Mais ferramentas avançadas para EAD no Moodle 2.0

Estou acompanhando com muita expectativa o desenvolvimento do Moodle 2.0, sendo essa uma das maiores atualizações em termos de ferramentas para gestão de cursos. Dentre essas novidades, algumas são relacionadas com atividades e novos módulos, como a possibilidade de usar os blogs internos como tarefas para os alunos. Com isso o professor poderá orientar os seus alunos a publicar um texto, em que o mesmo ganhará uma nota pela publicação. Ainda não conheço outro sistema LMS que consiga fazer esse tipo de união, entre ferramentas da web 2.0 e sistemas voltados a educação.

Agora, o que mais está me chamando a atenção mesmo é a gestão de conteúdo, com a possibilidade de usar uma sistema robusto de gerenciamento de conteúdos chamado Alfresco. Ele também é de código aberto e pelo que pude perceber, com o seu uso, instituições de ensino que tem várias turmas e conteúdos em diferentes disciplinas no Moodle vão se beneficiar em muito da integração.

Quer ver um exemplo? Hoje mesmo existem algumas universidades que usam os dois sistemas integrados, mediante uma pequena alteração em ambos. Como a Universidade de Athabasca, que inclusive fez uma pequena apresentação sobre a utilidade e métodos para fazer ambos os sistemas funcionar.

Esse é o vídeo que explica a união do Alfresco com o Moodle:

Não entendeu?

Em poucas palavras, o que está acontecendo ali é o seguinte:

1.    Você cria o conteúdo voltado para o moodle, com o uso de qualquer ferramenta da internet.
2.    Depois que o conteúdo estiver pronto, o Alfresco “envia” esse conteúdo para o Moodle, mediante um servidor intermediário.
3.    O moodle recebe o conteúdo, em formato de texto ou arquivos para as pastas dos próprios cursos.

Só isso? Não, a vantagem aqui é o gerenciamento. As alterações e modificações no conteúdo podem ser feitas sem a necessidade do Moodle, até mesmo a replicação dos conteúdos pode ser feita em várias disciplinas ao mesmo tempo. Pelo menos é isso que se espera de um gerenciador de conteúdos.

Ainda não tive oportunidade de usar o Alfresco, mas com essa notícia e a integração com o Moodle, vou começar a fazer os devidos testes imediatamente!

Visite o web site do Alfresco para saber mais sobre o sistema.

Material impresso ou eletrônico para cursos pela internet (EAD)?

Sempre quem for necessário criar uma nova iniciativa em cursos a distância, seja um curso completo ou os que são chamados de semi-presenciais, os gestores do curso precisam decidir a porcentagem de material impresso, que é entregue aos alunos. Essa é ao mesmo tempo uma ação que contradiz os avanços em termos de aprendizado pela internet, mas que ao mesmo tempo reflete a realidade socioeconômica do nosso país. Sim, os gestores de curso ainda precisam investir pesado em material impresso como apoio as iniciativas de cursos pela internet, sejam em faculdades ou qualquer outro nível educacional.

Apoio Livros

Quando esse tipo de material não é disponibilizado pela gestão do curso, os alunos acabam imprimindo todo o material da internet, para estudar nos mais variados lugares. Isso tem impacto direto na realização das atividades e exercícios na internet. Por exemplo, ao preparar um questionário na internet o designer instrucional precisa prever o primeiro acesso dos alunos, para que o texto das perguntas seja impresso e estudado. Para depois que tudo estiver previamente respondido, apenas no segundo acesso ao sistema os alunos respondem aos questionários. Essa é a realidade dos alunos.

Então, se essa é a grande realidade, não há razão para que uma versão própria para impressão das perguntas, mesmo que não existem as alternativas dos questionários, esteja disponível de maneira a permitir que os alunos possam imprimir mnaterial próprio para seu estudo longe do computador.

Por isso é que a presença de uma pessoa com experiência em design para impressão é importante na equipe de design instrucional, mesmo nos cursos baseados apenas em internet, que usam sistemas como o Moodle para prover o aprendizado.

Mas e o material multimídia? Nesse caso, o mais interessante é fazer um pequeno texto descrevendo os assuntos abordados no vídeo ou mesmo possibilitar o download dos materiais, para que o conteúdo possa ser consultado em celulares ou players de vídeo.

Esse é outro aspecto interessante dos alunos, vários deles ainda não têm computador e acesso a internet rápida, mas tem celulares com capacidades avançadas na reprodução de conteúdos multimídia.

Como selecionar projetos de pesquisa, para artigos e monografias?

Como estou sempre envolvido com a produção de cursos e disciplinas, a experiência em sala de aula me ajuda muito a entender as necessidades dos alunos, por isso acredito que todo o designer instrucional, deva ter experiências com docência. No meu caso, eu era professor antes de me dedicar ao design instrucional, por isso a transição foi feita de maneira rápida e simples, isso até me ajudou no planejamento de material didático. Quando você faz o planejamento sem conhecer os alunos, tudo fica mais difícil e os erros começam a aparecer. Material escrito para um perfil diferente de público, sempre prejudica o aprendizado.

Uma das coisas que me meus alunos sempre me perguntam é a escolha de temas, para projetos de pesquisa como monografias e artigos científicos. Nesse departamento, devo confessar que ando um pouco relapso, pois estou me dedicando mais a produção de livros que a de material científico como artigos. Mas, mesmo assim, acho que com os livros, posso ajudar um número maior de pessoas. Já escrevi dois deles e estou trabalhando na criação de mais dois, espero que os primeiros rascunhos estejam prontos até o final de janeiro.

Infografico

Quais os conselhos que passo para meus alunos?

A escolha dos temas para esse tipo de estudo é fundamental para o sucesso da iniciativa. Como os alunos ainda têm pouca experiência, eles não sabem ao certo sobre qual assunto escrever. Por isso recomendo que os mesmos façam uma primeira pesquisa, procurando por problemas na sua área de conhecimento. Sim, uma boa pesquisa científica deve fazer a análise e procurar soluções para problemas. Claro que isso não é tudo, mas a análise e resolução de problemas é um ótimo começo.

Uma das maneiras de localizar esses problemas e na própria sala de aula, vendo as dificuldades dos alunos no aprendizado de algum assunto. Mesmo sendo um problema relacionado ao ensino, é uma oportunidade para discorrer uma análise sobre o assunto e propor uma solução.
Outra oportunidade tem relação com os estágios, em que o aluno pode identificar no seu local de trabalho, os principais problemas e dilemas de uma atividade profissional. Escolha o tema e discorra sobre ele.

Depois que a oportunidade for identificada, então o próximo passo é estudar o assunto, ler livros e reunir material na internet como outros artigos e documentos, para comprovar que o assunto realmente é pertinente. Com tudo isso reunido, tudo que é preciso agora é um pouco de esforço e trabalho de pesquisa, para propor uma solução para o problema.

Simples? Eu sei que escrever “como fazer” é muito mais fácil, mas esse tipo de receita básica sobre projetos de pesquisa deveria fazer parte do arsenal de ferramentas de todos os professores. Se você tem experiência em sala de aula, deve saber que nem todos os alunos têm inclinação para pesquisa, mas com uma ajuda rápida, eles podem começar a se interessar.

Nessa fase, não mencione as famosas normas da ABNT, essa parte gera um pouco de medo nos alunos. O mais importante é realizar a pesquisa, depois que o material estiver pronto a formatação será o menor dos problemas do aluno.

Material da Wikipédia, como links complementares em aulas?

Esse é um assunto polêmico entre professores e alunos que participam de aulas a distância, ministradas em ambientes como o Moodle. Todos que participam da produção de cursos pela internet, sabem que um dos maiores problemas é a produção do conteúdo, na sua grande maioria baseado em auto-estudo, portanto precisa de muito texto. Mas, e quando o professor não tem experiência ou tempo para escrever esse tempo?

Nem todos os docentes gostam de escrever. Nesse caso, o uso de material que já está disponível na internet é a melhor solução, se o texto está disponível em algum local público, não há motivos que impeçam que o professor indique esse material para seus alunos.

Em várias pesquisas por conteúdo educacional, os professores se deparam com material publicado na Wikipédia. O meu questionamento é; vale à pena usar esse material?

Wikipédia Logo

O objetivo desse artigo é questionar o uso educacional, apenas de material oriundo da Wikipédia e não o projeto como um todo, sou usuário da enciclopédia e acho o sistema extremamente útil. Mas, como todos que acompanharam o desenrolar da própria Wikipédia, o sistema ficou famoso pela apresentação de informações equivocadas e caluniosas sobre determinados assuntos. A ação incisiva dos organizadores da enciclopédia diminuiu bastante a incidência desse tipo de problema, mas ainda fica certo estigma no ar.

Quando faço a revisão de alguma disciplina de um colega professor e encontro vários links da Wikipédia, sempre questiono o professor sobre a real necessidade de usar aquele material, e se é possível encontrar substitutos.

A questão é bem simples, um aluno que está participando de um curso pago, dificilmente aceita a indicação de material disponível em uma enciclopédia gratuita, como material educacional. Seria algo como realizar a inscrição em um curso, e receber links para web sites na internet como material, e não uma apostila ou CD-ROM personalizado.
Mas, e se não houver alternativa ao material? Bem, nesse caso recomendo complementar o link da Wikipédia com comentários pessoais. Veja o que você pode fazer para enriquecer o conteúdo:

  • Sempre indique o link junto com um comentário de texto, concordando ou discordando do material disponível na enciclopédia
  • Incentive seus alunos a usar os textos da Wikipédia como referência para um fórum. Caso o material tenha informações polêmicas, essa pode ser uma oportunidade para uma discussão muito produtiva
  • Os textos da Wikipédia podem ser usados como um dicionário, em que links podem ser feitos para verbetes presentes em textos da autoria do próprio professor. Por exemplo, ao descrever uma palavra complicada como cognição, não é necessário explicar a palavra, apenas aponte o link.

Assim você minimiza as reclamações e desconfianças dos alunos em relação ao uso da Wikipédia em disciplinas EAD.

Quando usar fóruns em ambientes de educação a distância?

Dentre as ferramentas disponíveis em sistemas voltados para educação na internet, os fóruns são uma das opções mais usadas em cursos, para promover o diálogo e discussão entre integrantes da mesma classe. Porém, antes de continuar falando das desvantagens e vantagens dos fóruns, em ambientes como o Moodle, preciso confessar uma coisa; não acredito no valor educacional dos fóruns. Sim, pelo que tenho visto nos cursos em que pude acompanhar a experiência dos alunos, os fóruns têm pouca ou nenhuma contribuição para o processo de aprendizagem, servindo mais como meio de comunicação entre os alunos e tutores.

Para quem não sabe o que é um fórum, esse é um sistema em que um usuário pode publicar uma mensagem, com comentários ou dúvidas, em que outra pessoa pode responder. O conjunto de várias mensagens na mesma página na internet forma o ambiente do fórum.

Qual o problema em usar um fórum para educação? Apesar de ser uma ferramenta que funciona na internet, o uso dos fóruns apresenta o mesmo problema das dinâmicas de grupo, em que os primeiros alunos a expor idéias, acabam influenciando o comportamento dos próximos participantes. Para o professor, fica difícil saber a quantidade real de alunos que tinha uma opinião formada antes que os primeiros alunos a participar.

fóruns

Nos fóruns acontece a mesma coisa, depois que os primeiros alunos começam a participar das discussões, publicando mensagens, os alunos que participam na seqüência, acabam baseando suas opiniões nas mensagens publicadas pelas primeiras pessoas.  Sem mencionar que quando um fórum exige a apresentação de algum tipo de conhecimento, como a descrição de uma biografia ou pesquisa, o espaço se transforma em um festival de “copiar” e “colar”.

Esses são os problemas, então quando é que um fórum deve ser usado? Dentre todas as experiências que tenho presenciado, os fóruns tem funcionado melhor, quando o seu uso é condicionado à seqüência de uma atividade prática. Nesse caso, os fóruns se ajustam de maneira perfeita ao ensino baseado na resolução de problemas. Por exemplo, você apresenta um problema ou projeto que o aluno precisa desenvolver, e depois que os prazos para execução do projeto terminam, os alunos podem usar os fóruns, para comentar as dificuldades e benefícios, de realizar o trabalho.

Assim como os blogs, as mensagens nos fóruns devem ser condicionadas a interpretações subjetivas dos alunos, com depoimentos e opiniões pessoais. Nada melhor que usar essa ferramenta, como meio para divulgar e compartilhar, experiências que podem ser únicas, relacionadas com o envolvimento nos projetos propostos pela disciplina.

Com esse tipo de organização, o funcionamento do fórum é favorecido. Os cursos que usam apenas fóruns, como meio de interação, sem tarefas bem definidas, podem não funcionar muito bem.