Ensino a distância síncrono com o Moodle e WiZiQ

Devo confessar que não sou fã do ensino a distância síncrono, acho que é uma metodologia que não casa muito bem com ambientes a distância. Se eu tivesse que criar um curso assim, faria muito material didático, para que os alunos estudassem de maneira assíncrona. Mas, algumas pessoas precisam desse tipo de ensino, até porque o modelo de negócios ou projeto pedagógico do curso envolve isso. Lembro que em uma determinada ocasião, um colega que trabalha com Moodle em outra instituição, precisava de um módulo para aulas síncronas, com o uso de vídeo e áudio em tempo real.

Naquela época, não conhecia nenhum sistema integrado ao Moodle, que pudesse oferecer esse tipo de recurso. Agora existe uma opção muito interessante, que é o uso de um sistema chamado WiZiQ.

Vic chats to her mum on the webcam

Esse é um sistema que oferece um ambiente síncrono muito completo, com a possibilidade de fazer reuniões usando vídeo de webcams. Além do vídeo o sistema permite que o professor ou tutor de uma aula a distância, faça o upload de uma apresentação e PowerPoint e faça uma aula baseada naqueles slides.

O professor pode passar os slides no seu computador, e os alunos acompanham todas as mudanças em tempo real. Se a aula exigir o uso de um quadro interativo, o sistema ainda permite que o professor use o espaço do slide, para desenhar com o mouse, o que pode ser ótimo para resolver problemas matemáticos ou desenhar organogramas.

Qual a vantagem em usa o WiZiQ com o Moodle? A vantagem é que existem um módulo especial do WiZiQ para o Moodle, que pode se integrar com as ferramentas dele de maneira fácil.

O módulo para Moodle do WiZiQ pode ser copiado desse endereço, lá também é possível assistir vários vídeos com tutoriais explicando a configuração do módulo no Moodle.

Depois que o módulo é instalado é possível adicionar uma atividade do tipo WiZiQ, em que os alunos precisam estar online em uma determinada hora. Com a instalação do módulo, o professor ou tutor pode fazer o agendamento e configuração do ambiente virtual usado no WiZiQ, diretamente do Moodle, como uma atividade de aula.

Outro ponto positivo do módulo, assim que o encontro é agendado ele aparece no calendário de eventos da disciplina ou curso, no Moodle.

Agora um ponto negativo, todos os participantes precisam se inscrever no WiZiQ para participar.

Pronto! Agora você já sabe como ministrar aulas síncronas com o Moodle, fica a dica para todos que precisam desse tipo de recurso.

Por que motivo as instituições de ensino preferem softwares abertos?

Hoje eu estava lendo um artigo sobre a forte demanda por soluções baseadas em software aberto, para instituições de ensino, e como essa demanda só tende a crescer nos próximos anos. Depois de ler o artigo, fiquei pensando se esse mesmo fenômeno pode acontecer nas instituições de ensino do Brasil, no caso o artigo não faz menção a um país específico, mas são claramente voltadas as instituições do hemisfério norte. O que falta para que esse tipo de software e serviços como esses ganhem mercado aqui?

Antes de chegar a uma conclusão sobre o assunto, vamos pensar um pouco mais sobre a dinâmica de uma instituição de ensino. Uma instituição de ensino é uma prestadora de serviços, uma empresa como outra qualquer, certo? Na verdade não, uma instituição de ensino é sim uma prestadora de serviços, mas dependendo da instituição e da maneira como ela funciona, as suas necessidades e processos internos podem apresentar características únicas.

Stephan, Box Salesman

Eles querem vender, mas será que queremos comprar?

Ai está o maior problema das soluções baseadas em software de código fechado. Por exemplo, quando uma empresa comercializa um sistema de gerenciamento de cursos a distância, ela leva em consideração que todas as empresas envolvidas devem usar os recursos e metodologias disponíveis apenas na sua solução. Mesmo um sistema de gestão acadêmica, considera que as demandas internas de uma instituição são as mesmas, em todas as regiões do país e nas mais diferentes realidades sócio-econômicas.

Agora, imagine a situação; você trabalha em uma instituição de ensino e vende cursos que usam ou são ministrados totalmente a distância. Essa empresa contrata os serviços da empresa X, que comercializa um sistema LMS para que você possa ministrar os cursos. Agora, se outra instituição de ensino concorrente, na sua mesma cidade contrata os mesmos serviços para ministrar cursos a distância, com a mesma metodologia e material. Qual a diferença entre os dois? Quem tem o curso de melhor qualidade? A metodologia é a mesma?

Veja como esse tipo de situação não se sustenta!

Esse mesmo tipo de problema, fez com que a Black Board perdesse uma enorme fatia do mercado nos EUA, para ferramentas livres como o Moodle. Assim que as instituições de ensino começaram a usar o seu sistema, os professores e alunos fizeram pedidos por mais ferramentas e funcionalidades pontuais. Isso aconteceu com mais de uma instituição, e o custo de desenvolver ferramentas educacionais para uma instituição apenas é muito alto, e eles acabaram deixando seus clientes esperando por muito tempo.

Claro que mais fatores influenciaram na derrocada da Black Board, mas esse foi um dos fatores determinantes.

Uma instituição que use o Moodle, por exemplo, pode personalizar a maneira com que suas aulas são ministradas e organizadas. Se existir um setor de tecnologia, a própria instituição pode desenvolver novos módulos ou funcionalidades.

Assim, é possível dizer que a metodologia usada no curso é sim da instituição, com as devidas adaptações realizadas no sistema de ensino.

Já disse isso aqui uma vez e repito novamente, quem trabalha com esse tipo de serviço, precisa repensar a sua maneira de fazer negócios. O exemplo do que está acontecendo com o Black Board é sério e deve ser levado em consideração.

Guia para ensinar com tecnologia

Imagine a seguinte situação, você é um professor universitário e recebe uma determinação da direção acadêmica da sua instituição; os docentes devem fazer uso de tecnologia para educar! Sei que esse tipo de determinação ainda é difícil em instituições de ensino no nosso país, o uso de tecnologia é encarado como “desperdício” de dinheiro ou até mesmo como entrave para o processo de ensino. Um dos motivos é plausível, a maioria dos alunos ainda tem difícil acesso a computadores e internet, e para um professor colocar como obrigatório o uso de recursos educacionais, disponíveis apenas para quem tem acesso a internet é complicado.

Se bem que, quando os alunos querem usar a internet como forma de entretenimento, eles sempre encontram uma maneira de acessar!

Mas, voltando ao assunto do artigo, o que um professor pode fazer se receber uma determinação da sua instituição de ensino para usar tecnologia? A solução é pesquisar e estudar.

teacherworkshop

Não seria ótimo se a instituição de ensino disponibilizasse os recursos e materiais de apoio, para que os professores desenvolvessem as competências e habilidades necessárias para usar a tecnologia? Foi isso que a Universidade da Flórida fez, eles disponibilizam uma página com várias dicas sobre como usar tecnologia em sala de aula.

A lista é muito interessante e tem alguns recursos que podem ser aproveitados por professores de outras instituições. Veja a lista dos recursos listados na página:

  • Como fazer o fechamento de notas usando planilhas eletrônicas, como o Excel
  • Como identificar plágio no trabalho dos alunos. Esse é um recurso de sumária importância para professores, que ensinam na era o “copiar e colar”.
  • Como fazer textos em formato de Web Site e enviar o material para um servidor
  • Como criar aulas em formato de PodCast
  • Como criar aulas com slides do PowerPoint com narração
  • Como transformar apresentações em PowerPoint em vídeo
  • Como usar Blogs e Wikis em sala de aula

Cada um desses tópicos é apresentado com um pequeno guia, explicando aos professores o que eles devem fazer para aproveitar os recursos e potencialidades.

No final da página ainda existem links, para web sites e artigos sobre o uso de tecnologia e educação.

Muito legal a iniciativa da universidade, caso você esteja passando pela mesma situação, de adaptação em relação aos métodos tradicionais de ensino, para um que use com mais freqüência a tecnologia, recomendo a leitura dos guias e o uso do material como referência para um estudo mais aprofundado.

Como criar uma introdução as apresentações no PowerPoint?

Imagine a seguinte situação, você precisa ministrar uma palestra ou treinamento, chega na hora certa, está tudo preparado, mas as pessoas que precisam assistir ao treinamento ainda não estão presentes. O que fazer? Se você for uma pessoa importante, pode começar a palestra e depois as pessoas se esforçam para recuperar o que perderam, mas se você precisa que as pessoas assistam, precisa ganhar tempo. Uma ótima maneira de ganhar tempo é conversar com as pessoas presentes. Enquanto você conversa com as pessoas, pode colocar uma apresentação em looping infinito no PowerPoint.

Essa apresentação tem como objetivo apenas entreter a audiência, enquanto a apresentação mesmo não começa.

Você sabe fazer uma apresentação assim? Com um slide que fica se repetindo infinitas vezes? Caso não saiba, encontrei esse ótimo tutorial de PowerPoint, que mostra o processo completo:

No tutorial o autor explica uma maneira muito simples de fazer esse tipo de apresentação. O segredo de tudo é elaborar duas apresentações.

A primeira é que deve ser configurada para repetir indefinidamente. Para fazer a transição de uma apresentação para outra, o autor do tutorial recomenda que seja adicionado um botão, com um link no PowerPoint, para carregar o outro arquivo da apresentação.

Simples não é?

Achei interessante também a maneira com que ele elaborou a primeira apresentação, os textos ou gráficos precisam ter animações de entrada e saída. Assim a audiência não percebe a repetição dos itens da animação. No vídeo, ele usa textos apenas para ilustrar a apresentação, mas você pode tentar fazer composições com imagens.

Considere usar essa técnica, para melhorar as suas apresentações. Já participei de alguns treinamentos e palestras em que o primeiro slide, do apresentador fica sendo exibido por tempo indefinido. Isso é um problema? Na verdade não, mas você pode aproveitar melhor esse espaço de tempo, para passar palavras-chave sobre o assunto do treinamento, perguntas que são respondidas na palestra, imagens ou outros elementos que possam servir até como “icebreakers” , para a apresentação.

É só colocar a sua criatividade em ação para criar a sua introdução.

Mapas mentais para educação?

Antes de mais nada, o que são mapas mentais? Os chamados mapas mentais foram criados por um pesquisador australiano, chamado Tony Buzan, para maximizar o potencial criativo do cérebro. Ora, se o objetivo da técnica é potencializar a criatividade e estimular o cérebro, isso tem aplicação na educação. Como funciona? Tudo é baseado em uma espécie de diagrama, construído em volta de uma idéia central. A pessoa interessada no mapa mental posiciona a idéia no centro do papel e começa a puxar ramificações com subcategorias de informações, para organizar as idéias.

Veja um exemplo de um mapa mental:

6 Keys to Effective Learning - Mind Map

Já pensou apresentar a ementa de um curso assim? Ou quem sabe os assuntos necessários para ensinar um determinado conteúdo?

Pode parecer utópico, mas isso tem aplicações na área da educação e na criação de material. Quando você está planejando um curso ou apresentação, geralmente acaba tentando colocar os assuntos “no papel” de maneira linear. Com os mapas mentais, podemos visualizar os assuntos e conteúdos de maneira mais ampla. Estou tentando organizar as idéias dos cursos que planejo, usando mapas mentais e o resultado está sendo muito bom.

Quer tentar fazer um? Seria pretensão minha tentar ensinar a técnica completa em apenas um artigo, mas posso passar algumas dicas, retiradas de um vídeo do próprio Tony Buzan:

  • Sempre comece com uma folha em branco, em que a idéia principal deve ser posicionada em destaque no centro da folha
  • Comece as ramificações, fazendo as linhas com mais espessura e depois vá diminuindo até chegar às extremidades.
  • Escreva sobre as ramificações
  • Use linhas curvas para as ramificações, elas chamam mais a atenção que linhas retas
  • Tente usar o máximo de cores, para segmentar as ramificações. Assim fica mais fácil para visualizar as informações
  • Se for possível associe imagens às ramificações do mapa mental, ficará ainda mais fácil de identificar os assuntos.

Uma última recomendação, essa é pessoal, faça os seus mapas mentais no papel! Sim, apesar de ser adepto de tecnologia e tudo mais, fazer esse tipo de ilustração e plano no papel, me pareceu muito mais proveitoso que diagramar tudo no computador.

Mind Maps - This is where I've been

Para saber mais sobre a técnica, recomendo uma visita ao instituto Buzan, que é o centro de informações sobre esses mapas mentais.

Recomendo e incentivo os colegas professores e profissionais da educação a tentar usar essa metodologia, no design e desenvolvimento de material instrucional. Você verá a melhoria na performance dos seus projetos. Assim que tiver mais informações e exemplos eu publico aqui.