Quando o designer instrucional se torna aluno!

Um designer instrucional é geralmente responsável pelo design e criação de materiais para cursos e algumas vezes do próprio curso em si. Mas, quando é necessário retornar para a sala de aula, para fazer uma reciclagem ou participar de um outro curso de pós-graduação, nos encontramos na situação em que somos mais críticos! Como alunos, podemos literalmente perceber algumas coisas em relação ao que está sendo desenvolvido pelo professor, como a linha de raciocínio e o material de apoio que está sendo usado para a aula.

Sempre que assisto uma aula em que o professor aparece com um arquivo único contendo mais de 300 slides no powerpoint, apenas com textos e tópicos que provavelmente são lidos na frente do projeto, um desânimo sobre a aula é inevitável.

Entre os diversos assuntos que estudamos no design instrucional, aprendemos que existem deterimados tipos de assuntos que são melhor apresentados e explicados com certos tipos de gráficos. Essa pesquisa que associa o uso de imagens como forma de aprendizado pode ser encontrada em vários livros e artigos. Uma das classificações que mais gosto e uso nos meus projetos, seja para uma palestra ou composição de apresentações em slides, que foi publicada por Clark e Mayer. Apesar de estar citando os nomes dos autores da técnica, o objetivo aqui não é trabalhar com um artigo científico, apenas apresentar a técnica.

Teachmeat BETT 09

Vejamos então os tipos situação mais comuns de encontrar em aulas e palestras, que precisam ser necessariamente explicados para diversas pessoas:

  • Fatos: Esse tipo de situação pode ser melhor apresentada usando fotografias ou imagens que melhor representem um lugar ou momento.
  • Conceitos: Um conceito geralmente é abstrato, por isso é interessante partir para o uso de símbolos ou gráficos chamados de interpretativos. Por exemplo, ao explicar o conceito de organização das moléculas de água no gelo, podemos usar um gráfico que mostra um conceito abstrato para nós de maneira a interpretar a explicação.
  • Processos: Quando é necessário explicar o funcionamento de alguma coisa, a melhor maneira é com gráficos chamados de transformação. Esses gráficos nada mais são que animações ou infográficos animados. Os processos também podem ser representados com o uso de gráficos relacionais, que são os famosos fluxogramas de processo.
  • Procedimentos: Se o assunto for uma seqüência de passos necessários para que alguma tarefa seja realizada, podemos também recorrer as animações.
  • Princípios: Aqui temos o mesmo caso dos gráficos usados para representar os processos, mas precisamos atentar para os princípios. Qual a diferença entre princípio e conceito? O princípio é um fato isolado que resulta na conclusão de uma tarefa, com relação direta entre causa e efeito.

Por exemplo, podemos pegar os gráficos que representam processos, usados na grande maioria das empresas como forma de melhorar a eficiência das suas atividades. Ao explicar esse tipo de objeto em sala de aula, ou mesmo em reuniões, a pessoa poderia usar gráficos de transformação animados, que poderiam ilustrar de maneira clara e objetiva o funcionamento do processo. Quando usamos imagens estáticas ou fotos nesse tipo de situação, o observador precisará abstrair o conceito de processo para poder entender o todo.

Infelizmente, esse tipo de dica só aparece depois que o material do professor ou palestrante já está sendo utilizado. Mas, fica a dica para quem precisar elaborar uma apresentação usando imagens ao invés de palavras.

One Response to “Quando o designer instrucional se torna aluno!”

  1. Fabiana Anibal on May 24th, 2011 at 10:03 am

    Material mto bom, parabéns!
    Eu me achava uma pessoa muito chata, rs, ao assistir qq palestra ou aula vendou o palestrante com aqueles powerpoints completamente sem sentido, em alguns momentos parecendo realmente que era pra “cumprir tabela”: Bem, me disseram que é importante colocar um audiovisual para prender a atenção, então, lá vamos nós… rs…
    Lendo esse artigo pude notar que, o que acontece de fato, é que, muitas vezes, os palestrantes, professores universitários têm conhecimento, têm até didática, porém, não têm a estrutura, não são conhecedores de detalhes que para nós, fazem toda a diferença…

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