Como fazer Benchmarking na área educacional?

A palavra Benchmarking é mais usada e conhecida na área de gestão de empresas, economia e marketing. Mas, o que é fazer Benchmarking? De maneira bem resumida, é o ato de estudar a maneira com que um concorrente oferece serviços, para que seja feito um comparativo, entre os serviços prestados pela própria empresa. Claro que a definição poderia apresentar mais explicações, mas para esse artigo é suficiente. Seria um tipo de espionagem? Sim, tem tudo haver com o ato de espionar, mas o propósito é nobre; melhorar os seus próprios serviços.

Na área de educação, em especial no trabalho de um designer instrucional, isso é muito importante. Quando um designer precisa montar um curso, seja o projeto pedagógico ou o material de apoio, sempre fica aquela dúvida sobre o quanto o material atende a demanda da instituição. Por isso, que conhecer o que as outras instituições fazem e oferecem é importante, despertar o senso crítico para perceber o que pode ser melhorado.

Para os alunos isso é muito bom, pois como consumidores de serviços educacionais, eles acabam sempre tendo projetos renovados e materiais educacionais cada vez mais aprimorados.

Teaching my first college class

Já que isso é importante, sempre aconselho as pessoas que pretendem trabalhar com design instrucional para fazer cursos em todas as áreas, se for gratuito melhor ainda. Até mesmo em instituições de ensino concorrentes.

Claro que isso tem custo, não são todas as instituições que têm condições financeiras de bancar um curso para uma pessoa, apenas para que ela conheça a metodologia de ensino. Para a maioria das pessoas e designers instrucionais, a melhor opção ainda é visitar cursos gratuitos.

Um dos melhores recursos, em relação a cursos gratuitos, que conheço é o Open Courseware do MIT. Esse é um sistema organizado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), que oferece conteúdo e cursos abertos na web.

A lista de cursos é enorme, veja alguns dos assuntos disponíveis:

  • Disciplinas para cursos de saúde
    • Medicina
    • Odontologia
    • Nutrição
    • Veterinária
  • Disciplinas para cursos de tecnologia e ciências humanas
    • Ecologia e sistemas sustentáveis
    • Artes
    • Comunicação visual
  • Ferramentas para ensino

Como você pode perceber pela lista de cursos envolvidos, o material é muito abrangente. Acretido que um designer instrucional, pode ficar dias, só consultado os materiais disponíveis nos cursos, que são todos projetados para funcionar de forma assíncrona. Tudo baseado em auto-estudo.

Cada curso apresenta slides em PowerPoint, textos ou vídeos. O material tem diferentes níveis de qualidade, desde o mais simples até o mais sofisticado. Fiquei curioso para consultar o material sobre cursos de medicina e odontologia, que dificilmente recebem esse tipo de tratamento, baseado em tecnologia aqui no Brasil.

Na verdade é apenas uma questão de cultura, será que um estudante de medicina não poderia se beneficiar de animações 3d e material multimídia, como esse coração virtual?

É só questão de cultura.

Fica a dica para consultar o material no OpenCourseWare.

Mais modelos de slides e planos de fundo gratuitos para PowerPoint

Como é possível criar um padrão para apresentações em PowerPoint? Na maioria das instituições de ensino, os gestores recomendam que os professores e instrutores usem um mesmo tipo de modelo de slides, para apresentações em PowerPoint. Sem esse tipo de decisão, os professores acabam adotando padrões de apresentação completamente diferentes, o que acarreta um pouco de confusão nos alunos. Por um lado, adotar um padrão de slides é uma ótima opção, mas por outro isso limita o uso de designs mais elaborados e até mesmo o uso de material multimídia mais sofisticado em apresentações.

A maioria das instituições que conheço, adota no máximo duas variações de cor para apresentações em slides. O que ainda é muito pouco, considerando a variedade de assuntos que precisam ser explicados com o uso de slides.

Se a sua instituição de ensino ainda não escolheu um padrão de apresentações em slide, encontrei um link que pode ajudar, com vários modelos gratuitos.

Veja o que o pessoal da ETC (Educacional Technology Clearinghouse) fez, eles criaram uma lista com modelos de apresentações em PowerPoint, para uso em escolas e instituições de ensino.

Na lista é possível até mesmo encontrar modelos para apresentações do Keynote da Apple, coisa que não é muito fácil de encontrar na internet.

Na lista de modelos é possível encontrar modelos de apresentações para os mais variados tipos de contextos, desde apresentações voltadas para a área de tecnologia, até mesmo material para a área de saúde, que também é difícil de encontrar. Claro que também estão disponíveis modelos mais abstratos, que se adaptam em praticamente qualquer contexto.

O total de modelos disponíveis é de 34.

Quer mais? Além dos modelos prontos de apresentações, o sistema disponibiliza mais de 20000 (vinte mil) imagens prontas para usar como plano de fundo em slides. Nessa parte do ETC, relacionada apenas para apresentações é que você pode realmente aproveitar os recursos disponíveis para criar seu próprio padrão de apresentações.

Com essa gama de recursos disponíveis, acredito que todos possam criar modelos de apresentações para PowerPoint eficientes e com boa qualidade visual.

Produção de gráficos e ilustrações no design instrucional

Um designer instrucional é um profissional que aceita desafios, que literalmente o fazem reaprender tudo que ele sabe. No seu trabalho diário, esse designer especializado em projetar material educacional e cursos, encontra disciplinas e áreas do conhecimento que não domina, mas mesmo assim precisa encontrar maneiras e idéias para ensinar e facilitar o aprendizado. Dentre essas áreas que exigem muito do designer está a de saúde, que na maioria das vezes apresenta material caro e complexo. Por exemplo, no ensino de genética ou outros processos celulares, o processo de aprendizagem em ambientes eletrônicos geralmente requerem o uso de animação ou vídeos, para ilustrar melhor o procedimento.

O desafio do designer é encontrar sempre a melhor maneira de demonstrar as informações, de uma determinada disciplina ou curso. Para ajudar os que precisam passar por esse tipo de desafio, encontrei um artigo muito interessante, publicado por um designer chamado Tim Showers.

Obama Nomination Speech Wordle

O texto que ele publicou é intitulado “Estratégias de visualização para imagem e texto“.

Como o próprio título menciona você não encontrará nenhuma referência a visualização de dados em animação ou vídeo, mas como esse tipo de material é muito caro para se produzir, pode ser até melhor conhecer os meios tradicionais de representação.

Além de mencionar os vários tipos de estratégias para visualização, o autor indica vários recursos na internet que permitem criar alguns dos tipos de visualização de informação recomendadas por ele. Essas são algumas das suas recomendações:

  • Nuvem de tags
  • Wordles
  • Diagramas com espectros de palavras
  • Diagramas de contraste
  • Mapas orgânicos literários
  • Árvores de palavras
  • Diagrama de documento em arco
  • Análise de transcrição
  • Diagramas de sentença direta

Dentre todos os tipos de estratégias, gostei muito da árvore de palavras e da análise de transcrição. Uma coisa em comum entre os métodos apresentados, todos eles são destinados a palavras na sua maioria, poucos se aplicam em figuras e fotografias. Mesmo assim, qualquer conceito ou gráfico inserido em slides do PowerPoint, pode ganhar mais significado com esse tipo de material.

Se você estava procurando por idéias para trabalhar melhor as suas apresentações ou material educacional, essa pode ser uma ótima oportunidade de aprender novas técnicas.

Uma imagem vale mais que mil palavras em educação também!

Qual a melhor maneira de elaborar material educacional? O designer instrucional deve mostrar aos alunos, mais material textual ou visual? Uma coisa é certa na nossa sociedade, as pessoas preferem muito mais o material visual, pela sua fácil interpretação e pouca demanda de raciocínio. O mercado publicitário sabe usar isso muito bem, muito dificilmente veremos algum tipo de anuncio publicitário de massa, envolvendo apenas material textual. Apesar da missão dos educadores, seja a de incentivar o hábito da leitura nos alunos, quem trabalha com ambientes eletrônicos de aprendizagem, encontra mais um desafio.

O uso intenso de material textual, força o aluno a ler o material, mas por outro lado é péssimo para leitura em ambientes eletrônicos. O uso de material audiovisual rico é bom para o lado do aprendizado, mas contribui para a degradação do hábito da leitura. Como resolver isso?

Reading Skills in the Computer Lab

Como de costume, a melhor opção aqui é usar o bom senso. Uma mescla das duas metodologias é a melhor opção. Essa semana mesmo tive a oportunidade de receber aqui na faculdade um material para consulta de uma empresa especializada em produzir, material para ambientes EAD. Todo o material era baseado apenas em texto!

Sim, imagine um material educacional que usa um meio altamente multimídia como a internet, mas baseado apenas em texto! Nenhuma imagem ou vídeo é usado. A taxa de evasão em cursos EAD é muito alta, esse tipo de material só contribui para que esses índices aumentem ainda mais. Quando um aluno procura um curso EAD, ele quer acima de tudo, material de consulta e auto-estudo que possa ser de fácil entendimento e que permita rápida assimilação.

O uso do computador como ferramenta de aprendizagem justifica o uso de muito mais material visual. Na sala de aula presencial isso é limitado, para que fosse possível usar essa estrutura, cada aluno precisaria de um notebook ou PC sobre a sua mesa, mas sabemos que no Brasil isso é inviável para a maioria.

Hoje não deixo nenhuma dica, sobre a produção desse tipo de material, mas é sempre importante lembrar que ao produzir conteúdo para aulas na internet, faça valer o poder do ambiente utilizado. Se o objetivo é usar mesmo o computador, aproveite um mínimo que ele tem a oferecer! Adicione imagens e vídeo ao texto, pode ser até do Youtube mesmo!

Como identificar potenciais objetos de aprendizagem?

Sempre que você trabalhar com projetos relacionados com educação a distância, saiba que o uso dos objetos de aprendizagem será considerado como o auge em organização e criação de conteúdos, para meios eletrônicos de aprendizagem. Caso você não lembre, esses objetos são partes segmentadas dos cursos, que funcionam de maneira independente, que podem ser reaproveitadas dentro de vários cursos, compostas pelas mais diversas mídias, desde textos até vídeos. O grande desafio em elaborar objetos de aprendizagem é que o designer instrucional envolvido no projeto dos cursos precisa de amplo suporte de especialistas no assunto abordado, para identificar os potenciais objetos de aprendizagem.

Nesse final de semana mesmo, estava trabalhando no design de alguns cursos para o meu ambiente de educação a distância próprio, em que ofereço alguns cursos direcionados para a área de computação gráfica, quando comecei a analisar os projetos dos cursos. Em determinado momento, estava analisando alguns trechos de aulas e pensando já em futuros cursos, quando vislumbrava de imediato determinadas partes do curso, inseridas em futuras iniciativas. Naquele momento consegui identificar um objeto de aprendizagem em potencial, ao longo da tarde em que fiquei trabalhando no projeto, identifiquei mais 3 partes do curso que tem potencial para se transformar em objetos de aprendizagem.

Agora, a dúvida que fica é a seguinte; será que eu conseguiria identificar esse objeto de aprendizagem sem o conhecimento do assunto do curso, assim como de cursos futuros? Acredito que não.

Portanto, se você pretende trabalhar com objetos de aprendizagem, aqui vão algumas dicas para poder potencializar a identificação desses objetos, caso você não seja especialista na área do curso:

  1. Sempre solicite a um especialista no assunto, projetos ou esboços de projetos para mais de um curso.
  2. Os projetos dos cursos devem estar segmentados da melhor maneira possível, com objetivos bem definidos para cada parte.
  3. Caso seja necessário um mínimo de conhecimento técnico, pergunte a um professor da área ou especialista.
  4. Tente fazer prognósticos de cursos futuros, em que seja possível aproveitar partes introdutórias ou conceitos teóricos de alguma determinada área.
  5. Na produção dos materiais dos cursos, não faça referências ao curso como um todo, apenas ao assunto que está sendo abordado. Isso é extremamente importante se o material for audiovisual. As referências para o curso atual podem ser feitas com pequenos elementos gráficos, colocados no material de estudo na pós-produção. Assim fica mais fácil reutilizar o conteúdo em vários cursos, sem precisar gravar ou produzir partes da aula novamente.

Com essas dicas fica mais fácil trabalhar com objetos de aprendizagem. Pensei nisso, depois de trabalhar no projeto dos cursos.

Agora que estou trabalhando no projeto de cursos para esse ambiente, que por sinal usa o Moodle estou tendo várias idéias interessantes de como organizar conteúdos. Assim que tiver mais alguma dica, publico aqui no Blog.