Por que instituições de ensino americanas estão migrando para Moodle?

Um dos fenômenos mais interessantes do mercado de tecnologia educacional, nas universidades americanas e é o número crescente de instituições que abandonam sistemas pagos, como o famoso Blackboard e começam a usar o Moodle ou Sakai, como suas plataformas de educação a distância, ou apoio educacional. Claro que um dos motivos que me faz ficar curioso sobre esse tipo de migração, é o fato de ser usuário e defensor do Moodle como ferramenta LMS, para instituições de qualquer tamanho.

Essa semana, um artigo aqui no Blog falou sobre as diferenças de requisito para diferentes instituições de ensino, e como fazer para escolher o LMS apropriado para cada uma dessas instituições, com base em diversos fatores. O mercado Brasileiro ainda está se desenvolvendo e com o crescimento do acesso a internet, os próprios alunos estão começando a usar mais a internet. Isso faz com que as instituições de ensino invistam cada vez mais, em apoio educacional usando a internet.

Tanto as grandes como as pequenas instituições estão investindo pesado nessa área, quem entra agora nesse mercado educacional segue o famoso “efeito manada”.

leaving on a jet plane

Para reforçar o assunto abordado no artigo aqui do Blog, recomendo a leitura desse texto, publicado essa semana também no Chrolicle of High Education, em que é reportada a tendência dos clientes que usam o Blackboard nos EUA em migrar para alternativas de código aberto.

Só para resumir o assunto do artigo, o texto fala da tendência das instituições de ensino em querer cada vez mais ferramentas e opções para adaptar, os sistemas LMS para as suas necessidades. Como esse tipo de pedido é geralmente cobrado, ou seja, as instituições precisam pagar para melhorar um software educacional que já é pago, apenas pelo seu uso. Os gestores de tecnologia educacional estão fazendo as contas e descobrindo que é mais barato, personalizar um sistema que já é aberto.

Veja como é fácil a conta:

  • A empresa comercializa um sistema LMS
  • A instituição de ensino solicita melhorias e correções na metodologia
  • A empresa cobra honorários extras para a personalização
  • A instituição paga e mesmo com certa demora, recebe as melhorias
  • A empresa comercializa o seu sistema, com as melhorias desenvolvidas

Percebeu? A instituição de ensino presta uma consultoria gratuita em metodologia de ensino, para que o sistema seja comercializado depois, com as mesmas ferramentas.

Talvez esteja exagerando um pouco na abordagem, mas é algo a se pensar nessas empresas, será que esse modelo de negócios deve perdurar?

Se você trabalha com EAD ou tecnologia educacional, recomendo a leitura completa do artigo.

One Response to “Por que instituições de ensino americanas estão migrando para Moodle?”

  1. Oi Allan

    Vou comentar algumas coisas aqui no seu post.
    Tenho experiência na implementação de EAD em empresas globais. Foram duas na industria farmacêutica, três na de TI (incluíndo a HP, onde trabalho hoje) e uma na industria química. Em todos os casos o LMS era de código proprietário.

    Vejo essa discussão (código aberto ou proprietário) mais dentro da área de TI, pois para o público consumidor dos cursos isso é transparente. Ou deveria ser. Tanto faz para quem acessa o LMS se é Moodle ou Saba. Já para as equipes internas que trabalham dentro do processo ADDIE, a forma de uso do sistema pode variar de caso a caso, a navegação pode ser diferente, mas as funcionalidades são sempre as mesmas com pequenas variações.

    Agora, para a equipe de TI, que de certa forma tem a responsabilidade manter esse serviço disponível para a empresa, a diferença entre código aberto e proprietário é significativa. A vantagem do código aberto é a flexibilidade na hora de customizar. Os LMSes de código proprietário também permitem customizações, só que elas ocorrem dentro de um modelo mais formal de trabalho suportado pelo “core business” da empresa fornecedora. Em outras palavras, empresas como Saba e Blackboard têm desenvolvimento de software no seu core business. Eles sabem o que fazem e, principalmente, se responsabilizam pelo que fazem. Empresas que têm esses fornecedores trabalham controlando SLAs de manutenção e expansão do software.

    Já as empresas que optam por software de código aberto, nesse caso, acabam tendo que manter o código elas mesmas, algo que não está no seu core business. Acaba ficando caro e “capenga”. Fica caro se elas forem ter um time técnico (para suportar LAMP ou WAMP no caso do Moodle). Se esse time interno não existir, você vai precisar contratar uma empresa especializada no LMS. Caro e se o código não for bem documentado há risco de descontinuidade na operação. Isso eu já vi acontecer numa IES ligada à USP que fez um piloto com o Moodle. Eles (que não são especialistas em desenvolvimento de software) sentiram que uma vez tendo o código modificado pela equipe interna, o custo e o risco envolvidos na manutenção do LMS seriam inviáveis. Já começaram a investigar protenciais fornecedores de LMS com código proprietário.

    Bem, acho que escrevi demais. Talvez de forma não muito linear… mas é isso: foco no core business e na continuidade da operação no menor custo e risco possíveis.

    Um abraço e parebéns pelo trabalho aqui no blog.

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