Qual o tempo ideal para um curso a distância?

Assim que iniciamos um projeto para um novo curso ou treinamento, precisamos definir vários aspectos relevantes como objetivos e conteúdos abordados. Além desses pontos, que chegam a ser óbvios, precisamos definir a duração de cada disciplina ou até mesmo do curso como um todo. A legislação estipula o tempo mínimo para cada área do conhecimento, caso o curso seja técnico, de graduação ou até mesmo mestrados e doutorados possuem cargas horárias mínimas.

Essa semana li um artigo interessante no elearning tecnology, questionando se existia um tempo mínimo ou máximo ideal para cursos a distância?

Alunos entediados - curso a distância - Laboratório de informática

Como achei o assunto interessante, resolvi escrever esse artigo para tecer alguns comentários e expor uma experiência profissional. Até porque muita gente ainda tem dúvidas sobre as cargas horárias de cursos a distância, às vezes você cursa uma disciplina ou curso que é “vendido” como tendo 30 horas de aula, mas você recebe apenas 6 horas! Isso acontece porque as horas de auto-estudos estão contabilizadas nessa carga horária.

Sobre as cargas-horárias dos cursos tenho uma coisa a dizer: um curso a distância deve ser o mais curto possível.

Isso porque, cursos longos já tendem a ser desestimulantes, manter o foco e o interesse em cursos presenciais às vezes já é difícil. Em ambientes a distância então, sem a figura presente do professor e de um corpo pedagógico para incentivar os alunos, essa se torna uma tarefa muito difícil.

Então, se você tiver que planejar um curso desse tipo, tente ser o mais breve possível. Esse tempo que estou falando aqui é relacionado a carga horária total do curso, apesar de não ter sido abordado por Tony Karrer no artigo original, achei interessante mencionar.

Vamos agora ao assunto do artigo, o tempo a que ele se refere está relacionado aos módulos. Isso mesmo, um curso a distância é dividido várias vezes em módulos. Cada módulo é dividido de maneira seqüencial para que o curso tenha sempre uma progressão e reutilização dos conteúdos. Tudo para construir uma curva de aprendizagem mais estruturada.

Segundo o artigo original, cada módulo deve possuir uma duração mínima de 15 minutos e máxima de 30. Acho que 30 minutos é um ótimo limite para ensinar qualquer coisa. Lembre que em ambientes a distância, dificilmente os professores tem interrupções dos alunos durante as explicações, principalmente em ambientes que usam aulas via satélite (TV). Então uma explicação que na sala de aula, duraria facilmente 1 hora, em ambientes a distância o assunto se esgota em 10 ou 20 minutos. Tudo vai depender do poder de síntese do professor.

Isso é até uma coisa boa para os professores, pois ensina a ter disciplina e testar o nosso poder de síntese. Como nós gostamos de ensinar, além de sermos apaixonados pelo assunto/matéria sobre a qual estamos falando, temos uma tendência natural a falar demais.

Nesse sentido, posso relatar até uma experiência pessoal. Como coordenador de um curso a distância, na instituição de ensino em que trabalho, o nosso modelo de aulas é baseado em aulas pela TV. Os nossos módulos têm uma duração de aproximadamente 45 minutos. Em um primeiro momento o modelo se mostrou funcional, sem nenhum tipo de relato que indicasse um desconforto ou desestimulo por parte dos alunos.

Mas com o tempo, as pessoas tentem a ficar entediadas e o assunto começa a não render mais o esperado. Decidimos reduzir a duração do módulo para 30 minutos. Isso teve um efeito imediato! O aproveitamento dos alunos teve uma melhora significativa.

Acho que ainda vamos diminuir mais ainda o tempo dos módulos. Para tentar melhorar mais ainda o aproveitamento. Quando estamos falando de ambientes de TV ou até mesmo multimídia, a atenção e dedicação do espectador é um desafio. Ninguém agüenta ficar concentrado olhando e escutando uma pessoa falar por 30 ou 45 minutos ininterruptos. Precisamos criar pausas e mudanças, para que seja possível trocar um módulo e renovar o interesse pelo assunto. Não é por acaso que os blocos de programas para TV, têm aproximadamente 5 ou 10 minutos de duração. Não é só para exibir mais comerciais, esse é um artifício para deixar os programas menos cansativos.

Então agora você já sabe, vai organizar uma aula ou palestra? Tente usar módulos curtos. Mesmo que você não use TV, lembre que é mais fácil manter a atenção dos seus alunos ou platéia com textos curtos e objetivos. Além de tudo, estaremos assim, treinando o nosso poder de síntese.

Zoho Wiki: Como criar wikis de maneira fácil?

Estou sempre falando sobre o uso e as aplicações das Wikis, no nosso cotidiano. Em se tratando de colaboração online, esse sistema é o que melhor representa um documento colaborativo. Apesar de se tratar de uma ótima opção para colaboração, muitas pessoas ainda têm receio em usar esse sistema, principalmente pela necessidade de aplicar a Wikitext, linguagem de marcação para formatar os textos das Wikis. Nas últimas semanas tenho recomendado aos meus colegas professores e alunos o uso da Zoho Wiki, que é mais um serviço do ótimo pacote de escritórios online da Zoho.

A vantagem desse serviço é oferecer um editor visual para as páginas da Wiki. Assim é possível editar o conteúdo de maneira fácil, como se estivéssemos em um editor de texto. Além disso, dispomos de todas as facilidades de uma Wiki, como compartilhamento de conteúdo e controle de alterações. Mas como fazer? Como funciona essa Wiki? Para facilitar o processo de utilização, para as pessoas que nunca tiveram contato com esse tipo de ferramenta, preparei um pequeno tutorial sobre como usar a Zoho Wiki.

O primeiro passo é visitar a Zoho Wiki e se cadastrar, para poder criar as suas próprias Wikis. O cadastro é totalmente gratuito, então pode ficar despreocupado. Escolha a opção Sign Up, para fazer uma nova conta.

Zoho Wiki

Assim que você fizer a sua conta, realize o login para começar a criar a Wiki. A primeira página que aparecerá será o centro de controle, para a sua Wiki. Nesse centro, encontramos várias opções para criar e gerenciar as configurações da Wiki.

Na imagem abaixo, listei algumas opções importantes nessa página. Dois botões na parte superior criam páginas e Wikis. Dentro dessa página, podemos adicionar várias Wikis, para uso comum. Então, antes de mais nada sugiro criar uma Wiki! Clique no botão New Wiki.

Zoho Wiki - Painel

Assim que você fizer isso, uma janela com as opções dessa nova Wiki aparecerá.

Zoho Wiki - Nova Wiki

As opções para criar a Wiki são as seguintes:

  • Wiki name: Aqui escolhemos o nome da Wiki, que conseqüentemente será usado para gerar o endereço de acesso para a Wiki. Escolha bem o nome, pois esse não pode ser alterado.
  • Wiki Title: Esse será o título da Wiki, ele será exibido para todos os participantes dessa Wiki.
  • Make this wiki: Aqui temos uma opção muito importante! Precisamos escolher como será o acesso a essa Wiki. Podemos escolher entre três opções.
    • Public: Caso essa opção seja escolhida, qualquer pessoa pode acessar a Wiki. Cuidado para não adicionar dados sigilosos a Wikis públicas.
    • Private: Aqui o acesso a essa Wiki ficará restrito apenas a você.
    • Group: Agora para realizar efetivamente colaboração online, use essa opção. Com a opção Group selecionada, podemos adicionar o endereço de e-mail das pessoas que podem editar e colaborar com a Wiki.
  • Select Skin: Aqui podemos escolher como será a aparência da Wiki. Escolha um esquema de cores que seja agradável para as suas necessidades.

Só para que fique bem claro, assim que uma nova Wiki é criada no Zoho Wiki, as suas Wikis podem ser acessadas com o endereço http://nomewiki.wiki.zoho.com. Por exemplo, se o nome da wiki for allanbrito, então o endereço para a minha Wiki seria http://allanbrito.wiki.zoho.com.

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Gestão acadêmica gratuita com o Google Docs

A gestão tecnologia de uma instituição de ensino seja ela de qualquer porte, sempre foi um problema. Seja devido à falta de recursos tecnológicos ou então pelos custos necessários a implantação de sistemas comerciais, com módulos de gestão acadêmica. Já vi instituições de ensino, gastar pequenas fortunas, com sistemas que simplesmente não funcionam, por falta de conhecimento das pessoas que os utilizam ou mesmo por deficiências na ferramenta.

Como escrevi há alguns dias atrás um artigo falando sobre as ferramentas do Google para educadores, resolvi mostrar como é possível fazer um sistema de gestão acadêmica, mesmo que simplificado, usando o Google Docs. Claro que o sistema é simples, não envolvendo nenhum tipo de gestão de recursos financeiros. Apenas de dados acadêmicos, como freqüência e notas. Mesmo que a sua instituição de ensino já use um sistema de gestão acadêmica, esse método pode ajudar principalmente as escolas públicas, que não precisam fazer esse gerenciamento financeiro. Mas se você precisa compartilhar informações com outros professores, sobre alunos o método pode ajudar bastante.

Qual a premissa de um sistema de gestão acadêmica? O objetivo é alimentar um sistema, que possa manipular e apresentar os dados de maneira organizada, para qualquer pessoa acessar.

Gestão Acadêmica

Os professores da instituição alimentam o sistema com dados, para que essas mesmas informações possam ser aproveitadas no futuro, pela coordenação do curso ou pela secretaria. Para emissão de certificados e históricos. Ora, isso pode ser muito bem realizado com as opções de compartilhamento de documentos e colaboração online do Google Docs.

Por exemplo, podemos criar uma nova planilha que funcionará como um diário de classe. O professor pode adicionar o nome dos seus alunos e dias de aula. A cada novo dia, ele pode adicionar novos dados.

Caso você esteja se perguntando, mais isso vai acabar virando uma bagunça! Realmente se não forem tomadas algumas medidas de controle, existe o risco de que o sistema fique bagunçado. Veja os cuidados necessários para o que tudo corra bem:

  • O proprietário da planilha deve ser o coordenador do curso ou alguém da secretaria
  • Todos os professores devem adicionar novos dados assim que eles estiverem disponíveis
  • O proprietário da planilha deve sempre estar com contato com os usuários que compartilham poderes de edição.
  • O proprietário da planilha deve assinar o feed RSS para acompanhar as atualizações

Esse último item é muito importante, para garantir que ninguém realize alterações nos dados sem o controle da coordenação ou secretaria. Mas como fazer isso? Caso você nunca tenha usado o Google Docs, repare que na parte inferior dos controles para colaboração, existe um ícone na parte inferior que permite acompanhar as alterações realizadas, usando feeds RSS.

Com essas dicas você consegue criar uma bela gestão acadêmica, com colaboração online. Totalmente gratuita. Bem, no artigo apenas passei a dica, sobre a ferramenta. Mas como podemos usar o Google Docs? E alimentadores de notícias RSS?

Para isso, recomendo que você leia esses dois artigos:

Pronto! Agora você já pode organizar melhor as informações relacionadas à sua instituição de ensino ou seus treinamentos. Abandone de vez o papel, ou então use esse sistema como backup para as informações armazenadas no sistema de gestão da sua instituição.

O que é design instrucional?

Com o crescimento dos cursos a distância no nosso país, as áreas que prestam serviços ou de suporte a esse tipo de curso vem crescendo. Junto com ela, uma área do design até então relegada aos chamados CD-ROM educativos, vem ganhando cada vez mais espaço. Essa área é o design instrucional, que tem como responsabilidade formatar o conteúdo de apoio aos cursos a distância, de maneira a facilitar o aprendizado dos alunos e garantir assim o sucesso do curso.

Quais os requisitos para ser um designer instrucional? O que ele faz exatamente? Imagine que você está criando um curso a distância, e que esse mesmo curso precisará de material de apoio para os seus alunos. Você provavelmente delimitou os meios em que os alunos devem receber e interagir com esse material, que seriam a internet e impressos.

Design Instrucional Diagrama

Pois o designer instrucional vai elaborar um [BP:215]projeto de design[/BP], para que todo o seu material de apoio esteja obedecendo a uma linguagem visual adequada aos seus padrões e requisitos de aprendizagem. Por exemplo, um material para cursos jurídicos precisaria de uma formatação mais séria e que atenda as nuances do assunto, fazendo várias referências externas a itens da legislação. Como o conteúdo exige muita leitura, o design deve encontrar uma solução para apresentar essa grande quantidade de texto ao mesmo tempo.

Já um curso pré-vestibular para química, precisa além de um pouco de texto, mesclar no conteúdo apresentações de formulas e diagramas moleculares. Isso já exige uma solução de design diferente, fugindo do padrão mais textual. Até porque o público que usará esse material tem um perfil completamente diferente dos cursos jurídicos.

Percebeu a diferença? Em ambas as situações, usei a palavra solução para descrever a atividade do design instrucional, pois é isso mesmo que ele faz. Encontra a melhor solução para apresentar o conteúdo. Quando entramos em ambientes interativos, começamos um uma atividade que está muito relacionada com o design instrucional, que é o design de interação. Mas esse é um oficio direcionado a interação apenas, sem nenhuma relação direta com educação a distância.

Achou interessante? O que um designer instrucional precisa saber? Para facilitar os treinamentos e quem sabe até uma especialização, de algum designer interessado em começar a fazer esse tipo de trabalho, separei algumas características que considero importantes para um designer instrucional:

  • Compreender os objetivos do curso
  • Conhecer o público alvo
  • Compreender as limitações e possibilidades de cada mídia
  • Entender o processo de ensino
  • Conhecer técnicas de design
  • Dominar a tecnologia gráfica
  • Noções de pedagogia
  • Dialogar muito com os autores e professores da disciplina

Repare que o processo não é simples, envolve uma série de conhecimentos que muitas vezes não podem ser aprendidos com estudo, mas apenas com prática. Uma coisa que considero muito importante, todo o designer instrucional, deveria ao menos uma vez passar pela experiência de ministrar aulas. Mesmo que em ambientes presenciais, pois essa é uma experiência muito enriquecedora para qualquer pessoa que trabalha com educação.

Caso você tenha mais interesse em aprender sobre design instrucional e as teorias de aprendizagem, esse artigo sobre Design Instrucional e teoria do aprendizado, mostra muito bem como tudo funciona.

Comportamento dos alunos em ambientes de ensino a distância

As preparações dos ambientes para aulas a distância envolvem uma série de cuidados e requisitos técnicos, para garantir o sucesso de qualquer iniciativa. Esses requisitos devem ser respeitados pelos professores e tutores, para que os alunos possam assimilar da melhor forma possível o conteúdo. Muito se fala sobre os ambientes e sistemas LMS, mas pouco se comenta sobre o comportamento dos alunos nesses ambientes. Um aluno pode usar a mesma mentalidade usada para um curso presencial, nos [BP]cursos a distância[/BP]? A reposta é não!

Começar achando que os mesmos requisitos necessários para um curso presencial, se aplicam a um curso a distancia, será o primeiro erro cometido pelo aluno. Esse comportamento coloca em risco o sucesso do curso, tanto para ele como para a instituição.

Aluno a distância

Mas que comportamento é esse? O que diferencia esse comportamento? Vamos a uma pequena lista:

  • Compromisso: O compromisso com o curso deve ser maior, o aluno não pode deixar as atividades das aulas acumularem. Muito do conteúdo é baseado em pré-requisitos, sendo aproveitado posteriormente em assuntos futuros.
  • Prazos: O controle de prazos em ambientes de ensino a distância é mais rígido, aqui não é possível usar o velho jeitinho para convencer o tutor, que você é um bom aluno e merece um novo prazo. Quando o tempo acaba para uma pessoa, ele acaba para todos.
  • Regularidade: A realização das atividades aqui deve ser regular, até mesmo para que as tarefas não fiquem acumuladas. Até para que os prazos não sejam perdidos.
  • Tecnologia: Saber usar a tecnologia é fator fundamental, principalmente nos cursos que usam a internet como meio de comunicação. Você tem um e-mail? Você verifica esse e-mail todos os dias? Você sabe usar recursos como leitores RSS? Fóruns?
  • Interação: Uma das maneiras de “quebrar” a distância que separa os alunos em cursos a distância é com a comunicação. Interagir com os colegas é fundamental, então não deixe de participar nos fóruns, mande mensagens com comentários e mostre a sua opinião. Aqui não existe especo para a timidez, aproveite o “anonimato” da internet para participar de maneira mais ativa, isso conta pontos com os tutores.

Esses são alguns pontos importantes, no comportamento dos alunos em cursos a distância. Se você for aluno, lembre de seguir da melhor maneira possível as recomendações do texto, para aproveitar melhor os cursos. Caso você esteja implementando módulos de ead, na sua instituição de ensino, procure orientar os seus alunos com essas recomendações. Com certeza, eles devem aproveitar melhor os cursos com essas dicas.