse é um recurso de sumária importância para professores, que ensinam na era o “copiar e colar”.
  • Como fazer textos em formato de Web Site e enviar o material para um servidor
  • Como criar aulas em formato de PodCast
  • Como criar aulas com slides do PowerPoint com narração
  • Como transformar apresentações em PowerPoint em vídeo
  • Como usar Blogs e Wikis em sala de aula

Cada um desses tópicos é apresentado com um pequeno guia, explicando aos professores o que eles devem fazer para aproveitar os recursos e potencialidades.

No final da página ainda existem links, para web sites e artigos sobre o uso de tecnologia e educação.

Muito legal a iniciativa da universidade, caso você esteja passando pela mesma situação, de adaptação em relação aos métodos tradicionais de ensino, para um que use com mais freqüência a tecnologia, recomendo a leitura dos guias e o uso do material como referência para um estudo mais aprofundado.

Mais uma universidade migra para o Moodle

Não é novidade para ninguém, quando sou questionado sobre o melhor sistema LMS para uma instituição de ensino, a resposta é categórica; Moodle! Aqui no Brasil, esse ainda é um assunto polêmico, pois os chamados softwares livres, que são associados com ferramentas gratuitas não são bem vistos por instituições de ensino privadas. Elas ainda preferem pagar pequenas fortunas, para terceirizar o serviço com empresas que vendem um “pacotão”, com sistema LMS e uma suposta metodologia EAD. Mas, existe uma luz no fim desse túnel, pois existe um movimento muito forte, de universidades mundo afora migrando para sistemas abertos como o Moodle.

Sempre que sai uma notícia relacionada com isso, guardo para apresentar em futuros projetos de implantação, para apresentar como documentação de apoio.

Sharjah University City in the morning - "Uni-Stadt" in Sharjah am Morgen

Agora foi a vez da universidade da Louisiana, nos EUA. Eles estão em processo de migração para a plataforma Moodle, e segundo essa notícia veiculada no web site da universidade, eles estão sendo acompanhados de perto pela empresa responsável pelo último LMS da instituição, o difamado BlackBoard.

No artigo, o pessoal responsável pelo setor de tecnologia educacional, fala que eles ainda não estão 100% certos da migração, mas que as expectativas são muito promissoras.

Qual a maior vantagem em usar o Moodle? Não é a metodologia, segundo o artigo o pessoal da universidade está mais animado com a possibilidade de desenvolver as suas próprias ferramentas, com necessidades específicas da instituição de ensino. Eles já haviam solicitado a Blackboard o desenvolvimento de várias ferramentas específicas, mas sem nenhuma resposta. A natureza aberta do Moodle permite que a própria instituição de ensino faça as adaptações.

Mas e os custos? O valor que era pago em licença, agora é destinado à equipe de suporte, para a personalização e adaptação do Moodle!

Essa não é a primeira e nem será a última instituição de ensino a fazer essa migração, o caminho é inevitável. Será o fim dos sistemas LMS proprietários? Não sei dizer ao certo, mas com certeza essas empresas devem passar por profundas mudanças nos seus modelos de negócios, caso queiram continuar inseridas no mercado de tecnologia educacional.

Pesquisa e avaliação do Moodle, Sakai e WebCT

Como saber se a escolha do seu LMS foi a correta? Ou melhor, como saber se é a hora certa de migrar? Essas são perguntas comuns a qualquer pessoa que trabalhe com gestão de sistemas relacionados com EAD. Para piorar as informações, fica difícil fazer pesquisas de aceitação ou desempenho em instituições de ensino, primeiro pelo fato desse tipo de informação ser considerada estratégica e pelo alto custo de um levantamento como esse. Já pensou bater na porta de uma instituição de ensino superior e perguntar se os alunos estão gostando as iniciativas de EAD?

Apesar da dificuldade em conseguir esse tipo de informação, estou sempre procurando pesquisas sobre o uso de sistemas LMS. Claro que o meu maior interesse é no uso do Moodle, ferramenta que uso e recomendo para todos que precisam implementar sistemas EAD, em instituições de ensino.

Moodle Wallpaper

Uma das ultimas pesquisas que encontrei, foi realizada na universidade de Idaho. Eles tinham um problema simples, escolher uma plataforma LMS. Dentre as opções que eles tinham estavam:

Essa última ferramenta é propriedade da mesma empresa responsável pelo Blackboard. Antes de continuar, para fazer o download da pesquisa, use esse link direto ao arquivo PDF.

A pesquisa é uma das mais completas que já encontrei. Se você fizer o download do arquivo, vai perceber que o documento tem mais de 100 páginas.

No documento, eles deixam bem claro que o problema a ser investigado é a escolha do sistema para aulas a distância. Bem, para encontrar a resposta, foi montado um grupo de estudos que investigou os três sistemas sob vários aspectos. A pesquisa inclui até questionários aplicados junto aos alunos.

Recomendo o material para qualquer pessoa que estude ou trabalhem com EAD, as informações apresentadas são de grande utilidade. Os pesquisadores, interessados em realizar o mesmo trabalho, para artigos, dissertações ou teses tem uma ótima referência de pesquisa e coleta de dados.

Agora, me permita dizer a conclusão da pesquisa. Depois de todas essas análises, a recomendação de LMS é o Moodle! Dentre os pontos positivos do Moodle, que fizeram a universidade de Idaho escolher o Moodle à pesquisa destaca:

  • Destaque em aspectos pedagógicos e usabilidade
  • Melhor custo x benefício
  • Problemas de suporte em aplicações proprietárias
  • Critérios de avaliação para os cursos e disciplinas
  • Integração com outras tecnologias e serviços educacionais
  • Solução de longo prazo confiável

Quer saber mais? Antes de fazer a pesquisa, a universidade usava o WebCT e começaram a migrar para o Moodle depois da pesquisa. Parece que o Blackboard está perdendo mercado nas universidades americanas. Essa não é a primeira, e nem será a última que vejo migrando do Blackboard para o Moodle.

Fica ai a informação para quem trabalha com EAD.